É claro que fico triste que a SIC Comédia saia da TV Cabo. E sentirei dolorosamente a falta do Late Night With Conan O'Brien. Fico triste, acima de tudo, que nunca tenha havido um investimento maior da empresa para fazer da SIC Comédia aquilo que ela deveria ter sido: um lugar para exibir séries de comédia inglesas e americanas, sim senhor, mas com espaço para ser o nosso pequeno Comedy Central, um local capaz de congregar os mais diversos criadores de comédia portugueses e pô-los a fazer séries, especiais, etc. Faço daqui a minha vénia e envio o meu abraço ao Ricardo Palacin, director da SIC Comédia, que várias omoletes ainda conseguiu fazer sem ovos!

Terei sempre muito boas recordações da SIC Comédia, mas para sempre ficarei com esta sensação de oportunidade perdida que este canal acabou por ser. Não por falta de vontade e de empenho de quem lá deu o litro dentro, mas porque várias vezes senti que ele foi tratado como um mero enchimento de chouriços, quando, com um pouco mais de dinheiro investido, poderia ter sido uma referência de culto.

Ainda não perdi a esperança de que, um dia, a SIC Comédia renasça como era suposto ser!


A sessão de autógrafos é às 10h30 nos Cinemas Lusomundo Vasco da Gama; a sessão do filme propriamente dito é às 11 da manhã.

Achei que teria algum interesse explicar um pouco de todo o processo para dar voz ao Spike. De maneiras que fiz este videocast.






Inesperadamente fria, a reacção generalizada dos críticos portugueses a Borat, filme corrido maioritariamente a uma, duas estrelas, e com uma bola negra oferecida por um crítico por quem tenho grande respeito pessoal e profissional e que não esperava que escrevesse as palavras que escreveu. O João Lopes define o filme como uma nulidade cinematográfica que não passa de uns meros "apanhados da TV". Borat é tão claramente mais do que isso, que escrever uma observação daquelas soará sempre a uma azeda injustiça e manipulação. Pode não se gostar do humor de Sacha Baron Cohen (como todo o humor que fica para a História, gera paixões e ódios), mas voltamos a uma certa absurda manipulação da realidade para fins de destilamento de ódio, o tipo de coisa que lemos em algumas críticas musicais de João Lisboa (voltamos à famosa comparação que João Lisboa fez entre o Guero de Beck e os discos mais recentes de Sting, dizendo que é o mesmo tipo de coisa).

Fico sempre razoavelmente deprimido com o assustador preconceito da crítica portuguesa no que toca a comédia. E, não me lixem, ele existe, de facto. Se repararem bem - e salvaguardando algumas excepções que não têm medo do humor (estou a pensar em críticos como o Manuel Cintra Ferreira, o Eurico de Barros, o Rui Pedro Tendinha, o Jorge Mourinha ou o Rui Brazuna), por muito boa e plena de prestígio que seja uma comédia - estou a pensar em Little Miss Sunshine, por exemplo - e por entusiástico que seja o texto de determinado crítico, a equivalência "estelar" (que, quer-se queira, quer não, é aquilo para onde as pessoas olham, imediatamente) será quase sempre tímida. Duas, três estrelas. Há claramente um terror de ser mãos largas com a comédia, por muito reconhecidamente inteligente que ela seja, por muito que ela arranque gargalhadas a quem escreve, durante os visionamentos. É, aos olhos de muita gente que escreve sobre cinema, um género menor. Quase como se ficasse mal ser demasiado expansivo com um produto de humor. Até o clássico Dr. Strangelove, de Kubrick, foi sovado recentemente no Público por Mário Jorge Torres (ele chamou-lhe "um clássico para quem não se lembra dos clássicos"), a propósito da estreia do filme Eu, Peter Sellers.

Voltando a Borat coloca-se, uma vez mais, a questão: o facto de, por todo o mundo, a crítica de cinema elogiar entusiasticamente esta espécie de revolução cómica (estou a falar, é claro, em traços gerais; é evidente que haverá entre os críticos de todo o mundo quem odeie o Sacha Baron Cohen e tudo o que ele faz e representa) e de, em Portugal, raros serem - até ao momento - os críticos realmente entusiasmados com o filme, significará exactamente o quê? Que os nossos críticos é que viram a luz? Ou, simplesmente, que Portugal é um caso perdido de incapacidade dos críticos de saberem distinguir entre uma boa e uma má comédia?

Pela parte que me toca, é um orgulho ter uma frase no poster do Borat. Acredito mesmo que se vai falar deste filme daqui a muitos anos e que é uma genuína revolução na linha dos Irmãos Marx, do Dr. Strangelove do Kubrick ou d' A Vida de Brian dos Monty Python. Lamento estar a disparar o "hype" para píncaros dos mais extremos. É sabido que, quando o "hype" é grande, a desilusão é quase sempre garantida (nem sabem a quantidade de amigos meus que me tem dito "eh pá, depois do que tu disseste e escreveste eu ia à espera que fosse muito melhor!"), mas a verdade é que me ri como há muito não me ria e fiquei maravilhado perante as barreiras que se quebram na comédia cinematográfica e que me fazem pensar num a.B e d.B (antes de Borat e depois de Borat). Lamento se vos desiludir, mas para mim é um dos melhores filmes do ano e lá estará no meu top 10...




Estava eu hoje a almoçar com a equipa dos tempos canídeos e a chegar à conclusão que em 2007, O Homem Que Mordeu o Cão faz 10 anos. Foi em Outubro de 1997 que a rubrica começou, na Rádio Comercial, e foi vê-la durar até 2004, entre emissões de rádio, livros, espectáculos no Villaret e nos teatros pelo país fora e o programa de televisão. Foi uma época inesquecível, excessiva, feliz e tortuosa, tudo ao mesmo tempo. E não só mudou as nossas vidas (minha, da Maria e do Pedro, e antes também do Malato e da Lamy) como ainda serviu de palco a primeiras experiências de stand-up e de maior exposição pública de gente com um talento avassalador como o Ricardo Araújo Pereira, o Zé Diogo Quintela, o Aldo Lima, o João Quadros, a equipa das Manobras de Diversão (Marco Horácio, Bruno Nogueira, Manuel Marques, Carla Salgueiro, Sofia Grillo, Sandra Celas) entre outros. Foi, de facto, do caraças. Mesmo que, para o fim, eu já não aguentasse ver o boneco com o cão na boca à frente e que me fosse já difícil ouvir as pessoas a chamarem-me "olha o Homem Que Mordeu o Cão!" (na verdade, passado todo este tempo, isso ainda acontece!), hoje consigo encarar esse stress da sobrexposição com tranquilidade. Estou em paz com o Cão!

Ressuscitar o Cão, seja em que formato for, não está nos nossos planos, nem tal faria sentido. Mas lá que se esboçou ali uma vontade de assinalar o 10º aniversário com um evento único, especial, isso esboçou-se. Não fazemos bem ideia de como é que isto poderá ser, mas o impacto que teve nas nossas vidas e nas vidas de quem ouvia, merece que a gente não deixe passar a data em branco. Ainda falta um bom bocado para Outubro do ano que vem, mas o tempo passa num instante. Ideias dos fãs de longa data serão bem vindas...


Permitam-me que diga que o primeiro pouso da net onde fiz um blog, há uns belos dois anos, é a maior pilha de estrume fumegante e repleto de vermes cancerosos que já alguma vez conspurcou a rede. Constatei hoje que os imbecis apagaram o meu blog nunomarkl.textamerica.com. Compreende-se: o blog estava parado há imenso tempo. No entanto, não teria custado nada aos estupores enviarem um e-mailzito dizendo "desculpe lá, mas como o seu blog está inactivo, vamos ter de o apagar no prazo de x dias". O suficiente para eu recuperar textos, fotos, videos que lá fui deixando ao longo de todo aquele tempo. Que diabo, eu cheguei a pagar o serviço deles! Não se justifica a atenção? Serve então este meu post para declarar a triste morte do meu primeiro blog. Uma morte sem nada de natural - deram-lhe um tiro e fizeram desaparecer o corpo, à boa maneira mafiosa. É assim que eles funcionam, e é por isso que vos digo para fugirem desse antro como o Diabo da cruz.

Quando penso em tudo o que lá tinha...

PS - Fui lá agora em busca de uma explicação junto do "support". Belo: o link da ajuda técnica não funciona...




O bisneto de Eça de Queiroz, António Eça de Queiroz, lança esta semana o livro Eça de Queiroz e Seus Clones, um estudo da vida e a obra de Eça e o impacto que ela tem hoje em dia, bem como as controvérsias em torno de projectos como o recente filme O Crime do Padre Amaro. Muito me honra que o António Eça de Queiroz, a quem agradeço os e-mails simpáticos que me enviou, tenha escolhido, como uma das ilustrações deste livro, um dos meus cartoons do Há Vida em Markl do Inimigo Público, em que Eça regressa à vida para ver a nova versão do Crime. O lançamento do livro é na 5ª feira, na Livraria Bulhosa do Campo Grande, às 18h00.


A vossa atenção para estes dois spots televisivos que o Aldo Lima fez e que nunca irão passar na televisão. O conteúdo foi considerado duvidoso - ligar a "família" (no sentido "cosa nostra" do termo, mas também no sentido normal) a uma conhecida cadeia de supermercados é o tipo de coisa para a qual Portugal ainda não está preparado. O que é uma pena, porque da performance do Aldo à realização e montagem com cuidado de ourives, estes dois anúncios não ficam em nada atrás aos melhores anúncios que passam nas TVs americanas ou britânicas. É pena Os Sopranos estarem a acabar, porque me quer parecer que o David Chase ainda arranjava emprego para o Aldo, se o visse na pele desta espécie de mistura de todos os maiores mafiosos do cinema.






