Foi com estas palavras que Jerry Seinfeld fez aquilo que eu gostaria de ter tomado a iniciativa de fazer, não fosse o olhar severo das representantes madrilenas da Universal, contando ao minuto a conversa de cerca de 10 minutos que tive com o mestre. Felizmente, e para meu embasbacamento, quando eu já me preparava - todo sorrisos de felicidade, cá dentro - para abandonar o recinto e já me tinha despedido do senhor, eis que ele... fez
small talk comigo! Por iniciativa dele! E se foi por iniciativa dele, isso lá me deu direito a mais um minuto extra de conversa, explicando-lhe o meu trabalho e roendo-me por dentro de não ter esse bem de primeira necessidade em certas alturas: um belo
business card! Pronto, o mais certo era que em chegando ao caixote mais próximo, o guru cómico o deitasse fora, mas, que diabo - senti que deveria fazer o que um bom canalizador faria. "Então escreves comédia?", perguntou ele.
"Escrevo, sim senhor. Faço orçamentos grátis. Aqui tem o meu cartão. Obrigado e bom dia".
Esta não foi a resposta que dei, mas lá que me soube bem responder ao senhor, isso soube. E à parte disso, a conversa foi curta e concentrada, mas afável e divertida. Seinfeld revelou que o processo de escrita de
Bee Movie acabou por não ser assim tão diferente da escrita de um episódio da série e disse que não está nos seus planos fazer um filme de imagem real, porque para imagem real o seu legado definitivo é a série
Seinfeld. Ele acha que deu ali o seu melhor de tal maneira que ainda não lhe apetece fazer mais nada nesse campo. E disse mais coisas, umas não revelo porque terá mais graça ver a reportagem, quando passar (lá por alturas da estreia do filme, no dia 13 de Dezembro) e as outras não revelo porque uma experiência destas é cá de uma intensidade tal que há centenas de coisas que se esquecem, no meio do pasmo.
Sei que o fiz soltar uma gargalhada, mas tinha de desabafar com ele: disse-lhe que estar ali a falar com ele, conhecê-lo pessoalmente, equivalia ao mesmo que conhecer de uma assentada os quatro Beatles, entre os vivos e os mortos. E foi. E ele foi porreiraço - o bom velho Jerry Seinfeld da série de televisão. Depois vocês vêem; agora ainda estou com a sensação de que me aconteceu qualquer coisa de transcendental hoje. E enquanto o Mário Augusto não manda as fotografias que tirou do encontro, tomem lá seis minutos do filme (a versão dobrada), cortesia da Lusomundo e da Dreamworks. Estrearam hoje na Internet.
Basta darem uma saltada
a este recanto do site oficial.
E já agora, uma adenda: o tema musical de
Bee Movie é uma das melhores canções que o falecido George Harrison compôs -
Here Comes The Sun. E se é um facto que não há
Here Comes The Sun como o original, também há que admitir que a sodôna Sheryl Crow não fez um mau trabalho. Alguém pôs isto no You Tube, sem que haja possibilidade de fazer o chamado
embedding em blogs, pelo que puxei a obra para o Sapo Videos. E reza assim: