Correio da Manhã Rádio A encomenda que me foi feita pelo Rui Pego, director da rádio: criar um programa semanal de 25 minutos onde apresentava os produtos da estação. Com resumos de programas, excertos, entrevistas com os autores – tudo feito de maneira criativa, apelativa. Eu sonhava em fazer um programa de humor na rádio, e por isso, juntamente com a equipa que foi formada para o Prok Der & Vier (o Pedro Ribeiro, o Miguel Vital, o Luís Miguel Pereira e o Nelson Pereira), consegui sabotar o conceito inicial – sabotar com meiguice, bem entendido – ao salpicar os momentos entre cada promoção de programa da rádio com “sketches”. Lentamente, o número de “sketches” foi aumentando e a promoção aos programas foi sendo cada vez menor. No final, só havia “sketches”, cada um mais demente e inexplicável que o outro, e uma radionovela chamada A Saga de Abílio Mortaça, o Vendedor de Enciclopédias Que Descobriu o Sentido da Existência. Fazíamos a festa, deitávamos os foguetes e quando criávamos passatempos para testar a adesão dos ouvintes, tínhamos de ser nós a ir ao supermercado e, com o nosso dinheiro, comprar os prémios (geralmente, cassetes VHS com os filmes do momento). Tínhamos cerca de seis fieis ouvintes.