Ah, os grandes vilões clássicos de barba...




 


 


Então anda aprender qualquer coisinha com quem já tem uns anos disto e nas próprias instalações da empresa onde nasceram Herman Enciclopédia, Contra-Informação, O Programa da Maria, Paraíso Filmes e os Gato Fedorento! Nas Produções Fictícias vamos arrancar com workshops de Escrita de Humor e Escrita de Ficção Para Cinema e TV. Começam em Abril e vão até Junho e, como se pode ler no folheto que aqui seguro, são "cursos práticos para entusiastas, curiosos, amadores ou aspirantes a profissionais". Eu participo nestes cursos como um dos senhores que ensina umas coisas. Se estiverem interessados, despachem-se que os lugares são poucos. Mais informações no site das Produções Fictícias ou pelo telefone 21 386 45 54. (Aposto, entretanto, um testículo, que a malta que odeia as Produções Fictícias e/ou o Hora H e que gosta de visitar aqui o estabelecimento, certamente já terá pronta uma boca do estilo "o quê? O pessoal que escreve o Hora H a ensinar escrita para televisão, livra, nem pensem, etc" ou mesmo ainda mais ofensiva. Vá lá... Eu sei que vocês são capazes, rapaziada!)


Algumas das coisas que escrevemos no guião dos Globos de Ouro continuam a irritar as celebridades que era suposto dizê-las. Desta vez foi Boss AC que rejeitou vigorosamente a pequena piada sobre bling bling que tínhamos escrito para ele:


 


Da explosão épica de Negócios Estrangeiros ao interlúdio intimista de Bora Lá Fazer a Puta da Revolução, tudo o que tenho ouvido do disco novo dos Da Weasel leva-me a crer que está ali um dos grandes discos do ano. Dialectos de Ternura, o primeiro single, é viciante. Ainda não tinha visto o videoclip. Tem coreografias à antiga e ainda aquele efeito de arrasto na imagem, como se fazia nos anos 70 e 80. É muito bom.



Amor, Escárnio e Maldizer sai na segunda-feira, e nesse dia temos os Da Weasel em estúdio, nas Manhãs da 3.



Deixem-me primeiro pôr aqui a tocar uma musiquinha, como na rádio. Parece-me apropriado, salvaguardadas as devidas distâncias, o When We Was Fab, do George Harrison. O Homem Que Mordeu o Cão foi, para os envolvidos, uma espécie de experiência à Beatles, mesmo que seja em pequenino. Para nós foi grande. Sobretudo na noite de 28 de Março de 2003. Este post de aniversário fala do tempo em que we was fab... Agora enquanto vão ouvindo a música (magnífica produção do Jeff Lynne, dos ELO!), vão lendo o resto. Há quatro anos, no auge dessa aventura épica, surreal, fascinante, desgastante, revigorante, inacreditável, inesquecível, popular, alternativa, experimental, delirante que foi O Homem Que Mordeu o Cão, eu, o Pedro Ribeiro e a Maria de Vasconcelos estávamos no Coliseu do Porto a celebrar o alto da montanha - perante 3500 pessoas (garanto-vos que nunca estive perante tanta pessoa junta) fizemos a edição definitiva d'O Homem Que Mordeu o Cão ao Vivo.


 
Foi um daqueles momentos irrepetíveis da vida. Quase um concerto rock de histórias e a mais estranha e calorosa mistura entre grandiosidade e intimismo que vivemos até hoje: como é que uma gigantesca sala de espectáculos com 3500 pessoas dentro se tornou numa espécie de sala de estar em que parecia que éramos todos família uns dos outros? Não faço ideia, mas aquela noite resume o espírito do Cão e a minha alegria por termos conseguido provar o imenso poder que a rádio contadora de histórias, em tempo de playlists e aparente frieza corporativa, ainda pode ter. Estávamos bem acompanhados: connosco estavam as Manobras de Diversão (o Marco Horácio, o Bruno Nogueira, o Manuel Marques, a Carla Salgueiro, a Sandra Celas e a Sofia Grillo), os Cebola Mol, o Aldo Lima, o Francisco Menezes.



