Peço desculpa pela ausência de updates aqui no estaminé, mas fazer um reset de vulto à vida obriga a que as prioridades se revejam... Esta semana prometo que haverá mais posts! Hoje não queria deixar de chamar a atenção para o facto dos notáveis Elbow terem um disco novo chamado The Seldom Seen Kid. Como se espera desta rapaziada de Manchester, há no disco toda uma colecção de belíssimas canções - um exemplo particularmente inspirado e merecedor de repeat é a balada Weather to Fly. Ora escutem.




In other news
: ontem tive essa experiência surreal que se chama "jogar no bingo".  O Bingo em questão foi o do Belenenses, ali na João Crisóstomo, e não ganhei nada excepto a incontida alegria de ouvir pessoas com a voz extremamente bem colocada a disparar números como se não houvesse amanhã. O Há Vida em Markl de amanhã é precisamente um relato do maravilhoso mundo do bingo (por isso posso sempre dizer que a razão por que estava às três da manhã no Bingo do Belenenses foi estritamente por razões profissionais).


Estamos bem servidos de terror no cinema: antes de mais, devo dizer que não me desagradou nada, enquanto purista da obra de John Carpenter, a revisão que Rob Zombie fez de Halloween. Não se compara com o original - até porque esse tinha aquela suprema inovação de filmar boa parte das cenas como se de um ponto de vista de alguém se tratasse. Isto tornava o espectador quase um cúmplice das atrocidades cometidas por Michael Myers e revelava Carpenter como um dos grandes mestres da realização de horror. E é isso que faz com que, ainda hoje, o velhinho Halloween de 1978 seja dos slasher movies mais eficazes da História. Zombie, que provou com The House of 1000 Corpses e The Devil's Rejects ser um realizador com o feeling certo para o horror (o que não espantará quem conhece os ambientes da sua obra musical com os White Zombie), reinventa Myers como um monstro nascido do inferno white trash da América profunda, numa história de origem que, como dizia a revista Empire e muito bem, é, no fundo, um pedaço de fan fiction. E como fã que é, Rob Zombie filma com doses justas de reverência e inovação um psicopata clássico, prestando, neste remake, melhor serviço à série do que todas as sequelas juntas que Halloween teve. Não é melhor que os anteriores dois filmes de Zombie, que eram deliciosamente dementes, mas é um bom espécime do género e um nostálgico reencontro com uma besta sanguinária que qualquer amante do terror adora odiar. E tem um elenco cheio de lendas da série B, de Danny Trejo a Udo Kier, passando por Brad Dourif e Malcolm McDowell.

Melhor que o Halloween de Zombie, embora estejamos a falar de um tipo de terror radicalmente diferente, é aquele que, de uma assentada, consegue ser o melhor filme de Frank Darabont desde Os Condenados de Shawshank, uma das melhores adaptações cinematográficas de uma história de Stephen King, um dos melhores filmes de terror fantástico dos últimos tempos e, até ver, um dos melhores filmes da colheita de 2008. Nada tendo a ver com John Carpenter, The Mist - Nevoeiro Misterioso, parece por vezes o melhor filme de Carpenter não dirigido por Carpenter: está lá a crítica social e política disfarçada de horror, a claustrofobia, a eficácia narrativa arrasadora, sem perdas de tempo. E está lá, pronto, o nevoeiro. O melhor nevoeiro tenebroso desde The Fog. A história passa-se numa pequena vila americana que, após uma noite de temporal, se vê invadida por um nevoeiro denso que traz consigo um dos mais espantosos elencos de criaturas assassinas de que há memória. Barricados num supermercado, olhos horrorizados postos nas gigantescas janelas do estabelecimento com vista para o nevoeiro, habitantes da vila vivem um crescendo de tensão que, a dada altura, e quando fanatismos religiosos apocalípticos se aproveitam da situação, leva o espectador a questionar-se se não será mais terrível o monstro homem do que propriamente as sanguinárias criaturas que atacam no nevoeiro.

The Mist lembra os grandes clássicos dos anos 80 e devolve-nos o espírito de espanto, surpresa e inquietação que faz com que amemos coisas como The Thing ou Aliens. E Frank Darabont, até aqui especialista em adaptar a cinema os contos mais doces e realistas de Stephen King, mostra que tem unhas afiadas para tocar a guitarra do medo. E consegue um final surpreendente de que M. Night Shyamalan não desdenharia. Vale a pena aplaudir ainda Marcia Gay Harden num papel que, não fosse a Academia considerar o horror um género menor, lhe poderia ter valido nomeação para o Óscar. Um petisco - ou melhor: todo um banquete - para gourmets do horror fantástico.


