Dois convidados que nada têm a ver um com o outro, como a gente gosta: Royalistick chega primeiro, autor do disco Portfolio e da canção Como Uma Estrela, em cujo videoclip qual os dois apresentadores de Nuno & Nando fazem uma perninha. A partir da lista de exigências das vedetas que vão ao Rock in Rio, perguntamos a Royalistick o que exigirá ele quando for uma superestrela. A resposta é surpreendente para um rapper, e em tons de cor-de-rosa.
Royalistick é um bom conversador, mas a dada altura um furacão chamado Rita Blanco entra no estúdio e os apresentadores ficam muito perto de perder o controlo da emissão, à medida que a actriz - que faz o papel de uma dona de casa pacata na excelente série Conta-me Como Foi - vai dissertando de forma imparável sobre temas diversos como o português falado de Marco de Camillis, a sua participação na lendária série A Mala de Cartão, de Linda de Suza (onde revela ter feito o papel da própria mala) e as centenas de coisas que a irritam. É todo um show que convém ser ouvido amanhã, entre as 11 e as 13, na Antena 3.
Ainda estou indeciso sobre qual dos gigantes da TV irei, definitivamente, escolher - Zon ou Meo - mas há uns meses que ando a fazer um test drive ao Meo que me leva a concluir que o serviço está catita, os canais HD (como o National Geographic HD) enchem o olho, mas a selecção de canais deixa muito a desejar em relação à da Zon (sim, o Meo agora tem o Fox Next e o Fox Crime, mas que é de outros Foxes do pacote Funtastic Life da Zon e também coisas jeitosas como a MTV 2 ou o VH1 Classic, com a sua selecção de clássicos mais inesperados do que o VH1 normal?). Hoje, pela primeira vez - e acreditem que foi a primeira; vocês sabem que eu não esconderia uma informação destas de vocês - decidi usar o código que me foi dado para desbloquear a zona para adultos do videoclube do Meo e assim navegar pela selecção de títulos disponíveis para aluguer. Fiquei contente com o que vi: a pornografia nacional está representada com pujança, com títulos como A Quinta do Conde, uma promissora paródia porno à Quinta das Celebridades ou Estrelas Nuas:
Alto! Que vejo? Para já, vejo que as estrelas porno portuguesas têm nomes como Holmes João ou Naomi Colmeia. Anjo Duarte é também bonito. Mas o melhor de todos é, sem dúvida...
HABEL CHAVIER
Espectacular. Porque até uma pessoa olhar para o papel (ou no ecrã) onde está escrito, este nome, quando dito, soa rigorosamente a Abel Xavier, o que, por momentos, leva a crer que o capilarmente arrojado futebolista tem uma carreira paralela no mundo da videotrungalhunga.
Decidi pesquisar um pouco mais sobre a hobra - perdão, a obra de Habel. Eis que encontro uma filmografia já com já três títulos, e sugestivos:
Está efervescente, a pornografia nacional. E eu ainda não perdi a esperança de escrever um argumento para essa indústria em expansão. Se um dos protagonistas for o Habel Chavier e a outra a Naomi Colmeia (um nome que parece extraído do elenco de personagens do Bee Movie), tanto melhor.
Continuando as investigações pelo espólio de pornografia do Meo, encontro o tipo de títulos que adoro, ou seja, aqueles que explicam imediatamente o conteúdo da obra, sem floreados nem arabescos. Assim é que deve ser, uma vez que a pornografia está cara e um indivíduo convém logo saber ao que vai antes de despender o dinheiro arduamente ganho. Destaco obras como:
Grande Vergas Negras em Traseiros Bem Apertados e Grandes Vergas, Trios e Sexo Anal com Joey Silvera são o tipo de título que todo o filme deveria ter. Está tudo explicado, ninguém perde tempo. E já que falamos de Joey Silvera - no fundo, o Habel Chavier estrangeiro - há que dizer que é protagonizado por esse actor o filme cujo título lhe serve também de curriculum vitae, sempre que ele anda à procura de trabalho:
O mais recente disco de Mike Patton, alma e voz por trás de projectos musicais tão diversos e criativos como os Faith No More, Mr. Bungle ou Fantômas, é também o filme de que é a respectiva banda sonora. Numa experiência inovadora, A Perfect Place, o disco, vem servido com A Perfect Place, o filme (em DVD)... e a aquisição recomenda-se. Não só porque a música é exactamente aquilo que se espera de um Mike Patton com rédea solta, um festim experimental que saltita por géneros que vão do rock ao ambiente de film noir, com um toque de Ennio Morricone à mistura, mas porque o filme, uma curta metragem de 25 minutos, é uma pequena e despretensiosa comédia negra, num preto-e-branco sugestivo, e que faz lembrar o típico assassinato-que-corre-mal à Irmãos Coen.
