Para acalmar os ânimos. Esta está na minha lista de discos para uma ilha deserta. Em tempos deixei aqui um mp3 disto; agora deixo o video de uma actuação ao vivo. Senhoras e senhores, os espantosos The The (que é como quem diz, Matt Johnson) e esta coisa linda chamada Uncertain Smile.



Do disco Soul Mining (1983), um dos melhores álbuns de sempre. Para mim.


... e essa foi a minha deixa para parar de os aprovar. Apaguei todos, sejam de opiniões anti-Bruno ou anti-Quadros ou de opiniões pro-Bruno ou pro-Quadros. Percebi que isto ia descambar para um processo cansativo e interminável de "tu és isto", "tu és aquilo", e na qualidade de gajo que está por trás deste blog, anuncio aqui o ponto final na guerra. Não aprovo nem mais um comentário seja de que facção for, naquele tópico. Cada lado deixou a sua opinião bem expressa e a vida continua, que todos temos mais que fazer. Haverá aí quem não goste? Quem ache que é censura? Se calhar é; se calhar, e apesar de eu ter muito respeitinho e admiração pela democracia, aqui dentro apetece-me às vezes ser um Saddam. Só espero que não me enforquem, porque tenho o pescoço sensível: se as camisolas de gola alta já me fazem impressão, imagino aquelas cordas. Livra!

Um leitor dizia-me que, ao defender o Bruno e o Quadros, "espezinhas leitores teus que, na minha opinião, não foram malcriados". Bom, espezinhar parece-me um verbo um bocadinho extremo, não será? Se alguém se sentiu espezinhado pelas minhas palavras, é uma flor de estufa. E tradicionalmente, eu - sendo caixa de óculos e tudo - sou suposto ser a única flor de estufa neste estaminé. Não quero cá concorrência de outros totós, pá.

Como disse, não contesto gostos - contesto injustiças. E penso que eu também não fui malcriado, fui simplesmente firme como deve ser quem se atira a fazer a defesa não só de amigos, mas, acima de tudo, de pessoas por cujo trabalho tenho um enorme respeito. Junte-se a isso o facto deste blog se chamar Há Vida em Markl - sendo que Markl sou eu e a minha vida é feita das minhas opiniões e visão do mundo - e penso que isso me dá alguma autoridade para, nesta casa, defender aguerridamente quem me apetecer, embora os visados possam perfeitamente defender-se por si.

(Já agora, quem quiser um site desprovido de opiniões, conflito e espezinhanço do leitor, tem aqui este.)

Agora façamos as pazes e deixemo-nos de merdas. A vida é curta (como o provou, tragicamente, nos últimos dias, a morte da Leonor) e parece-me uma perfeita estupidez - para além de um atestado do quão deprimentes são, afinal, as nossas vidas - estarmos aqui infinitamente a trocar renhónhós que não vão a lado nenhum.


No meio de toda aquela discussão lá em baixo sobre o espectáculo do Bruno, alguém proferiu o nome do colunista social Cláudio Ramos e hoje li uma coisa gira num jornal sobre ele, o que me parece um bom pretexto para, pela primeira vez na História deste blog, ser aqui publicada uma belíssima foto do Cláudio:


 

Em declarações ao 24 Horas, Cláudio Ramos diz que não pode com os Gato Fedorento porque não gosta de pessoas que "gozem por gozar" - uma declaração que, é, de facto, um bom motivo para gozar. Seja como for, parabéns aos meus caros Gatos pelo ódio do Cláudio. Também eu já passei por isso: para quem não sabe, em tempos ele declarou que eu e o Fernando Alvim devíamos ser proibidos de fazer televisão, naquele que foi um dos dias mais felizes da minha vida - e também uma fortíssima motivação para eu continuar, de facto, a fazer televisão. Não é que eu tivesse assim tanta vontade de fazer (que não tinha!), e peço desculpa às pessoas simpáticas e decentes que não gostam de me ver na TV por ter continuado a aparecer - mas a partir do momento em que o Cláudio disse isto, compreendam-me: eu tinha mesmo de continuar. A culpa é dele! A culpa é dele!


Um dos presentes natalícios que dei à Sra. Markl foi a série Planet Earth, da BBC, que ela estava em pulgas para ver. O hype à volta disto, em Inglaterra, é avassalador mas é justificado: Planet Earth (que penso ter sido comprada pela RTP para exibição em Portugal) veio rejuvenescer um tipo de programa onde parecia que já estava tudo inventado: o clássico documentário sobre a natureza. Planet Earth é uma espécie de BBC Vida Selvagem vezes 1000, cortesia de um punhado de técnicas de filmagem nunca antes usadas. Não só a equipa que está em terra filma a vida selvagem e a paisagem com uma estética mais próxima do cinema que da televisão, como existe uma equipa no ar fazendo uso de uma câmara de altíssima definição acoplada aos helicópteros, capaz de filmar vastíssimas extensões de terreno (penso nunca ter visto tantos animais juntos num mesmo plano) como de fazer zooms pormenorizados a uma ou outra criatura que esteja lá em baixo. E tudo com uma fluidez impressionante - se há steadycam que é realmente steady, é esta.