Podia ser uma pergunta d' O Livro dos Porquês, mas é mesmo uma questão pertinente que fiz hoje no ar, no Há Vida em Markl, e que serviu para encerrar este capítulo da minha existência: sim, os Markls decidiram, amigavelmente - como não podia deixar de ser, depois destes 10 anos - cada um seguir o seu caminho. A decisão já está tomada há uns meses valentes e as papeladas já estão tratadas e tudo, mas só hoje achei que o timing era o certo para transformar o divórcio em material de comédia. Porque, se analisarem a obra de muito humorista, o divórcio é, de facto, inspirador a esse nível. Estando as coisas completamente resolvidas dentro de nós, não há nada melhor do que exorcizá-las.

Uma ouvinte escreveu-nos um e-mail, a seguir à edição de hoje do Há Vida em Markl, mostrando-se chocada com a maneira supostamente leviana como falei de um assunto delicado. Em primeiro lugar, quem decide do nível de delicadeza de um divórcio são os seus protagonistas - é uma coisa pessoal; não me passaria pela cabeça dissertar sobre divórcios alheios, seja para efeitos de comédia ou de homenagem aos separados. E depois, é a velha história: enquanto pensarmos que uma abordagem de comédia a qualquer coisa é algo de leviano, não me parece que cheguemos muito longe. Levianas, para mim, são as abordagens sisudas, hipócritas e correctas. A comédia, geralmente mais sincera do que a lamechice, ajuda-nos a evoluir.

Ontem, quando terminei o texto de hoje do Há Vida em Markl, a primeira pessoa a quem o li foi à minha ex. Ela riu-se e concordou com tudo. Isso foi o suficiente para ir para a frente com a edição de hoje.

Gostei dos relatos enviados por ouvintes divorciados sobre os destinos das suas alianças, mas a minha tese favorita continua a ser a da realidade paralela para onde elas são sugadas pouco tempo depois de abandonarem definitivamente os dedos. Mas continuo a dizer que se todo este ouro fosse reaproveitado, o país só tinha a ganhar. Ou então, aproveitem-se os nomes inscritos no interior das alianças: um ouvinte dizia que uma boa iniciativa era criar um blog onde recém-divorciados mostravam fotografias das suas alianças e ofereciam-nas a pesoas que estivessem para casar e que tivessem o mesmo nome que a ex do autor da foto. Isto é que é ser poupadinho, pá. Não me parece mal, isto do Ring Converters...


Era aqui:



(Sim, a fotografia parece um daqueles wallpapers campestres do Windows, mas fui eu que a tirei com o meu fiel telemóvel.)

Mas pronto, lá voltei do descanso e esta semana já vão acontecer por aqui algumas coisas com a sua laracha, nomeadamente a estreia do novo webisódio. Fiquem atentos ao estaminé. Mais logo direi coisas, que agora ando às voltas com trabalho.




Caros visitantes, aqui se informa que durante os próximos dias não haverá actualizações nem aprovação de comentários neste estaminé, uma vez que - para bem da sanidade mental do seu autor (e possivelmente da vossa, também) - ele vai estar encerrado para férias e o seu autor razoavelmente longe, em lugares onde não há rede de telemóveis, quando mais Internet. Voltarei aqui ao estabelecimento lá para o domingo de Páscoa. Até lá! Tende uma rica Páscoa!



Fui convidado para decorar, com liberdade criativa total, um dos Smarts que fará parte da Sm'ART Parade. O único senão é que tenho de ter todo um projecto idealizado e rabiscado até amanhã. Aaargh. Não há-de ser nada. Em última análise, ponho a banda sonora do Rocky IV a tocar e a coisa acaba por se fazer.

Esta iniciativa da Sm'ART Parade é bem interessante e além disso vai ajudar o CADin, o Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil. Por isso bem me posso esmerar na coisa. Ora onde é que eu pus as canetas, pá?...




Aqui está uma bela ideia da rádio americana, cujos ouvintes têm hábitos de escuta que vão mais longe do que meramente papar as playlists que lhes são servidas: pegar no pedaço mais histórico e revolucionário do espólio televisivo de Rod Serling, a série The Twilight Zone (Quinta Dimensão), que ainda hoje permanece como a melhor série fantástica da História - sou absolutamente viciado, devo assumi-lo - reunir bons actores como Jason Alexander (o George Costanza de Seinfeld), Jim Caviezel (Cristo, portanto) ou Robert Knepper (o sinistro T-Bag de Prison Break) e recriar, em audio, algumas das melhores histórias de mestres como Serling ou Richard Matheson para a série televisiva. A narração é, em 2008, assegurada por Stacy Keach, que tem um vozeirão que faz dele a escolha ideal para substituir Rod Serling nas famosas introduções aos contos.

A série anda a passar em diversas rádios americanas, mas os episódios podem ser comprados avulso no site oficial, e pela muito módica quantia de dois dólares cada (o que, em euros, é aquilo que pode ser definido como "o preço da uva mijona"). É claro que isto não dispensa a consulta dos episódios originais mas, para um fã devoto da série televisiva, é um petisco.




