A minha existência andava pacata - basta pensarmos que o acontecimento mais marcante dos últimos dias foi a morte do meu comando à distância e a sua troca por um espampanante e caro comando universal. Finalmente, algo de realmente impressionante acontece na minha existência. E felizmente eu tive a coragem de pegar na minha câmara e ir ver de onde vinham os ruídos mais estranhos e arrepiantes que me lembro de ouvir nesta casa. NOTA: Este video não é, definitivamente, aconselhável a pessoas mais sensíveis*. *Pessoas, no fundo, que apreciem poesia, passeios no campo e o inebriante e mágico aroma de uma flor na Primavera.
É sempre interessante quando o ouvinte revoltado acusa um autor de comédia de maldade, quando a maldade está apenas e só na mente do ouvinte revoltado. É a prova viva de que tínhamos razão quando escrevíamos as diatribes do Diácono Remédios. O conceito do Diácono era precisamente o de um homem, supostamente defensor da moral e dos bons costumes, que via leituras terríveis nas mais pequenas e inocentes coisas. Ontem alguém assim escreveu para a RDP.
O que aconteceu foi que um ouvinte irado escreveu um e-mail de protesto sobre a referência que fiz a Cabeceiras de Basto na edição d' O Livro dos Porquês. E apresentou queixa de mim ao Provedor da RDP e tudo. Permitam-me que vos transcreva o momento em que falo de Cabeceiras de Basto na edição d' O Livro dos Porquês:
Pouca gente sabe disto, mas o primeiro comando à distância surgiu em Portugal, em 1972. O primeiro comando à distância chamava-se... Maria Elisabete Meirinho e era uma senhora de 57 anos natural de Cabeceiras de Basto.
E é isto. A única vez que o nome "Cabeceiras de Basto" é referido no texto. Talvez o ouvinte tenha ficado ofendido com o facto desta personagem fictícia, a Sra. D. Maria Elisabete Meirinho ser o comando à distância de um senhor de Vila Nova de Gaia, mas também é verdade que, num acesso de emancipação, ela acaba por revoltar-se e aplicar um ensaio de pancada no patrão, farta de ser o primeiro comando à distância da História.
Porque é que escolhi Cabeceiras de Basto? Primeiro porque gosto que as personagens d' O Livro dos Porquês tenham uma existência fictícia o mais real possível. Depois porque Cabeceiras de Basto faz parte do meu imaginário: alguém que muito prezo, Cândida Teixeira, a mulher que ajudou a criar este vosso amigo (e a minha irmã), empregada da minha avó paterna e, ela própria, uma espécie de nossa terceira avó, é natural de Cabeceiras de Basto, mais precisamente de Arco de Baúlhe. Estou habituado a ouvir falar de Cabeceiras de Basto desde pequeno, gosto do nome e a escolha foi tão simples como isso.
Como vocês sabem, nutro genuíno afecto pelos meus ouvintes. Mas confesso que há um ou outro que me lembra um ex-libris do filme Clerks do Kevin Smith: "Eu adoro trabalhar numa loja, o pior são os clientes!"
Se outras razões não houvesse para declarar que Goodfellas - Tudo Bons Rapazes, de Martin Scorsese, é um dos melhores filmes de sempre, já bastaria que tivesse lá dentro tem esta cena absolutamente monumental entre Joe Pesci - num dos crescendos de fúria mais arrebatadores da História não apenas do Cinema, mas da Humanidade - e Ray Liotta. Não sei quantas vezes já vi isto, mas não me canso de rever. "Funny? Funny, how?"
Por muito bom que The Departed seja - que é - não há lá um minuto de diálogo (nem mesmo os momentos do Mark Wahlberg) que cheguem ao brilhantismo disto.
... cumprem essa bonita e ancestral tradição que é o buraco no dedo grande, de acordo com uma notícia publicada hoje no Público:
A questão do buraco na zona do dedo grande, na peúga, pode não querer dizer que ele não tem dinheiro para comprar meias novas; pode simplesmente querer dizer que o Presidente do Banco Mundial é um homem tão ocupado que não tem tempo para cortar as unhas dos pés com a regularidade que se impõe. E isso, meus amigos, tem de ser respeitado. Não?
