Quando recebo aqui no blog mensagens repetitivas de azedume para com os alvos do costume (há aí uns dois ou três trolls que têm como missão repetir ad infinitum o mesmo tipo de comentário sobre, por exemplo, eu, o Bruno Nogueira, o Hora H, etc), a minha tendência é para não as aprovar. Como já aqui disse, sei distinguir uma crítica negativa válida - mesmo que seja dura - de um mero renhónhó antipático de quem, no fundo, clama por atenção, e tenho tendência a apagar os renhónhós antipáticos. Chamem-lhe censura, chamem o que quiserem, mas são as regras desta casa - e acho que, na verdade, nem terão grandes razões de queixa: já deixei passar mensagens bastante desagradáveis não só para comigo, mas para com muito boa gente que conheço. Agora estou mais selectivo. Nos últimos dias apaguei três comentários de um indivíduo daqueles que bate na mesma tecla e reproduz velhos impropérios já mais que repetidos neste blog. Resultado: pus a funcionar o meu direito de não aprovação (que é mais ou menos o mesmo direito que quem não estiver contente com este meu direito tem de não visitar este estabelecimento), o que o fez explodir num drama dos antigos. Diz ele:
Parabéns, Markl. Caiu-te a máscara. És, verdadeiramente, um tipo falso e miserável.
Hum... Caiu-me a máscara? Ó rapazito, mais transparente do que isto não posso ser. Quando não aprecio o tom ou o teor de uma mensagem, não a aprovo. Qual é o drama? Não é o fim do mundo. Isto não é uma nação ditatorial, é apenas um recanto da Internet que me dá bastante trabalho a manter e sobre o qual tenho alguns direitos - nomeadamente o de aprovar ou não esta ou aquela mensagem. Mas acredito que a minha sinceridade (confundida pelo meu interlocutor com falsidade - meu Deus, ao que chega a salganhada moral na Internet!) faça confusão precisamente a quem vive escondido atrás de uma máscara (a do anonimato) a mandar bitaites. Esses valores andam todos emaranhados, senhor.
Como precisas deste blog, do dinheiro que ganhas com ele, e do pequeno poder que ele te dá.
A isto chama-se presunção: num exercício quase mitómano, o anónimo acha que a razão porque não aprovei as suas duas ou três rezinguices contra mim e o meu trabalho é porque preciso deste blog, do dinheiro que ganho com ele (ui, nem me diga nada! Rios! Rios de massa! Ainda agora chegou mais um camião TIR cheio de notas!) e do pequeno poder. Ó senhor: olhe que você não é assim tão importante. Nem eu. No meio disso tudo só tem razão numa coisa: de facto, ao aprovar ou não aprovar, eu não tenho mais do que um pequeno, pequeníssimo poder. Por isso mesmo, pergunto: vale a pena todo esse drama? Com todo o gosto aprovaria as suas dissertações agressivas sobre mim, o meu trabalho e alguns amigos meus se reconhecesse a essas dissertações um pingo de originalidade ou de inteligência. Coloquemos isto no plano da vida real, a vida fora da Internet (que ainda há quem tenha). Abriria eu a porta da minha casa a alguém que estivesse ali fora a dizer: "Deixa-me entrar que eu quero dizer como tu és um miserável sem talento e os teus amigos também"? É evidente que não.
A mensagem terminava com a frase:
No meu Blog já te encontras devidamente denunciado.
O quê?! Um blog a dizer mal de mim na Internet? Isso nunca aconteceu! Ah, drama! Ah, terror! Ah, medo! (Infelizmente, ele não deixou nem sequer um linkzito para o dito blog. Mas sim, confirmo que tenho a orelha esquerda muito quentinha.)
Com isto tudo, acabei por fazer o que o meu caro interlocutor, no fundo, queria: que eu falasse dele. Que lhe desse atenção. Que o transformasse num acontecimento. Assim fiz. Mas só para que percebam como funciona a política de aprovação de comentários. Rezinguices malcriadas e/ou repetitivas já cá há muitas. Poderão então dizer: "Mas também tens muitos elogios! Isso não é repetitivo?". É evidente que não. Da última vez que verifiquei, dizerem bem de um gajo continua a ser melhor do que insultarem-no. Eu, pelo menos, gosto, assumo-o. Também gosto que me insultem - lembro-me sempre desse mítico texto publicado na net em que um indivíduo dizia, numa descrição de requinte e impressionante detalhe, maravilhosamente bem escrita, querer enterrar-me só com a cabeça de fora e desatar aos pontapés na dita. Isso já acho que é um insulto engraçado. Agora, mais do mesmo - permitam-me que faça uso do meu pequeno poder. Afinal de contas, o pequeno poder é uma tradição portuguesa - como o cozido ou o Galo de Barcelos - e costuma-se dizer que as tradições são para se manter...