
Respondi ao desafio do Jorge Reis Sá, editor do Porto, para me juntar a um vasto elenco de autores que ia de Sérgio Godinho a Rita Ferro Rodrigues, escrevendo histórias originais para crianças. A minha estava engavetada há anos e foi escrita não para o público infantil, mas num registo algo devedor do Terry Gilliam e do filme O Rei Pescador. Nunca pensei bem se aquela história funcionaria melhor em filme, em telefilme ou em livro, e nunca pensei que acabaria transformada num livro infantil, mas acabou por ser uma solução nada forçada. D. Sebastião reaparece numa manhã de nevoeiro – em plena 2ª Circular, rodeado de carros por todo o lado – e um miúdo leva-o para casa, numa fábula com o seu quê de E.T. As ilustrações da Joana Quental são belíssimas. Fazer este livrinho fez-me pensar que é disto que quero viver um dia: escrever fábulas para crianças espertas e adultos com pouca vontade de crescer.