Foi pena o Ricardo Araújo Pereira e o Zé Diogo Quintela, também parte da troupe canídea, naquela altura, não terem podido estar nesta festa, mas foram ter connosco no dia seguinte ao espectáculo de Portalegre - e, semanas mais tarde, fizeram o último Cão ao Vivo em Lisboa, no Villaret. Ainda nos perguntamos o que aconteceu ali, no Coliseu do Porto, e a verdade é que até ao momento de entrarmos no palco (eu de canadianas e com o gémeo interno da perna estraçalhado pela gravação do genérico do Perfeito Anormal!), estávamos convencidos de que ia ser um fiasco. Aliás, o Paulo Dias, da UAU, produtor do espectáculo, assegurou-nos, minutos antes - o danado! - que as vendas de bilhetes tinham ficado muito aquém do esperado. O que nos intrigava, antes de entrarmos em palco, era o som maciço do público. As ondas. Os gritos tribais de "ENORMES SEIOS". Não me parecia o som de uma sala às moscas - mas se calhar era da acústica, que era boa. Quando entrámos no palco, damos de caras com uma multidão.



Não cabia nem mais uma mosca. É claro que nestas alturas, vem ao cimo o lado lamechas de um humorista - mas em vez de mariquices, entregámo-nos àquilo que nem uns valentes. Eu até me esqueci que estava coxo. Se a vida tem experiências do camandro, esta foi uma delas. Acho que hoje (e embora eu, o Pedro e a Maria mantenhamos vivo o desejo de fazermos qualquer coisa juntos, um dia) já não faz sentido existir O Homem Que Mordeu o Cão: mesmo que a sua voz tenha sido cortada de forma algo abrupta, teve a sua época, cumpriu a sua missão. O que nunca lhe fizemos foi um funeral como deve ser: festivo, épico q.b. e que dê ao Cão o descanso eterno de sorriso nos lábios que ele merece. Este ano, em que comemoramos os 10 anos da rubrica (sim, é incrível, mas a primeira edição d' O Homem Que Mordeu o Cão foi para o ar em Outubro de 1997!) andamos a magicar a maneira de o fazer, a contactar velhos amigos e, aos poucos, a construir qualquer coisa que esperamos que seja especial. E, também ela, do camandro. Em Outubro, a gente há-de se encontrar. (As belas fotos a preto-e-branco foram tiradas pelo Xavier Colette, o marido da Maria.)


 


Ou seja: sou a Tartaruga Ninja mais oposta à minha maneira de ser, o que está a ser uma delícia de fazer (hoje gravei uma parte; amanhã termino), porque Raphael é quase um Clint Eastwood do Ninjismo Tartarugal. É um gajo de acção, com um tom de voz incrivelmente cool e que, nos primeiros takes eu temi que se revelasse uma tarefa impossível de levar a bom porto. Felizmente, o director de dobragem é um excelente actor, o José Jorge Duarte, que decidiu deixar a televisão para se dedicar ao teatro e às dobragens de cinema animado (ele é a voz portuguesa do Shrek, por exemplo). Mas para além disto, ele é um incrível director de dobragens que não precisou de mais que um quarto de hora para afinar a minha interpretação e transformar-me numa tartaruga guerreira de humor cortante. Isto deu-me um gozo tremendo, embora o papel me esteja a sair do corpinho: é que para se interpretar a voz de quem aplica golpes de artes marciais, fechado num estúdio no Lumiar, é quase preciso aplicar, de facto, os golpes. O microfone sofreu algumas vezes, mas gesticular numa dobragem ajuda que se farta. O mais interessante é que interpretar o Raphael no TMNT consegue ser umas 1000 vezes mais complicado que fazer o Spike, no Por Água Abaixo. Primeiro porque o Spike era abertamente um boneco, enquanto o Raphael tem momentos sérios e graves de interpretação, quase realistas (o tom de TMNT é surpreendentemente negro, embora seja suficientemente movimentado e colorido para deixar as crianças em delírio). Depois porque o papel é dos principais e, portanto, há toneladas e toneladas de linhas de diálogo. Estou muito curioso para ver como vão as quatro Tartarugas Ninja interagir no ecrã de cinema: as outras tartarugas têm as vozes dos meus caros Marco Horácio, Rui Unas e Diogo Beja. Estou assaz partido, mas isto foi muito divertido. E assim se vê como a minha vida anda surreal nos dias que vão correndo: num minuto estou a escrever discursos para Fátima Lopes e Filipe La Féria; no outro estou a desancar robots e criaturas peçonhentas de carapaça às costas. No Lumiar. E hoje, ainda por cima, um dos projectos para o futuro mais giros e pessoais em que estou envolvido deu um primeiro passo importantíssimo. Mas sobre esse só me ouvirão contar pormenores daqui a muitos, muitos meses...


