Eu e a equipa da PF Pub, dirigida pelo João Nunes, criámos uma série de - e reparem bem na pretensão do estrangeirismo - interstitials para serem exibidos entre actuações do Festival Delta Tejo. Divertimo-nos um bom bocado a criar estas situações e agora que o festival já passou, podemos mostrar aqui, em ecrãs minúsculos mas honrados, aquilo que foi exibido nos ecrãs gigantescos do evento. Possivelmente é a chance de muitas das pessoas que lá estiveram perceberem o que raio estava eu a dizer. Se eu fosse um espectador do Delta Tejo, a última coisa a que me apeteceria prestar atenção era a um caixa de óculos pançudo a dizer coisas entre uns Macaco e uns Orishas. Eis os videos...








Pois. De maneiras que estamos no coração da silly season e não tem acontecido nada digno de nota para vos narrar. Por isso, recomendo uma maravilhosa e muito discreta britcom que comprei há uns tempos na Amazon inglesa mas que só agora tive tempo para desbravar com alguma atenção...

Para um fanático por britcoms, uma das coisas giras da vida é descobrir pérolas destas, mais obscuras, ofuscadas por Little Britains, The Offices e Extras, mas igualmente merecedoras de todo o nosso respeito e admiração. Grass é uma dessas pérolas, um spin-off de um dos sketches recorrentes mais populares do lendário Fast Show. Os fãs desse programa lembrar-se-ão da personagem Billy Bleach (interpretada por Simon Day), o fala-barato frequentador de bares perito em provocar monumentais secas no desgraçado que com ele se cruzasse entre um copo e outro, desenvolvendo longas e muito peculiares teorias sobre, basicamente, tudo. Só para vos relembrar, eis um exemplo desses velhos tempos no Fast Show...

Foi este sketch que deu origem a um processo que acaba por ser uma incrível lição sobre como pegar numa figura necessariamente esquemática, simples, e transformá-la, contra todas as previsões, numa bem sucedida série com uma boa história e personagens consistentes. Billy continua um fala-barato, mas agora conhecemo-lo a fundo: vive com a mãe, não parece ter consciência do quão deprimente é a sua vida e, num dia aparentemente igual aos outros, de pura, simples e confortável rotina... é testemunha de um crime violento. As autoridades aprontam-se a colocá-lo num programa de protecção de testemunhas e, de um momento para o outro, o slacker urbano quarentão é levado para longe, para o mais improvável dos lugares onde se espera que um típico cockney sobreviva: uma pequena e tipicamente britânica aldeia campestre...  daquelas que nos habituámos a ver em séries como Veterinário de Província.

Uma vez mais, uma sitcom usa o velho mas sempre fiável mecanismo do "peixe-fora-de-água" com resultados fabulosos. Longe do ambiente de programa de sketches, com uma realização e uma fotografia refinadas e uma firme vontade de contar uma boa história antes de apelar à gargalhada rápida, Grass é a série que qualquer argumentista de comédia sonha em fazer: nota-se que houve todo o tempo e todo o cuidado do mundo para que cada episódio de 20 minutos seja uma joiazinha.

Neste excerto, Bleach regressa à sua pacata casa de campo, depois de uma visita ao pub da aldeia (tinha de ser) para encontrar os dois sisudos agentes responsáveis pela sua protecção em, digamos, propósitos inesperados.

Grass despacha a sua história catitamente em oito episódios (ah, como eu gosto desta maneira da BBC trabalhar!) escritos pelo próprio Simon Day e por Andrew Collins, um excelente crítico de cinema e radialista da BBC 6 Music cujo programa diário - que costumava dar entre as 4 e as 6 da tarde - eu costumava ouvir religiosamente, há uns anos, via Internet. Parece que Collins deixou a rádio recentemente para se dedicar à escrita, não só de séries mas de livros. Tenho dois deles, sobre crescer nos anos 70 e nos anos 80 (Where Did It All Go Right e Heaven Knows I'm Miserable Now), muito aconselháveis, apesar de algumas referências dele sobre essas décadas serem, obviamente, muito british. Collins tem um blog bem bom que pode ser visto aqui.


... o indivíduo que assina "Nuno Markl" sou eu mesmo. Temi que tivesse perdido o meu perfil no chat, mas parece que tudo continua a funcionar bem. E mudei de fotografia. Mas sou eu, senhoras e senhores.




