Este foi um dos programas de comedia mais arrojados que as Produções Fictícias fizeram – talvez demasiado arrojado e alternativo, tanto assim que a direcção da SIC deu-lhe com o machado antes de exibir todos os episódios. O que foi inicialmente uma pena, uma vez que, dentro da loucura e do arrojo que demos a este programa, o último episódio continha algumas das loucuras arrojadas mais inspiradas que fizemos, nomeadamente a ideia de irem dois “men in black” da SIC fechar o prédio do Zé Manel Taxista e os argumentistas começarem a apagar as personagens dos guiões do programa. O espanto de Zé Manel enquanto os membros da família e os vizinhos vão desaparecendo em nuvens de pó, à sua volta, é impagável. É também neste programa que está um dos “sketches” que me orgulho mais de ter escrito – é dos tais que ficou, na imagem, tal e qual como eu o imaginei: aquele em que um eficaz funcionário da empresa Ar de Portugal (interpretado pelo Nuno Lopes) vai a casa da Maria Rueff, transformada em dona de casa de ar oprimido, para lhe cortar o ar, uma vez que ela se atrasou no pagamento. Ficaram maravilhosas as imagens do Nuno Lopes desaparecendo todo contente no horizonte, enquanto a dona de casa Rueff fica a estrebuchar no “hall” da sua casinha. Felizmente, o Francisco Penim resgatou este programa e exibiu-o na íntegra na SIC Radical, tendo depois o Ricardo Palacin, director da SIC Comedia, exibido o programa uma segunda vez nesse canal.