Desde que a Ana Galvão fez aquela reportagem sobre a sex-shop Afrodite, nas Manhãs da 3, que eu precisava de ver com os meus próprios olhos este adereço que, segundo consta, é um bestseller.



Dizia a dona da loja, Tatiana, que se tratava de "um pé muito realista com uma vagina fofinha por baixo e vibração". Não sabia que os pés das senhoras eram assim, mas só posso agradecer a Deus que os pés dos homens não tenham um pénis e uns testículos por baixo, porque pisar aquilo a cada passo, porra. Este adereço dá também todo um novo significado à frase que me foi dita uma vez, na escola, quando dei um pontapé num pedregulho enorme julgando que se tratava de um pedaço de esferovite. "Pronto, já f****te o pé todo."


... é um exercício interessante, não só porque é uma fuga à escrita de humor puro e simples, mas também porque é a altura do ano em que eu, o Francisco Palma e o João Quadros conseguimos, realmente, irritar pessoas famosas. Porquê? Porque uma gala é feita - à boa maneira dos Óscares - de textos interpretados em duo por várias celebridades onde, à partida, nos é dada carta branca para pormos na boca delas aquilo que quisermos, tendo em conta que estamos a escrever para um espectáculo que está longe das nossas sensibilidades humorísticas mais alternativas e que requer, por isso, algum cuidadinho. É claro que se muitas das celebridades alinham, divertidas, na experiência, há sempre outras que passam a odiar-nos profundamente. A gente não se importa. E eu até compreendo: se calhar também não gostava que me pusessem palavras na boca numa noite de gala, nomeadamente "néctar de pêssego" e "sandes mista". Já tínhamos maçado algumas pessoas o ano passado, nos Globos de Ouro da SIC... Este ano, segundo consta, conseguimos, até ao momento, tirar do sério o Filipe La Féria e a estilista Fátima Lopes, que recusaram as propostas de diálogo que tínhamos feito para eles. Se calhar fomos um tanto ou quanto longe demais, mas julgámos sinceramente que eles alinhavam nisto. Como estes pedaços de texto não vão passar na televisão e foram para o lixo, posso agora mostrar-vos qual era a nossa ideia... Este era o texto para o Filipe La Féria e a Anabela:

 

E este era o texto para a Fátima Lopes e o Manuel Serrão:


 


 


Finalmente, estreia esta semana em Portugal o filme que merecia o hype série B que Snakes on a Plane acabaria por ter. Slither - Os Invasores, de James Gunn, é uma deliciosa fusão da demência de Sam Raimi dos tempos de Evil Dead com o tom de desconstrução da pacata comunidade da América interior dos filmes de Joe Dante (há qualquer coisa de Gremlins aqui). Além disso consagra Nathan Fillion (o protagonista da série Firefly e do respectivo filme, Serenity) como um novo Bruce Campbell - é sempre bom ver um combatente anti-zombies que, mais do que ficar aterrorizado por eles, fica, acima de tudo, maçado. E com razão: um zombie é uma criatura teimosa e chata como a potassa. Slither - Os Invasores é uma inventiva comédia de terror de que falei há uns meses quando a comprei em DVD na Amazon UK e de que vale a pena falar outra vez, ou corre o risco de passar despercebida. Vão vê-la aos cinemas, que é o lugar onde esta maravilhosa creature feature merece ser vista.




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Olhem para o que eu ando a fazer
Caderneta de Cromos - 2ª a 6ª feira, 8h45 e 9h45
(o clube de fãs no Facebook)

PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
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