Contra todos os meus receios, a TVI deu-me a mim, ao Pedro Ribeiro e à Maria de Vasconcelos liberdade total para expandir o universo do Cão depois da rádio, dos livros e do espectáculo teatral no Villaret (e depois, pelos caminhos de Portugal).
Foi pena não termos mais orçamento para criar “sketches”, mas ainda assim fizeram-se alguns orgulhos – sobretudo na terceira série, quando tivemos o veterano Fernando Ávila como realizador, homem com uma sensibilidade rara para compreender a comédia televisiva (ou não tivesse ele, nos anos 80, assinado a realização de uma das obras-primas do Herman, Crime na Pensão Estrelinha). Era dramático fazer, em directo, um programa que terminava às duas e tal da manhã (tendo eu que acordar, no dia seguinte, às 6 e meia da manhã, para ir para a rádio!). Mas está cheio de boas recordações, como o elenco que reunimos para as rábulas e que incluía a Joana Capucho, a Teresa Tavares, o Francisco Palma, o Eduardo Madeira e o João Quadros.