O Filipe Homem Fonseca divulgou no blog dele mais uma fotografia - tirada pelo incansável telemóvel da Maria João Cruz - de mais uma incrível personagem do Hora H, interpretada pelo Herman e criada pela sempre inspirada pena do Filipe e do José de Pina. Desta vez, uma personagem misteriosa e diferente não só de tudo o que o Herman já fez, como de tudo o que se fez na televisão nacional... o tenebroso Yuri Tupolev!
Mais um grande trabalho da equipa de maquilhagem do Hora H. Possivelmente, vai ser ainda esta semana que nós, os argumentistas, iremos ver os primeiros resultados concretos do nosso trabalho... o Episódio 1 (que irá para o ar no dia 10 de Fevereiro). Estou em pulgas.
O Yakalike, o software que transforma sites em salas de chat - e que se tornou num pequeno culto, aqui - anda a dar problemas... Penso que os autores andam a desenvolvê-lo e a melhorá-lo, o que significa que aquilo anda actualmente a dar erros por tudo quanto é sítio. No entanto, pormenor giro, talvez porque aqui o Há Vida em Markl tem estado no primeiro lugar dos sites mais populares equipados com Yakalike, a rapaziada que faz o software decidiu tirar um snapshot aqui do estaminé para usar como exemplo, logo na página principal:
Agora resta-nos esperar é que o serviço melhore... Vejam lá isso, senhores.
Uns posts abaixo discute-se a despenalização do aborto, na zona dos comentários do texto sobre os videos de Marcelo Rebelo de Sousa no You Tube. Tive de dizer de minha justiça na conversa que se gerou entre o POVD e o Patriota, e que estava neste ponto. Disse o leitor que assina Patriota:
RAP é um humorista que faz campanha pelo aborto dentro e fora do ecrã. Este sketch sobre o Marcelo é humor brilhante e genial, mas é também propaganda política anti-direitos humanos. Aliás, 90% do que passa nos media é propaganda política, com uns intervalitos para publicidade corporativa.
Ao que o POVD respondeu:
Este pessoal dos direitos humanos, quando lhes oferecem os fetos para os criarem dizem que gostam muitos dos fetos e têm muito carinho por eles mas os donos deles que os criem porque eles são pessoas muito importantes e ocupadas e, enquanto vão de férias para as Maldivas, têm a Maria para tratar das suas orquídeas. No entanto, pedem à Maria que fique vigilante sobre a vizinhança para ver se algum malandro se livra do feto.
Ao que o Patriota respondeu:
Povd, não passe por ignorante se não o for. Hoje em dia só engravida quem quer. No entanto, se quer alinhar nos argumentos nazis de que exterminar os seres humanos com menos condições financeiras que este governo se recusa a apoiar é “fixe”, é consigo. Na Alemanha nazi houve também quem concordasse com o Holocausto.
E isto levou-me a dizer o seguinte, lá em baixo e agora reproduzido aqui em cima:
Lamento entrar aqui pelo meio da vossa troca de ideias, POVD e Patriota, mas tinha de dizer isto…
Patriota, pessoalmente parece-me difícil discutir quando se entra por comparações dessas. Tendo em conta a importância que um sim e que um não tem para cada um dos seus defensores, eu sei que o Patriota lá achará que tem razões válidas para as fazer; eu tenho razões para achar que, numa discussão sobre este tema, brandir o Holocausto como comparação é o suficiente para eu ser incapaz de participar num diálogo. Soa-me demagógico, desprovido de seriedade, tragicamente disparatado e até roça o selvático, lembrando-me a maneira sinistra como alguns representantes da Igreja andaram, ainda não há muito tempo, a distribuir folhetos repletos de imagens gráficas pela população.
Só engravida quem quer? Hummmm. Parece-me que enquanto a Igreja Católica associar os métodos contraceptivos a horror e perdição, e enquanto a natureza humana nos impelir, como é normal e saudável, para que pratiquemos o sexo desenfreadamente, há inúmeros riscos de gravidezes indesejadas - sobretudo num país onde há tanta gente mal informada e refém de uma certa ideia de culpa que boa parte dos representantes da Igreja promovem aguerridamente. Não todos; não gosto de generalizações e conheço católicos e mesmo padres com visões abertas sobre a vida, o universo e tudo o resto (como dizia o Douglas Adams). Mas uma boa parte.
