Obrigado ao Paulo José por ter lançado uma campanha de solidariedade para com a minha falta de cuecas azuis para estrear no Ano Novo, mas um agradecimento grande tem de ser feito também a uma famosa empresa de lingerie cujo nome começa por T, acaba em H e no meio tem, perfeitamente ao acaso, as letras RIUMP. Confesso que fiquei desconfiado quando me disseram que tinha um saco da dita empresa à minha espera numa das portarias da RTP, sobretudo porque julgava que eles só faziam soutiens e coisas do género. Ora está bem que não tenho uns seios pequenos (é no que dá o consumo de muita carcaça), mas ainda não cheguei ao ponto em que preciso de usar o mesmo tipo de equipamento que a Cláudia Vieira.
Cláudia Vieira que, como se pode ver, está impressa no saco da empresa. É giro andar pela rua segurando um saco com a Cláudia Vieira em roupa interior. Penso que foi a primeira vez que me gritaram "Ó BOA" de um andaime.
Dentro do saco, e para grande alegria minha...
... cuecas. Um vasto sortido de cuecas, várias delas azuis. Algumas delas em padrões e tecidos sedosos tão sensuais que nem me apetece vestir calças. Estou pronto para 2008.
Disse eu numa recente entrevista ao Expresso que gostava de receber brinquedos no Natal, e as moçoilas da equipa do guarda-roupa da Operação Triunfo, depois de terem lido a dita entrevista, decidiram oferecer-me um brinquedo vintage. Obrigado pelo presente, minhas ricas senhoras, que eu nem sabia que este tipo de coisa se vendia em Portugal: uma motorizada de corda, feita em lata, do tempo em que os brinquedos ainda não tinham sobre eles a pesada pata do politicamente correcto e das normas obsessivas de segurança.
Desde a caixa até ao conteúdo, isto é uma reprodução rigorosíssima de um brinquedo clássico, e é por isso que, se em letras grandes se pode ler "Safe for children", em letras mais pequenas, a um canto, surge a informação "Attention: This is not a toy. For adult collectors only." A verdade é que eu ainda sou do tempo em que este tipo de brinquedo não era apenas para coleccionadores adultos...
... e bem me lembro das várias vezes em que entalei uns dedos e cortei outros a brincar com este tipo de coisa (afinal de contas isto é lata e cheia de arestas!), sendo que nenhuma dessas mazelas me demoveu nunca de continuar a brincar com veículos destes. Acho que éramos mais rijos nos anos 70. Os brinquedos deixavam um puto cheio de cicatrizes, mas se calhar prepararam-nos para a vida, tipo tropa. Os petizes de hoje em dia nem nunca saberão sequer o que é espirrar com uma alergia ao peluche. O que os esperará, meu Deus, o que os esperará? A malta thirtysomething está praticamente preparada para sobreviver a um holocausto nuclear. E para quem tem dúvidas sobre isso, duas palavras: Granizados Fá. Nós ingerimos aquilo. E sobrevivemos.
O que eu sei é que esta motorizada (que, depois de se dar corda, descreve círculos perfeitos) é uma bela peça de colecção. Uma vez mais, obrigado!
Estou agora quase a acabar de ver a última série de Curb Your Enthusiasm (a sexta). À partida, tinha tudo para não funcionar tão bem como as anteriores: Larry David tinha definido a quinta temporada como a última e nela levou a loucura a um aparente ponto sem regresso. Já aqui o disse que me parecia que, depois do último episódio da quinta temporada, em que Larry David tem a sua near death experience e vai, por momentos, para o Céu, era difícil regressar cá abaixo para novas aventuras sem que parecesse que já tudo estava inventado. Mas o que é certo é que, neste regresso para uma sexta série (a pedido de várias famílias), o homem assina algumas das histórias mais delirantes e bem construídas da sua carreira, levando a um apuro máximo o tipo de coisa que já fazia nos tempos de Seinfeld: em 20 minutos ele lança duas ou três linhas narrativas que parecem impossíveis de conciliar e consegue ligá-las todas na perfeição, além de que está mais corajoso que nunca no rebentamento de tabus: a sexta época de Curb Your Enthusiasm faz comédia inteligente e destemida sobre a maneira como vemos, por exemplo, a morte, o cancro, a deficiência, a velhice, isto para além de levar as confusões em que Larry se mete e que o fazem parecer racista a níveis nunca antes alcançados. E há um cameo maravilhoso de John McEnroe. Que se irrita, obviamente. Suponho que para alguém que diz que algumas das partes favoritas da feitura da série são os momentos em que é violentamente insultado, para Larry David deve ter sido um ponto alto da carreira ter McEnroe a gritar-lhe um sonoro "fuck you"!
Sai em DVD (região 1 americana e 2 britânica) no fim de Janeiro, com esta bela capa...
No que toca a edição portuguesa, ainda só a primeira, se não estou em erro, é que foi editada em Portugal. E as más notícias é que parece que nenhuma das restantes será editada por cá, dadas as fraquíssimas vendas da edição nacional da série 1. É pena!
I Am Legend acaba por ser um dos filmes mais didáticos do ano: prova, de forma muito clara e transparente, os malefícios do excesso de dinheiro. Demonstra que rios de massa e de efeitos especiais só servem para estragar uma ideia que fora perfeitamente executada antes com 1% do orçamento. Sim, porque o filme de Francis Lawrence acaba por dever mais a 28 Days Later, de Danny Boyle, do que ao livro do genial Richard Matheson em que se baseia. Muitas vezes, I Am Legend parece mesmo o remake que Hollywood faria do filme de culto britânico, trocando a Londres deserta de Boyle por uma Nova Iorque igualmente deserta onde cartazes de Rent e The Producers e enfeites de um Natal passado, coexistem com vegetação alta, veados, leões... e uma espécie de zombies.
E é aqui, nesta espécie de zombie, que, para mim, reside um dos grandes problemas do filme. I Am Legend é interessante e razoavelmente abonado no que toca a suspense até ao momento em que Francis Lawrence mostra, finalmente, as criaturas ao espectador. E o espectador fica chocado pelas razões erradas: por perceber que, em vez dos humanos selvagens e reais que corriam desalmadamente atrás dos resistentes em 28 Dias Depois, os monstros de I Am Legend parecem saídos de Beowulf: são bonecos animados em computador (e é impressão minha ou têm quase todos a mesma cara?!), tão artificiais que, a cada aparição, a única coisa que, na sua fúria, conseguiram destruir foi o meu interesse de espectador num filme que até começa bem. Em Beowulf estas criaturas funcionariam - todo o filme era animado! - mas aqui ficam tão deslocadas ao pé dos actores humanos que acabam por fazer com que I Am Legend seja uma espécie de Quem Tramou Roger Rabbit do filme de terror. À parte disto, há que dizer que o argumento também não é grande espingarda: de que adianta partir das palavras de um Richard Matheson, quando é um Akiva Goldsman (Código Da Vinci, Cinderella Man, Uma Mente Brilhante, Batman e Robin) a reinventá-las e a poli-las para consumo no multiplex? E aquele final... Enfim.
De maneiras que estou desiludido. Não foi isto que os magníficos trailers me venderam durante estes meses todos. Não foi mesmo nada disto. Vou mas é pôr ali o 28 Days Later na maquineta, para desintoxicar...
Eu não conhecia os The Fiery Furnaces antes de Widow City, e com tanta gente a aconselhar-me o disco, ouvi-o e rendi-me rapidamente aos seus muitos e frenéticos encantos. Como já aqui disse em tempos, se há música de que gosto é aquela que se revela impossível de catalogar, e este duo saltita entre o rock, a pop, o musical, o desenho animado, proporcionando alguma da música mais deliciosamente tresloucada dos últimos tempos (o prémio, nesta categoria, vai para a canção My Egyptian Grammar). A canção aqui posta é Ex-Guru e mostra como Eleanor Friedberger é uma vocalista que, seguindo a tradição de vocalistas vigorosas e de forte personalidade como Debbie Harry, Chrissie Hynde ou Patti Smith, consegue ser, para além dessa herança, muitíssimo original.
Graças ao blog dos meus caros João Lopes e Nuno Galopim, descobri ainda os The Bird and the Bee, uma banda de pop alternativo tão bom que até a Blue Note Records (essa mesmo, a do jazz) se chegou à frente para os editar.
Os CTT podem querer passar toda uma imagem de modernidade, coolness e estilo, mas até me fazerem chegar a casa isto, que saiu de Inglaterra no dia 12...
... e isto, que saiu de lá no dia 13...
... peço imensa desculpa, mas quem diz FÓNIX sou eu.
Deprimente, o meu conceito de "estar de férias". Tendo em conta que hoje, apesar de não ter estado nas Manhãs da 3, tive de ir à RDP gravar o Nuno & Nando Especial Fim-de-Ano às 11 da manhã e que amanhã por essa hora tenho de lá ir outra vez gravar o Nuno & Nando normal, matinal, de sábado, chega-se à extraordinária conclusão de que, nesta altura da minha vida, "ir de férias" significa "começar a trabalhar ligeiramente mais tarde". Triste.
Seja como for, hoje gravámos o tal Nuno & Nando Especial Fim-de-Ano. Em que se distingue de uma normal edição do programa? Primeiro, vai para o ar na noite de fim-de-ano; depois, e porque vai para o ar na noite de fim-de-ano, inclui a habitual contagem decrescente para a meia-noite. Ora como gravámos hoje de manhã essa emissão de reveillon, isso significa que não tínhamos grande noção quanto à precisão com que iríamos fazer a contagem da passagem de ano - e é por isso que nos orgulhamos de ser o único programa de noite de fim-de-ano que tem, nada mais nada menos, do que quatro ou cinco contagens decrescentes para a meia-noite, senhoras e senhores. Jogámos pelo seguro. Uma delas - esperamos - vai bater certo com a hora.
Para este especial de fim-de-ano contamos com apenas um convidado - mas com uma verve tal que acaba por valer por meia-dúzia deles: Manuel João Vieira, artista plástico, ex-candidato à Presidência da República, líder dos Ena Pá 2000 e dos Irmãos Catita, protagonista da série televisiva portuguesa mais promissora dos últimos tempos, Um Mundo Catita.
No Nuno & Nando nocturno de fim-de-ano, o Manuel João fala de, basicamente, tudo. Desde o projecto Um Mundo Catita até dicas para um homem encontrar o amor. Fala de forma surpreendentemente séria em alguns momentos e, noutros, brinda os ouvintes com alguns dos piores palavrões que um artista já proferiu na rádio (o que vale é que, no dia e à hora que isto vai para o ar, há boas hipóteses de já estar tudo bêbado). Acima de tudo, mostra que é um gajo brilhante, se é que ainda havia dúvidas sobre isso. E relata empolgantes histórias de vida - desde a noite que passou na cadeia, ao momento em que, durante uma trip, ia pegando fogo a si próprio, para além de, durante um jogo de sueca, começar a ver as figuras de um baralho de cartas a falar com ele.
O Nuno & Nando Especial Fim-de-Ano inclui ainda uma nova participação do já lendário Senhor Que Come Sol.
Vai para o ar na noite de segunda para terça-feira entre as 23h e a 01h. Razão mais que suficiente para, este ano, passarem o revelhão ao pé de uma telefonia. O que é uma perspectiva absolutamente deprimente, até perceberem que esta longa e detalhada conversa com o homem que dá pelo nome artístico de Orgasmo Carlos é um verdadeiro documento histórico, podendo, pelo seu conteúdo, valer o despedimento dos autores do programa. Não há-de ser nada.
2 e 45 da manhã, madrugada de 25 de Dezembro. Está a acontecer aquele que é, possivelmente, o mais espectacular momento televisivo do ano. A SIC está a transmitir o imortal clássico infantil da Disney, Mary Poppins (exactamente para quem?).
Nos intervalos, publicidade:
Sim, no intervalo de Mary Poppins, um anúncio chega a convidar-nos a dar uma saltada à net para assistir ao promissor Loucuras Com a Minha Irmã Mais Velha e também ao sugestivamente intitulado O Banho de Iogurte. Mágico!
Antes de sair para a rádio, deixo-vos aqui duas coisas: uma é esta foto, que documenta a utilização que uma das personalidades do lar Markl tem andado a dar à arrebatadora almofada da Celine Dion que os alunos da Operação Triunfo me ofereceram, em directo, no sábado passado.
É que o diacho da almofada é mesmo um conforto, caramba. E a Stitch merece estas mordomias, depois do seu brilhante trabalho de actriz no sketch O Natal de Nuno Markl, que fizemos esta semana lá para a OT. De notar também que a Stitch - que está nos primeiros sinais de mais um cio - adoptou um Pollen Jock do Bee Movie como filho fictício (felizmente não do kit que a Lusomundo me enviou, mas um boneco que encontrei no chão, no Chiado) e já lhe abriu parte da cabeça à dentada. Meiga.
A outra coisa que tenho para vocês é este cartão de Natal do grande Sufjan Stevens, incluído como faixa multimédia da compilação dele de músicas da quadra, Songs For Christmas. A cantiga chama-se Put The Lights on the Tree. Boas festas, comunidade!