O Marco Horácio foi hoje às Manhãs da 3 apresentar o disco novo do seu alter-ego, o fadista Rouxinol Faduncho. Chama-se Best On e tem um belo e singelo spot televisivo, um dos melhores - senão o melhor de sempre! - na categoria de spots com pensionistas.



O Horácio gravou ainda o seu "cameo" numa das próximas edições d' O Livro dos Porquês. Ele brilhará no papel de Cão Tarado (gosto assim, com letra grande no princípio de cada palavra) na edição que responde à pergunta Porque é Que os Cães Se Agarram Às Pernas das Pessoas?. Ficai atentos, que é uma belíssima performance.

PS - Não param de chegar e-mails e comentários de ouvintes d' O Livro dos Porquês pedindo-me que disponibilize aqui no site a versão integral da esplendorosa e viciante Canção dos Porquês que o David Fonseca compôs para o genérico da rubrica. Tanto eu como o David gostaríamos de disponibilizar a música ao mundo, mas por compreensíveis questões contratuais de direitos ligadas à editora dele, tal não é possível de momento. Um dia arranjar-se-á uma solução para possuirem esta obra... Até lá, pede-se a paciência aos ouvintes e agradece-se o "feedback" entusiástico que têm enviado. Um fortíssimo obrigado!


Vi Magnolia num visionamento matinal, duas semanas antes da sua estreia, nos idos de 2001. Tinha adorado Boogie Nights, de Paul Thomas Anderson, e todas as referências ao seu novo filme eram entusiásticas, incluindo as que diziam mal. Acho que é sinal de que se está perante um filme especial, quando as críticas que dizem mal prestam precisamente o serviço oposto ao esperado e levam um leitor a ficar histérico de vontade para ver o filme. As críticas boas referiam influências de Robert Altman (o tal filme-mosaico-de-personagens), mas nada me preparou para o incrível murro no estômago que era Magnolia. Um murro bom, porque este foi daqueles filmes que, ia ele a meio, e eu já a tinha a certeza de que teria de o rever pouco tempo depois, urgentemente.

Estão lá nobres influências, estão lá as várias histórias em simultâneo à Altman. Mas quando P.T. Anderson leva as suas personagens ao ponto de ruptura e ao dramático fim de um ciclo nas vidas de todas elas e o marca com um número musical, aí caiu-me tudo ao chão - incluindo uma lágrima ou outra, que isto de um homem não chorar é um conceito um bocado relativo. Mas pronto, posso dizer que chorei à homem, mantendo a compostura e esperando que as pessoas em meu redor pensassem que estava com comichão na vista.

Graças ao milagre do You Tube, esse momento gigante, inesquecível, em que toda a gente no filme canta, amarguradamente, Wise Up, de Aimee Mann, pode agora ser apreciado aqui no estaminé.



Depois disto, chovem sapos. Um realizador conseguir fazer, em 2001, num melodrama, um número musical seguido de uma chuva de sapos e conseguir, com isso, emocionar-nos - ora aí está a prova da grandiosidade do amigo P.T.




Agradeço ao Jorge M ter-me lembrado deste acontecimento. Eu já conheço a primeira série de Extras de trás para a frente e de frente para trás, cortesia do excelente DVD da BBC que saiu há uns meses (e que também teve uma edição portuguesa da Prisvideo que, se não me engano, foi um exclusivo das FNACs) mas para quem ainda está virgem nesta segunda obra de Ricky Gervais (a primeira foi a obra-prima The Office) preparem-se para seis domingos de comédia de luxo, com Gervais entregando-se a uma personagem bem diferente do patrão David Brent. Andy Millman, o seu figurante profissional com sonhos de ser um grande actor, é uma personagem surpreendentemente "séria" e com alguma tristeza na alma (Brent também a tinha, mas sepultava-a por baixo de camadas e camadas de negação), o que não impede que Extras seja uma hilariante sátira aos bastidores do cinema e da televisão e mais um estudo preciso e bem observado sobre a espécie humana. Se não vos apetece gastar dinheiro no DVD, pelo menos gravem a série, toda. Contém alguns "cameos" preciosos, como os de Ben Stiller, Samuel L. Jackson ou Kate Winslet, e é mais um daqueles monumentos de comédia para recordar pelo futuro adentro. É às 23h15, na 2.




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Olhem para o que eu ando a fazer
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(o clube de fãs no Facebook)

PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
(site do programa)

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