
E pronto. Em 1997, e depois de ter assinado programas para minorias, criei, sem dar por isso, o meu “blockbuster” radiofónico. O Homem Que Mordeu o Cão arrancou timidamente no novo Programa da Manhã da Comercial (com o Pedro Ribeiro, a Ana Lamy e o José Carlos Malato), num tom estranhíssimo e que não era exactamente de comédia. Se ouvirem hoje uma das primeiras edições radiofónicas do Cão é incrível o tom sério e mole (talvez por vir de horários nocturnos e de fim-de-semana?) com que eu falo das notícias mais escabrosas. Penso que, inicialmente, eu ainda achava que estava com um pé na informação, mas eventualmente acabei por assumir que O Homem Que Mordeu o Cão era uma rubrica de humor e não se fala mais nisso. Ao fim do primeiro mês fui surpreendido pela quantidade de e-mails, cartas, telefonemas. A interacção com os ouvintes era incrível: se eu lançava uma campanha para salvar a colher de pau, chegavam dezenas e dezenas de solidárias colheres de pau, nos dias seguintes, enviadas pelos ouvintes. Quando a Lamy e o Malato decidiram aceitar o convite do Luís Montez e ir para a Antena 3, em 2002, continuámos a fazer o Programa da Manhã, agora com a Maria de Vasconcelos, e explodimos para os livros, o teatro, a TV, com um daqueles sucessos tão inesperados, gigantescos e indescritíveis que temos a consciência de que nunca mais se repetirão. No auge do êxito, a nova direcção das rádios do grupo Media Capital decidiu retirar-nos da rede nacional da Comercial e colocar-nos na Best Rock, com emissores apenas em Lisboa e no Porto. São opções. Como é óbvio, a popularidade d’ O Homem Que Mordeu o Cão veio por aí abaixo. Era natural que isso acontecesse, mais cedo ou mais tarde… mas tanto eu como a Maria e o Pedro temos a certeza que, seguindo a coisa um rumo natural, poderia ter acontecido um pouco mais tarde…