Discutamos o assunto, defendamos os nossos pontos de vista, respeitemos as diferenças de opinião e visão do mundo, mas reflictamos sobre elas com mais inteligência do que usando argumentos como “hoje em dia só engravida quem quer”. Para alguém que acusa o Povd de ignorante, digamos que a sua argumentação não teve muito mais complexidade do que a mera conversa de tasca. Uma vez que apreciou o sketch dos Gato Fedorento sobre o assunto - apesar de discordar - creio que será capaz de melhor que isso.
E sim, penso que na rádio - acima de tudo numa rádio pública, onde sou pago pelos contribuintes, uns defendendo o sim e outros defendendo o não - talvez seja abusivo usar o meu espaço de antena para defender aquilo em que acredito e que é na despenalização do aborto, pelo que nunca me ouvirão “fazer campanha” na telefonia. Aqui no blog, o espaço é pago por mim e por isso aqui vos digo que votarei no sim.
Respeito algumas pessoas que discordam deste ponto de vista e que apoiam o não. Marcelo Rebelo de Sousa é uma delas, por acaso: tem uma argumentação civilizada e estimulante à discussão (embora consideravelmente satirizável, como os Gatos tão bem provaram!). Não respeito campanhas medievais baseadas no medo, na demagogia e na hipocrisia. Quando vejo um elemento do clero de olhos esbugalhados a gritar “pena capital, pena capital!” - como vi, ainda não há muito tempo, num noticiário, sinto que existe muito boa gente nesta terra que não desdenharia instaurar novamente os Autos-de-Fé e organizar uns churrascos engraçados. De certeza que algum apoiante do não irá agora comparar os Autos-de-Fé com o aborto e que nunca sairemos disto, mas tinha de vos dizer o que penso sobre o assunto.
E agora acrescento este texto divulgado por e-mail pelos Médicos Pela Escolha, muito simples e esclarecedor:
Votar sim no referendo não significa ser-se a favor do aborto mas, sim, a favor da possibilidade de livre escolha da mulher durante a gravidez precoce.
Tecnicamente o embrião só se torna feto às 12 semanas e só desenvolve sistema nervoso às 20 semanas.
A despenalização do aborto SÓ será efectiva até ás 10 semanas de gestação.
Depois deste periodo, a antiga lei (apenas em caso de perigo para a mãe, má gestação do feto, violação, etc,) volta a estar em vigor.
Foi assim no domingo, no programa Aqui Há Talento:
Que espectáculo, senhoras e senhores.
É interessante como, hoje em dia, o You Tube é uma excelente ferramenta para avaliar o grau de culto imediato de um programa de televisão. Lembro-me que o método antigo - por exemplo, nos tempos do Herman Enciclopédia - era sair á rua e tentar apanhar uma ou outra conversa sobre um sketch da véspera. Era em autocarros, cafés e toda a sorte de lugares públicos que tentávamos perceber se o Diácono Remédios, o Lauro Dérmio ou os Homens do Norte tinham pegado. Hoje, todos os caminhos dos dias seguintes vão dar ao You Tube. Façam uma busca por Aqui Há Talento e lá estão os momentos-chave do novo programa da RTP-1.
Achei o Aqui Há Talento um óptimo programa de entretenimento. É digno, desprovido de lamechices e de espírito foleiro, é veloz e eficaz, razoavelmente cool para um show de horário nobre e prova que num mundo de "high concepts", a simplicidade pode ser a coisa mais viciante: aqui está um palco onde qualquer um de nós pode ir mostrar o que vale, valha muito ou valha pouco. Está arrumado o conceito, venham de lá os artistas. E os "artistas".
Toda a gente sabe os riscos que corre em chegar-se à frente para fazer um número musical estalando os dedos ou uma espécie de, vamos chamar-lhe, instalação, imitando uma "libelinha maluca". A surpresa de nunca sabermos se vem aí um espectáculo digno (e houve alguns bem bons) ou a coisa mais estranha e insólita à face da Terra agarra o espectador. A montagem, área se nota que de cada programa fica mesmo o suminho, não tem medo de não simular o directo, de interromper uma actuação a meio para ouvir uma nota de intenções do artista e retomá-la a seguir. Umas vezes a Sílvia Alberto dá a cara nas apresentações, outras ouvimo-la em off nos primeiros momentos de uma actuação. Essa liberdade funciona.
