Pronto: não é John McTiernan (afinal de contas, McTiernan só há um), mas, que diabo, achei
Die Hard 4.0 um
blockbuster bastante decente, o que talvez tenha a ver com as baixas expectativas com que eu ia. O realizador Len Wiseman é, no fim de contas, o criador da saga vampiresca
Underworld, que pouco mais tem de bom do que o
sex-appeal da bela Kate Beckinsale (que é a esposa de Wiseman). Acontece que Bruce Willis manteve Wiseman com rédea curta - de acordo com a entrevista da revista
Empire, o bom velho Bruce terá informado Wiseman que era ele (Willis) quem mandava no estaminé - e, por isso, da histeria decorativa de
Underworld só restam em
Die Hard 4.0 algumas cenas com aqueles filtros azuis que o realizador costuma espetar em cima dos seus vampiros. De resto, a realização e montagem são bastante competentes, o argumento é disparatado sem ser parvo e o filme, longíssimo do requinte, da classe, da pinta, do estatuto de obra-prima que John McTiernan assegurou quando fez o primeiro
Assalto ao Arranha-Céus, é um divertimento desmiolado capaz de pontapear os rabos de
Homem-Aranha 3 e
Piratas das Caraíbas Nos Confins do Mundo.
É claro que ao ver John McClane agarrado à cauda de um avião a jacto (!) é impossível não suspirar de saudades das maravilhas que John McTiernan fez dentro de um prédio, sem precisar de avançar pelos cenários apocalípticos que Wiseman aborda neste filme. Mas quanto menos comparações fizermos, mais nos divertiremos.
Uma última nota elogiosa para Timothy Olyphant, um tipo que estou habituado a ver fazer de bom da fita em
Deadwood, o
western da HBO, e que faz um bom vilão (embora a milhas quer de Alan Rickman no primeiro, quer de Jeremy Irons no terceiro - ah, estas comparações!...) e para Kevin Smith, divertido no papel de um
hacker da velha guarda, fanático de
Star Wars (e não me admirava que boa parte da panóplia de bonecos e posters que a personagem tem na sua cave tenha vindo da famosa colecção privada de Smith) que mantém ligado um equipamento de Banda do Cidadão, não vá o mundo acabar e os mortos-vivos dominarem a Terra.
Como se costuma dizer: este é daqueles em que, quem deixar o cérebro convenientemente arrumadinho à porta do cinema, acaba por divertir-se à brava. Eu deixei o meu, e à saída até houve uma confusão, porque por pouco ia havendo uma troca e ia ficando com o cérebro de um senhor que era contabilista.