Vi Labirinto em 1986 no cinema Império, em Lisboa, cinema lendário onde vi alguns dos mais marcantes filmes da minha vida (sim, também lá vi A Guerra das Estrelas e O Império Contra-Ataca!). Foi o último filme que me lembro de ter ido ver ao Império, uma sala de cinema absolutamente fabulosa que, não muito tempo depois, seria comprada pela sinistra Igreja Universal do Reino de Deus. Ainda hoje fico enfurecido por ver aquele edifício imponente nas mãos de tão duvidosa empresa. Um desperdício vergonhoso.

Também por ter sido o último filme que vi no Império, Labirinto tornou-se num genuíno filme de culto para mim. Por isso, e por ser obra saída de um daqueles conjuntos de ídolos de cabeceira que, à partida, parecem nada ter a ver uns com os outros, mas que, surpreendentemente, conseguiram afinar as suas sensibilidades e criar algo de espantoso. Quem diria que um filme realizado pelo criador dos Marretas, Jim Henson; produzido pelo criador da Guerra das Estrelas, George Lucas; escrito por um dos elementos dos Monty Python, Terry Jones; e interpretado (e musicado) por David Bowie, iria funcionar tão bem?

Mas funciona. Fazendo jus ao talento de todos os envolvidos, é uma fantasia musical cómica com bonecos e gente, subvertendo com um misto de irreverência Monty Python e genuíno gosto por contos de fadas, os clichés do género, e revelando às massas o talento da então muito nova Jennifer Connelly (que, tendo ela na altura 15 aninhos e eu também, rapidamente se tornou numa sex symbol aqui do jovem, com quem eu estaria disposto a perder-me em quaisquer labirintos que ela quisesse).

A história envolve uma jovem em busca do irmão raptado pelo Rei dos Duendes através de um labirinto surreal que lembra Alice no País das Maravilhas cruzada com Monty Python e o Cálice Sagrado. Se a rapariga não encontrar o fim do labirinto num tempo limite, o pequeno Toby será transformado num dos duendes daquele bizarro universo. Mas esta saga acaba por ser um pretexto para o vilão atrair a irmã de Toby, Sarah, por quem está apaixonado...

É claramente uma aventura pré-politicamente correcto: hoje em dia seria olhado de lado, um filme juvenil em que um homem de quarenta e tal anos (Bowie, na altura, fazendo o papel do Rei dos Duendes) se perde de amores por uma jovem de 15. No entanto, Labirinto lida com o assunto de uma forma tão inteligente, sensível e - como não podia deixar de ser numa obra escrita por Terry Jones - tão cómica que é impossível olhar a fita com desconfiança. É um divertimento sublime e - embaraço dos embaraços - eu sei algumas deixas de cor. Sou um geek, que diabo.

Tal como acontece com outros filmes de culto meus (como Blade Runner), tenho Labirinto numa panóplia de versões que vão do VHS pirata ao VHS oficial, passando pelo Laserdisc e pela edição DVD de 1999. E agora, está na altura de me afiambrar a outra edição, que está quase nas lojas: a promissora Edição de Aniversário. As boas notícias é que não se trata de uma daquelas edições que só saem no estrangeiro: daqui a alguns dias estará nas lojas portuguesas, o que significa que aqueles de vós que não conhecem a obra, têm uma belíssima oportunidade de a apanhar, e numa edição com vários extras inéditos. Parece que vai custar €19,90.

Os filhos dos 80s irão regalar-se com isto e possivelmente tentar convencer os seus filhos com a magia de Henson, Lucas, Jones e Bowie; os filhos dos 90s poderão achar que a música está datada, mas acredito que assim que se deixarem embrenhar naquele universo não quererão outra coisa. E agora tomem lá um dos meus números musicais preferidos da fita. Notem também o dedinho do Terry Jones, recuperando um insulto que poderia fazer parte de Monty Python e o Cálice Sagrado, quando uma das criaturas minúsculas do labirinto exclama a Jennifer Connelly, "your mother is a friggin' aardvark!"



Foi a vasculhar com a Maria de Vasconcelos em toneladas de emissões do Homem Que Mordeu o Cão TV (já a pensar nas comemorações dos 10 anos, lá para Outubro-Novembro) que me deparei, emocionado, com esta obscenamente fofinha aparição da minha cadela Stitch no programa. A equipa do programa tinha acabado de me dar a Stitch como prenda de anos. Na altura julgava-se que ela ia crescer para se tornar numa possante mistura de Golden Retriever com Leão da Rodésia, mas os problemas de saúde que ela teve à nascença (felizmente debelados, entretanto) fizeram com que ela se mantivesse num prático formato porta-chaves. Seja como for, hoje já não é tão fácil pegar nela só com uma mão.

Ah, e eu tenho muito mais cabelos brancos do que nestas imagens, sendo que vários deles são capazes de ter sido produzidos por ela.





Parece um cão de anúncio de papel higiénico. O que sempre me intrigou: eu sei que eles querem fazer passar a ideia de que o papel é suave e fofinho como um cachorro mas, que diabo, é suposto limparmos o rabo com o papel.




Começo com um facto muito simples: tudo aquilo que de brilhante Os Simpsons podiam ter feito, já o fizeram. Ao longo de todas estas temporadas na televisão há momentos tão geniais, tão definitivos, que era impossível que alguém fosse ver The Simpsons Movie à espera de uma experiência transcendente, inovadora, arrebatadora, inesquecível. Eles já foram tudo isso, pá. E é por isso que contesto vigorosamente as pessoas que agora falam em "desilusão". Do que estavam à espera? Groening e a sua equipa já fizeram tudo (aliás, já fizeram mais do que tudo, se contarmos com o genial Futurama, série que levou o humor de cariz Simpsónico para os poucos lugares onde ele não tinha ido), pelo que The Simpsons Movie só podia ser aquilo que é: uma celebração aconchegante e mais comunitária de uma coisa importante e marcante das nossas vidas pop-culturais.

Algo de transcendente, inovador e arrebatador conseguiram os rapazes do South Park quando fizeram essa obra-prima cinematográfica chamada South Park: Bigger, Longer, Uncut. Porquê? Porque a série ainda não tinha muito tempo de vida, e semeou as doses certas de brilhantismo para que uma longa-metragem, explodindo assim, de repente, as transformasse em qualquer coisa de sublime.

No caso dos Simpsons, e depois de 17 anos no ar, eles já chegaram ao sublime há que tempos. E não seria um filme que iria trazer mais novidade, nem poderia ser essa a sua função: um filme dos Simpsons teria, acima de tudo, que ser bom. E é!

Como fanático da obra de Matt Groening (e por "obra" entenda-se também o magnífico cartoon Life in Hell), não me senti defraudado: The Simpsons Movie ofereceu-me exactamente aquilo que eu esperava. Porque é aquilo que uma equipa e um conceito que já atingiu os píncaros da genialidade há que tempos me poderia dar: mais do mesmo, com a novidade do ecrã grande e da respiração mais cinematográfica. Mas mais do mesmo é bom. Os desiludidos que me digam, objectivamente: conseguiria um filme dos Simpsons, só por ser "um filme", trazer algo de mais inovador e surpreendente do que um episódio como Cape Feare? Ou Stark Raving Dad, com aquela inesquecível reinvenção de Michael Jackson? Ou o díptico Who Shot Mr. Burns?

Amo os Simpsons. E toda a Springfield. Admito que a série televisiva há uns tempos que entrou numa compreensível rotina, mas tenho com as aventuras destas pessoas amarelas a relação que tenho com o filmezinho anual do Woody Allen. Preciso delas como de pão para a boca, mesmo quando o pão já foi mais estaladiço. E sim, Family Guy e American Dad são giras, sim senhor. Mas não são Os Simpsons. A classe da sátira, as dimensões e a coerência da mitologia Simpsónica - mais nenhuma série adulta de animação consegue lá chegar, mesmo que haja bons espécimes do género.

Voltando à imagem do pão e da boca: o pão que The Simpsons Movie nos oferece é de boa qualidade. O filme é divertidíssimo, cheio de sátira afiada, e eu senti-me feliz por estar a vê-lo. Digamos que foi uma experiência do tipo "Natal-quando-somos-petizes". São 85 minutos compactos, vivendo de uma corrente contínua de piadas, conseguindo recriar, numa longa-metragem, o ritmo avassalador dos episódios televisivos. Quando termina - e, por favor, fiquem na sala até ao fim do genérico final! - ficamos com a sensação de que soube a pouco e que ainda lá podíamos ficar pelo menos mais uma meia-hora, à vontadinha. Mas quando começamos a fazer contas aos gags que vimos, constatamos que foram às toneladas. The SImpsons Movie é obra de uma equipa incrivelmente oleada, com plena noção do funcionamento dos mais ínfimos mecanismos desse delicado relógio que é a comédia.

No meio de dezenas e dezenas de sequências notáveis, chamo a vossa atenção para a maravilhosa cena erótica entre Homer, Marge... e o imaginário Disney.