Só pela estética, já vale a pena ficar viciado em Planet Earth como se de um Lost se tratasse; mas a verdade é que nunca as histórias da vida selvagem foram abordadas com a intensidade desta série. Se duvidam, assistam a esta espantosa sequência de Planet Earth (devidamente narrada pelo lendário David Attenborough, que deve andar pela casa dos 255 anos mas continua com extrema credibilidade), extraída logo do primeiro episódio. E imaginem que a estão a ver num ecrã maiorzinho, ó faz favor.




 

Eu tinha de falar sobre isto, porque a coisa está a tomar proporções tão bombásticas que eu próprio estou com vontade de inventar maneiras de estourar comigo próprio. Três frequentadores deste estaminé, respondendo à minha observação de que tenho algum gosto em ser insultado - mas insultado como deve ser, nada daquelas coisas básicas do estilo "és roto"! - criaram um blog onde se entretêm, quais Wile E. Coyotes para este Road Runner que sou eu, a traçar planos para acabar comigo. Há lá belíssimas ideias para o extermínio de Markls e faço-lhes a minha vénia - embora correndo o risco que eles me decapitem enquanto eu estou com a cabeça para baixo. O blog em questão fica aqui.


E se ainda não viram, tomem lá o cartão de Boas Festas virtual que o David Fonseca fez este ano. Isto começa a tornar-se numa bela tradição (o ano passado foi o Silent Night). David, daqui a uns anos já vais ter material para fazer o teu próprio disco natalício à Sufjan Stevens!...



Boas festas!


 


Ainda me lembro quando o irmão Scott que valia a pena seguir era o Ridley. Ridley era o irmão cool, respeitável (ou não tivesse feito uma obra-prima chamada Blade Runner e outra chamada Alien, entre outras maravilhas) enquanto Tony era o irmão que, apesar de ter começado a carreira com um filmaço chamado Fome de Viver, romance vampiresco com David Bowie e Catherine Deneuve ao som dos Bauhaus, se tinha perdido em entretenimento leve como Top Gun (que uma reavaliação, como eu disse aqui há uns meses, transforma num pedaço de cinema-espectáculo muito saboroso), O Caça Polícias II ou Vingança. Não há dúvida que entretanto as coisas inverteram-se. Enquanto Ridley faz coisas como G.I. Jane, O Reino dos Céus ou esta última comédia romântica envolvendo o Russell Crowe e vinhos, o mano Tony continua a fazer loucas experiências no seio do Sistema. E às tantas começamos a questionar-nos se alguma vez Ridley conseguiria fazer um Amor à Queima-Roupa, um Inimigo Público, um Jogo de Espiões ou um Domino. Deja-Vu é esteticamente mais bem comportado do que as últimas aventuras de Tony Scott. Sobretudo depois de Domino, filme que é, literalmente, uma trip, e de Homem em Fúria, com a sua montagem caótica e os seus pedaços de diálogo a surgirem escritos pelo ecrã como num "comic book" demente, é evidente que o produtor Jerry Bruckheimer lhe explicou que a ideia, aqui, é fazer - como é que se diz?... - dinheiro. Deja-Vu é um blockbuster: gigantesco, esbanjador, explosivo. Sem demasiados truques malucos de montagem, som e grafismo. Mas, essa é que é essa, bastante imaginativo. E sem medo de parecer ridículo, porque sabe que qualquer premissa rebuscada pode tornar-se credível se (e agora vou falar por tópicos, o que também dá sempre muita credibilidade): A) For servida por uma interpretação brilhante e humana de Denzel Washington; B) Tiver por trás suficiente trabalho de casa dos argumentistas para, em toda a aparente falta de lógica daquele conceito, aquilo funcionar. E isso está lá tudo. Numa Nova Orleães do pós-Katrina, um atentado bombista faz explodir um ferry boat cheio de gente. Denzel Washington, agente que parece ter chorado tudo quanto havia por chorar pelos entes queridos perdidos no Katrina, decide investigar o caso a partir de um dos corpos - o de uma bela mulher que, após análise forense, parece não ter morrido no atentado. Quando visita a casa da vítima, encontra no frigorífico a enigmática mensagem: "U CAN SAVE HER". Contar mais é capaz de estragar as surpresas, mas digamos que esta investigação muito pouco ortodoxa leva Denzel a usar a máquina mais delirante que o cinema americano inventou nos últimos anos, e que faz com que Deja-Vu arranque como um thriller normal, quase um episódio de CSI, e, de repente, se transforme numa deliciosa história de ficção científica, completa com viagem no tempo e a teoria de que passado, presente, futuro - tudo está a acontecer em simultâneo. É só preciso arranjar maneira de encontrar transporte para ir de uns sítios para os outros. Deja-Vu requer uma boa porção daquilo a que os anglo-saxónicos chamam "suspension of disbelief" (será um bocado patético estar no cinema a gritar "isto é uma fantochada", "isto é impossível", porque não há ninguém que tenha mais noção da loucura do conceito do que os seus autores, que põem todas essas reacções de espanto, de maneira muito divertida, na boca de Denzel Washington!), mas acaba por funcionar muito bem e até por conseguir passar ao espectador, sem lamechices, a angústia de um homem de Nova Orleães que sentiu na pele o que é a perda e que corre literalmente contra o tempo para que ela não volte a acontecer. Junte-se a isto uma interpretação extraordinária de Jim Caviezel (esse mesmo, o Cristo!) como psicopata assustador e uma das melhores utilizações que o cinema já deu a uma canção dos Beach Boys - precisamente esta pérola... ... e temos filme, sim senhores.


A cobertura do Orgasmo Global foi o 51º video de comédia mais visto hoje no You Tube:


  Hurra! Hurra! Hurra!


 


Foi preciso darem-me as quatro primeiras temporadas de Smallville (obrigado, Anne!) para descobrir a série de Alfred Gough e Miles Millar sobre os anos "teen" do Superhomem. Talvez por preconceito (eu acuso os outros disto, mas também tenho, de vez em quando...), a série nunca me seduzira - a verdade é que apenas vira fragmentos de episódios aqui e ali e fiquei com a sensação de que não era tanto uma válida expansão da mitologia do Superman, mas mais uma espécie de Buffy sem Joss Whedon aos comandos. Enganei-me. Não sendo arte (arte em televisão é Os Sopranos), Smallville é entretenimento popular divertido, feito com nítido amor à BD e cheio de piscadelas de olho ao que será o futuro daquelas personagens, nomeadamente de Clark Kent e Lex Luthor. Há uma mitologia a ser construída ali, com algum detalhe e gosto, fazendo uso do tipo de continuidade que Joss Whedon trouxe para a ficção televisiva: pequenos pormenores de episódios são referenciados noutros episódios, recompensando a atenção do espectador e reforçando a ideia de que Smallville é um universo vivo e coerente. E se de vez em quando a série se deixa seduzir pelo popularucho (não havia necessidade de usar Hero, de Enrique Iglesias, na banda sonora... sobretudo quando as personagens, em episódios anteriores, manifestam a sua admiração pelos Radiohead!), também é verdade que sabe bem ver Clark e Lana falarem sobre essa obra-prima da literatura e da sátira que é Uma Conspiração de Estúpidos, de John Kennedy Toole, sem que a referência pareça metida a martelo. Em suma: fiquei agarrado. Sim senhor que tem um lado de "guilty pleasure", como toda a série protagonizada por jovens criaturas impossivelmente bonitas (e que bonita é a Kristin Kreuk, que faz de Lana Lang), mas tem também um lado nobre de reinvenção de um mito e também dos lugares-comuns do conceito "monster-of-the-week": tal como nas séries de Joss Whedon, os cromos sobrenaturais sempre diferentes nos quais se centra cada episódio (a moça complexada com a gordura que acaba por se transformar numa estranha espécie de canibal, o rapaz de gelo, a rapariga que de tanto invejar o êxito das mais populares acaba por se transformar num camaleão humano) são eficazes e ocasionalmente brilhantes metáforas às angústias da juventude.


Pedi aos meus colegas da Antena 3 que tentassem fazer jus à importância do evento e que fizessem o amor na cabine ao lado, sem tabus. Como poderão constatar, eles têm formas inovadoras de o fazer (ou então, se é assim que o fazem nas suas casas, alguém tem de lhes ensinar uma ou duas coisas), mas penso que conseguiram atingir o climax em simultâneo - e isso é o que interessa. O mundo, se repararem bem, está muito mais pacífico desde as 15h. Ou não?



Um sonoro obrigado ao grande DJ Guga pela produção sonora deste evento inesquecível. Ele será em parte responsável pelo "baby boom" que se fará sentir de hoje a 9 meses. Em termos de cantigas para a procriação, os REO Speedwagon não falham, pá. Não falham.




Conversetas
Clique aqui para entrar onde pessoas giríssimas se juntam em amena tertúlia.
Arquivos
2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


2004:

 J F M A M J J A S O N D


2003:

 J F M A M J J A S O N D


2002:

 J F M A M J J A S O N D


2001:

 J F M A M J J A S O N D


2000:

 J F M A M J J A S O N D


1999:

 J F M A M J J A S O N D


1998:

 J F M A M J J A S O N D


1997:

 J F M A M J J A S O N D


1996:

 J F M A M J J A S O N D


1995:

 J F M A M J J A S O N D


1994:

 J F M A M J J A S O N D


1993:

 J F M A M J J A S O N D


1992:

 J F M A M J J A S O N D


Olhem para o que eu ando a fazer
Caderneta de Cromos - 2ª a 6ª feira, 8h45 e 9h45
(o clube de fãs no Facebook)

PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
(site do programa)

Tudo na Rádio Comercial
Pesquisar
 
Texto e cartoons © 2008 Nuno Markl
Design Patrícia Furtado