Às vezes podia melhorar-se a iluminação e tentar não mostrar certos planos do soalho do palco, que me parece um bocadinho escavacado, mas há muito tempo que um programa de entretenimento puro feito em Portugal não me soava tão moderno, despretensioso e divertido só por ser divertido. A Sílvia está em grande, a conduzir sozinha - mas com a chamada segurança do caraças - este desfile de fenómenos, e ela merece o êxito que me parece que este programa vai ter. O juri funciona bem: a Sílvia Rizzo está mais politicamente correcta, mas o Paulo Dias - o senhor que achou que era boa ideia levar O Homem Que Mordeu o Cão ao Villaret e a viajar pelos teatros de Portugal, pelo que penso que ele nunca me acenderia um X vermelho por contar umas piadolas - tem uma secura divertida a despachar concorrentes (gostei particularmente de uma das apreciações dele que consistiu apenas nas palavras "até à próxima") e o Joaquim Monchique merece a homenagem de ter sido quase sempre o último a carregar no botão para terminar os números mais invulgares.
O Aqui Há Talento pode tornar-se num culto genuíno, capaz de convencer os mais variados públicos - desde donas de casa pacatas e sedentas de momentos mágicos de TV até indivíduos de humor perverso - como acontece com alguns programas do género em Inglaterra, por exemplo. Isso é uma raridade, em Portugal, e daí que eu esteja a lançar este foguete!
O Filipe Homem Fonseca divulgou no blog dele mais um boneco novo do Herman para o Hora H e é arrebatador. Estamos a falar de Ednilson Fitipaldi Filho, uma figura criada pelo Filipe e pelo José de Pina e que promete ser um dos cromos mais inesquecíveis do programa.
A equipa de guarda-roupa e maquilhagem do Hora H está a fazer um trabalho de dimensões League-of-Gentlemenianas!
Antes de mais, mea culpa: quando lançámos o passatempo de hoje do Arrested Development com regras mais precisas, deveríamos ter mais cuidado na análise dos resultados e não despachar a coisa como fizemos nos dias anteriores, em que havia um espírito mais anárquico.
Assumo a culpa de ter anunciado dois vencedores sem ter tido em conta que havia uma torrente de comentários que, de facto, eram irregulares - uns porque não eram participações no concurso, outros porque não respeitavam as regras (a obrigatoriedade dos comentários conterem nome e apelido, BI e e-mail). Perante tamanha confusão, a única solução decente era mesmo proceder a uma limpeza das mensagens e apagar todas as que não respeitassem as ditas regras. Foi uma solução de último recurso para pôr ordem no caos.
Se alguém nos quiser processar por isso, pois que avance. Uma vez mais, a malta aqui do estaminé tentou fazer uma coisa com a melhor das intenções e que resultou numa salganhada épica. Pessoalmente, pareceu-me mais eficaz o tom mais anárquico dos últimos passatempos (vejam como a coisa correu aqui em baixo), mas neste momento e depois deste "tesourinho deprimente" (como um dos participantes chamou a este acontecimento) não tenho lá grande vontade de me meter noutra destas tão cedo. Não sou nem nunca quis ser organizador de concursos... Escrevo piadolas, e isto de fazer passatempos em directo entre a rádio e o blog é mais para nos divertirmos todos um bocado do que para tentar entrar nos domínios da nobre arte do concurso. Por isso faz-me sempre espécie quando estas coisas acabam de maneira azeda. Penso sempre no tempo que perdi a organizar isto e a contar resultados quando podia estar a fazer aquilo para que me pagam, que é estar a dizer umas graçolas na telefonia.
Peço desculpa a quem se sentiu lesado por isto, mas a solução que encontrámos ainda nos pareceu a mais justa: premiámos quem seguiu à risca o que estava escrito no post original.
Apaguei os posts relativos ao passatempo de hoje, porque muita gente sentia-se desconfortável com o facto de haver números de BI aqui à vista. Respeito isso e portanto apaguei tudo - e apaguei os posts todos porque isto foi uma salganhada de tal ordem que não valia a pena deixar aqui os respectivos destroços.
A parte gira é que isto resultou num belo momento de televisão: tínhamos cá o Só Visto da RTP a fazer uma reportagem e acho que eles apanharam o caos, o nosso "tesourinho deprimente" radiofónico! Havia tanta correria e movimentações em estúdio que isto parecia um episódio do Serviço de Urgência. Acho que vai para o ar este domingo... Preparem-se para assistir a uma fatia saborosa de stress radiofónico em todo o seu esplendor!