Smokin' Aces (ou, na tradução lusa,
Um Trunfo na Manga) é um filme bruto como as casas, mas com altíssimo valor de entretenimento. Qualquer fita que consista numa corrida desvairada entre assassinos, quase em tempo real, para ver quem chega primeiro ao alvo (Jeremy Piven, de
Entourage - Vidas em Hollywood, muito menos cómico e bem mais trágico do que o trailer fazia crer) conquista-me só com a premissa. Felizmente, este filme de Joe Carnahan não tem só um bom ponto de partida: cumpre o que promete com a eficácia de um tiro na pinha a centímetros de distância. Não vai mudar a História do Cinema, nem tem a categoria do filme anterior do realizador - um belo policial à William Friedkin chamado
Narc - e, vistas bem as coisas, saca inspiração a Quentin Tarantino e ao Steven Soderbergh de
Ocean's Eleven sem nunca chegar ao nível deles. Mas é divertido como o caraças, tem alguns cromos inspirados (nomeadamente um bando de mercenários
rednecks neo-nazis e um assassino camaleónico que nunca sai de casa sem o seu kit instantâneo de construção de máscaras de borracha feitas a partir de moldes de cabeças de vítimas) e a trama tresloucada consegue cativar o interesse criando suspense de três maneiras: uma, ao levar o espectador a questionar-se "será que matam o gajo?", a outra levando-o a questionar "qual deles vai matar o gajo?" e a terceira, ao levar o mesmo espectador a rezar a todos os santinhos para que, depois do maravilhoso caos demente a que a fita chega, o final não estrague tudo. E isso eu posso revelar: não estraga. A simplicidade e o "que-se-lixe" da sequência final fornecem ao espectador um agradável quentinho no peito.
Mas acima de tudo: Alicia Keys. A rapariga não só tem o poder vocal que se lhe reconhece, como demonstra aqui ter a pinta e a sensualidade de uma Pam Grier de outros tempos. Que grande senhora do espectáculo.
Já agora: fui ver o babel ontem, e sim o filme é bem fraquinho. È demasiado óbvio, e as personagens não são mais que caricaturas.