Pois. O que se passa é que há bocado vou ali à caixa de correio e encontro lá dentro lá um CD que diz, na capa: "Não pode ser vendido. É uma oferta em nome de Jesus Cristo".
Nunca me passaria pela cabeça vendê-lo - imagino os advogados que Cristo não tem, se a ASAE me apanhasse a vender este CD na Feira da Ladra. Mas gostei da ideia de que isto é "uma oferta em nome de Jesus Cristo". Consigo imaginá-lo a imprimir capinhas e a meter CDs lá dentro, mas, de facto, não o consigo imaginar a andar aqui pelo bairro a enfiar CDs dentro das caixas de correio. Isso ia dar que falar, quanto mais não fosse porque alguns vizinhos meus desconfiam de indivíduos barbudos e de cabelo comprido. "De certeza que é drógado", diriam alguns.
Penso, portanto, que Jesus contratou uma empresa de estafetas para distribuir esta oferta em nome dele. Fez bem. Aliás - fazer bem é o que se espera do Senhor.
Jesus pede-me que não venda o CD, mas não se importa que eu faça cópias. Diz aqui: "Por favor faça cópias e ofereça ao seu próximo". Tentei oferecer algumas aos meus vizinhos, mas todos eles tinham já uma. Azar. Pelo menos tentei. Talvez a minha missão seja pôr isto no eMule. Não sei. Sei que ainda não ouvi o CD. Analisei a capa e a superfície do disco propriamente dito:
Esplêndido arranjo gráfico, com uma cabaninha à beira de um riacho e a fotografia do vocalista deste CD, o Padre Adelino de Sousa, que parece Albert Einstein - Albert Einstein se tivesse sido injectado com tranquilizantes e penteado. Aliás, é possível que fosse essa a única maneira de pentear Einstein.
Inquieta-me um pouco que esta edição do CD seja a "nº 509". Sucede que vivo nesta casa há três anos e este é o primeiro que recebo. Se a periodicidade for esta - um novo CD a cada três ou quatro anos - constatamos que a Missão Pentecostal Assembleia Cristã deve ter lançado o nº 1 ainda em vinil, o que devia dificultar brutalmente a tarefa de enfiar os discos na caixa do correio (ou então os oradores falavam menos, e era sob a forma de single). Possivelmente acabaram por render-se às cassetes.
"O que fazer após o arrebatamento da Igreja?" - é uma boa questão. Por acaso ainda hoje ao pequeno almoço, entre uma dentada num croissant misto e um golo de sumo de maçã, me passou isso pela cabeça. O que fazer? Uma Igreja arrebatada deve ser um desassossego. Os sinos a tocar a horas impróprias, e isso. Quando acabar hoje o trabalhinho vou ali sentar-me no sofá a tomar um Ginger Ale e a ouvir esta obra. Depois digo qualquer coisa.
Será que o Padre Borga vai passar a ter concorrência, mas daquela à séria? Hmm.. A ver!!
Grande abraço Markl.
PS - Tens mesmo de partilhar isso connosco!! Se cumpres a parte do "não vender", tens de cumprir a outra do "faça cópias" ;) De qualquer forma, acho engraçado pensar que Jesus tenha imaginado alguem a querer vender essa "obra"..