O Artur Ribeiro e a Susana Romana, à solta em Nova Iorque, desbravando um Kwik-e-Mart. Alguém observou, e muito bem, que eu ainda não prestara o devido tributo a esta nova aventura do Artur, em plena criação do seu projecto Seeing Voices. Aqui estão eles num pedacinho de Springfield no coração de NY:


Já sabem que todos os episódios sobre o projecto Seeing Voices podem ser vistos na PFTV. E vale a pena também lembrar que no mais recente (o oitavo) o Artur vive uma aventura em pleno Bronx!


A grande Aimee Mann vai hoje cantar ao Coliseu. Infelizmente não posso lá ir, mas há que assinalar o evento com este pedacinho do fabuloso DVD Live at St. Ann's Warehouse. Mann é uma verdadeira contadora - perdão: cantadora - de histórias e uma das mulheres mais cool da música americana.



Enquanto não durmo, na expectativa de ver The Simpsons Movie, vou redescobrindo a avassaladora quantidade de memorabilia Simpsónica que tenho nesta casa e que fui acumulando ao longo de uns belos 17 ou 18 anos de fanatismo Groeningiano. Uma das coisas que gostei de retirar da estante é esta pequena maravilha chamada The Simpsons Guide to Springfield:



Não faço ideia se este livro, lançado nos idos de 1998, ainda é editado (pela Harper Perennial). Mas se é, aconselho vivamente a que o comprem, porque é uma deliciosa paródia aos guias de viagem de empresas respeitáveis como a Lonely Planet. Está organizado de maneira credível, mostrando onde se pode dormir, comer, comprar e apanhar radioactividade nas ruas de Springfield...



Tudo profusamente ilustrado e repleto de belíssimas piadas (sobretudo a secção What's Right With Springfield, em que ilustres cidadãos famosos de Springfield dissertam sobre os seus pontos de interesse favoritos). Dos Simpsons tenho DVDs, VHSs, bonecos, CDs, livros, comics, uma espécie de cubo de rubik com a forma da cabeça do Bart - toda uma gostosa panóplia. Sendo que algumas dessas coisas são, de facto, velharias (o disco The Simpsons Sing The Blues, por exemplo, é um vinil todo jeitoso de 1990!).

E já que falo em The Simpsons Sing The Blues, eis o clássico videoclip deste hit de Bart, feito em colaboração com Michael Jackson (que co-escreveu e co-produziu). Vintage! O video é realizado por Brad Bird, ele que hoje trabalha em sofisticadas animações da Pixar (é o realizador de The Incredibles e do muito aguardado Ratatouille.)



... eis as canções do dia. Danny Elfman, um dos meus banda-sonoristas preferidos (são dele, por exemplo, as músicas dos filmes de Tim Burton, incluindo as geniais partituras de Batman, Eduardo Mãos-de-Tesoura e Nightmare Before Christmas) teve uma banda nos anos 80 e durante parte dos 90 da qual era vocalista, os inesquecíveis Oingo Boingo. Aqui se mostra um dos primeiros e um dos últimos singles dos Boingo, magníficos exemplos do humor negro e da pop psicótica praticada por Elfman na sua pele de rock star. Do álbum Only a Lad, de 1981, uma das mais delirantes canções de sempre e um dos mais dementes telediscos da História: Little Girls.


Na canção seguinte, Insanity, de 1995, são já mais reconhecíveis os arranjos orquestrais que se tornaram a marca registada de Elfman em bandas sonoras como Batman. Mas o tal espírito endiabrado dos discos dos anos 80 mantém-se, bem como a tendência para criar alguns dos videoclips mais perturbantes de que há memória.


E agora, o tema que o próprio Elfman diz que estará referenciado na sua pedra tumular: "Aqui jaz o gajo que compôs o tema dos Simpsons"!





Conversetas
Clique aqui para entrar onde pessoas giríssimas se juntam em amena tertúlia.
Arquivos
2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


2004:

 J F M A M J J A S O N D


2003:

 J F M A M J J A S O N D


2002:

 J F M A M J J A S O N D


2001:

 J F M A M J J A S O N D


2000:

 J F M A M J J A S O N D


1999:

 J F M A M J J A S O N D


1998:

 J F M A M J J A S O N D


1997:

 J F M A M J J A S O N D


1996:

 J F M A M J J A S O N D


1995:

 J F M A M J J A S O N D


1994:

 J F M A M J J A S O N D


1993:

 J F M A M J J A S O N D


1992:

 J F M A M J J A S O N D


Olhem para o que eu ando a fazer
Caderneta de Cromos - 2ª a 6ª feira, 8h45 e 9h45
(o clube de fãs no Facebook)

PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
(site do programa)

Tudo na Rádio Comercial
Pesquisar
 
Texto e cartoons © 2008 Nuno Markl
Design Patrícia Furtado