À partida, as minhas expectativas para o filme Jumper eram tão arrasadoramente baixas que, talvez por isso, eu tenha achado o diacho da coisa até divertida - de uma maneira tão série B que, por vezes, chega a resvalar para outras séries de letras mais abaixo no alfabeto. O filme é dirigido por Doug Liman, um realizador que, depois de fazer duas brilhantes comédias indie nos anos 90, Swingers e Go (por tudo quanto é mais sagrado, não percam estes dois filmes!), decidiu deixar-se engolir por Hollywood e tornar-se tarefeiro anónimo de blockbusters, sendo o seu melhor dessa fase o primeiro filme da série Bourne, The Bourne Identity.

Jumper tinha tudo para não funcionar: uma premissa de vale-tudo, o pouco carismático Hayden Christensen no papel principal e Samuel L. Jackson com um look que faz lembrar Abel Xavier. Vá-se lá saber como, Doug Liman consegue pôr a maquineta a andar bem, a passo rápido e seguro (ele é, de facto, um bom realizador) e proporcionar uma rica hora e meia de diversão. Não no sentido Spielberguiano da palavra "diversão", mas mais no sentido Feira Popular. O que, de vez em quando, até nem sabe mal.

A mim parece-me que o que seduz em Jumper é aquele ovo de Colombo da ideia-base: toda a gente gostava de se teletransportar em segundos para qualquer lado. Acordar em Benfica e dar uma saltada a Nova Iorque antes de ir para a Antena 3 era uma coisa que me agradaria deveras. Portanto, Liman e o argumentista David S. Goyer, um dos criadores da saga Blade, limitam-se a pôr o espectador a salivar com esse bombom e depois não se esforçam mais, deixando a tarefa para os técnicos dos efeitos especiais (alguns dos efeitos mais catitas do ano, diga-se, com especial destaque para o autocarro londrino que vai parar ao deserto).

É parvo? É, sim senhor. E chega a ser abusiva a maneira quase televisiva - no sentido mais anos 80 / Glen A. Larson da palavra - como a história se desenrola. É imaginativo? Nem por isso, embora espicace a imaginação do espectador, que começa a pensar no jeito que lhe dava saltitar daquela maneira. É divertido? Lá isso é. E até pode dar azo a uma sequela engraçada. Mas alguém devia tentar apanhar o Hayden Christensen antes dele saltar para outras paragens e dar-lhe uma estalada, a ver se ele acorda.




Fiz hoje o teste e posso dizer que sim, é oficial. Sempre com a banda sonora de Rocky IV no iPod:

- Cortei as unhas dos pés;

- Fiz uns ovos mexidos com salsichas;

- Apanhei com um saco de plástico do Continente uma pequena poia do Sharik, no jardim;

- E a dada altura, simplesmente, cocei a zona escrotal.

Senti-me heróico.

Passados estes anos desde a edição deste longa duração, estou em condições de dizer que Rocky IV é o disco mais útil que um indivíduo pode ter na sua colecção. Quase como um daqueles jacuzzi para pés que se vendem na D-Mail.



Convidaram-me para fazer o último episódio de Os Incorrigíveis e eu juntei-me à equipa de Rosa Mota - e que faz comigo, actualmente, os webisódios de Há Vida em Markl - para criar uma das coisas mais estranhas da minha carreira. Sim, estamos a falar de algo que chega a superar os momentos mais impenetráveis de O Homem da Conspiração. O que me soube bem, dado que nos últimos tempos entrei em programas como Operação Triunfo e Dança Comigo e ainda co-escrevi uma letra para o Festival RTP da Canção. Portanto, precisava de um almoço com Bruno Aleixo como de pão para a boca, pelo que recorri aos serviços de Pedro Santo, João Pombeiro e João Moreira e ao conhecimento que eles tinham de Bruno Aleixo, um indivíduo de Coimbra com um problema de saúde que o tornou peludo e que, entretanto, faleceu.

Bruno Aleixo - que, aproveito para relembrar, deixou ao mundo um Hi5 actualmente gerido pela sua família, mas que mantém os textos e a traça originais do peludo indivíduo - é o autor de todo um rol de conselhos práticos para a vida, e nesta edição de Os Incorrigíveis não só fornece dicas preciosas sobre economizar em restaurantes como ainda me propõe um jogo que não ficaria deslocado numa conversa de diner numa fita qualquer do Tarantino. Se o Tarantino estivesse ébrio, claro.

Senhoras e senhores, pronto para as vossas - compreensíveis - mensagens de ódio, eis o encantador registo da minha última conversa com o falecido Bruno Aleixo (R.I.P.). Na qual tenho, como já disse, um estranho orgulho.





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PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
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