
E pronto. Já está. Por esta altura já fui informado, numa SMS incisiva e, simultaneamente, arrebatadora enviada pelo meu caro amigo Vasco Rolão Preto, da Endemol, de várias coisas sobre a emissão de
Dança Comigo onde, meu Deus, vou participar: já sei que estilos de dança vou levar a cabo (são dois); já sei que músicas de cada um desses dois estilos vou dançar; e também já sei quem vai ser a minha colega de concurso (e pressinto que, ela sim,
sabe dançar). Devido a um misto entre a intenção de
suspense e um elevado nível de angústia que me torna difícil teclar, não vou revelar nada disso neste momento. Digamos apenas que, enquanto não marco os ensaios com o mito vivo que é Marco de Camillis, já fui ao You Tube recordar as duas músicas que me esperam e tenho andado, nas últimas horas, a ver inúmeros videos de pessoas dançando os tais dois estilos. Como se fosse fácil.
Estou aterrorizado.
No fundo a sensação é um bocado a mesma que senti quando, na primária, e porque me esqueci dos calções em casa, decidi entrar no ginásio envergando cuecas brancas, na esperança que ninguém desse por isso. Esse evento, no qual
toda a gente deu por isso (e que vem narrado no primeiro livro
Há Vida em Markl) definiu para sempre o meu trágico rumo no que toca à prática de Educação Física e de qualquer tipo de desporto ou operação que envolva mover o corpo de forma exótica perante muitos espectadores. A razão porque sempre fui uma nódoa na ginástica, no desporto e na dança foi uma e só uma: desde esse fatídico dia da década de 70
que eu ando em cuecas. Cuecas mentais, bem entendido. A minha esperança, remota, é que fazer duas danças extraordinariamente
sexy em horário nobre, feche o círculo e me devolva a alma de indivíduo desinibido e confiante nas capacidades do seu corpo que eu tinha em petiz, minutos antes de ter tomado a decisão de entrar numa aula de ginástica em cuecas.
Em 2008, finalmente, vou vestir os
calções imaginários e comunicar aos presentes nesse grande ginásio que é a vida:
"O meu nome é Nuno Markl e sou o próximo a usar o cavalo de arções, obrigado e bom dia!"