O realizador de A Perfect Place é Derrick Scocchera, que até aqui fizera um belo documentário sobre o lendário série Z de Richard Elfman, Forbidden Zone, e que se estreia na ficção com esta desconcertante comédia interpretada por Mark Boone Junior e Bill Moseley, secundários de Hollywood com carreira feita no cinema independente e na série B. Esta experiência de música e ficção num só pacote está à venda na FNAC e o trailer (onde pode ser também ouvida uma porção da incrível música de Patton) reza assim:
Estou aqui na rádio e tenho à minha frente a lista das exigências das estrelas internacionais que vêm ao Rock in Rio e há coisas surpreendentes.
Uma delas é que, infelizmente, não podemos gozar com Bon Jovi - o homem tem a humildade de exigir apenas uma canja de galinha e comida sem glúten. Outra é que Amy Winehouse pode não exigir nada de particularmente excêntrico (quer, como seria de esperar, vinhaça - ela diz a marca e o ano de colheita desejados) mas deseja canecas de porcelana chinesa. Vai certamente acabar tudo em cacos, e não seria mal visto incluir água oxigenada e mercuriocromo no camarim da senhora (partindo do princípio que ela vem).
Os prémios "Do Que Tu Precisavas Era De Um Par De Estalos": para os Tokyo Hotel, que pedem coisas que alimentam a nossa ânsia natural de gozar com eles: são uma banda rock que deseja "gomas com a forma de ursinhos". Penso que não vale a pena acrescentar nada mais sobre isto. E sim, eu ingiro gomas, mas, porra - são daquelas a sério, ácidas, que fazem tremer o olho direito.
Mais um prémio "Do Que Tu Precisavas Era De Um Par De Estalos" para Rod Stewart. Diz que quer no camarim 24 bolas de futebol. Tudo bem, se pudermos reunir um grupo de malta gira para as chutar na direcção dele, numa salinha pequena.
A outra notícia "PAM!" desta manhã tem a ver com a visita dos Reis da Noruega ao nosso país. Extraí do 24 Horas o programa de festas para hoje, que se afigura espectacular:
Por amor de Deus, pessoal: cuidado com os carrinhos. Aquilo são tornozelos reais.
ATENÇÃO: Esta análise pode conter algumas informações passíveis de funcionar como spoilers... Nada de bombástico, mas aqui se referem alguns pormenores do filme.
Esta é uma discussão interessante: um dos argumentos recorrentes de quem não gostou de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal é que a história está cheia de coisas forçadas, pouco realistas, estúpidas. Isto parece-me um total e completo disparate. Suponho que a travessia de uma ponte invisível - uma ponte invisível, senhoras e senhores! - e o encontro com um cruzado guardião do cálice sagrado, no unanimemente celebrado A Grande Cruzada, seja mais realista?
Quanto aos extraterrestres, que muita gente acha deslocados do universo de Indiana Jones, faz todo o sentido: que mito mais "Jonesiano" do que este, o que diz que "eles" já cá estiveram e andaram associados às civilizações antigas? De estranhar, era que Spielberg e Lucas ainda não tivessem referido isso em nenhum dos tomos da saga. E faz sentido também se analisarmos a coisa por outro prisma: os filmes de Indiana Jones são baseados nos velhos serials e aventuras série B da juventude dos seus criadores. Há nos três filmes anteriores ecos de coisas como os filmes de Tarzan, por exemplo. O disco voador que surge em O Reino da Caveira de Cristal é série B anos 50 puro.
Sou sincero: acho difícil que um genuíno fã possa detestar este filme. Um fã devoto poderá gostar menos, mas nada há em O Reino da Caveira de Cristal que seja assim tão afastado do universo e da qualidade dos filmes anteriores. Agora, "detestar", como muito auto-intitulado fã prega aos sete ventos? Acho excessivo, mas não vou entrar por um debate sobre gostos - cada um saberá de si e do que achou do filme.
O que me parece - e já há quem, entre os espectadores que não gostaram tanto do filme, assuma isso - é que muita gente envelheceu antes de Indiana Jones. E a culpa disso não é do filme... De 1989 a esta parte perdeu-se alguma da inocência que fez com que muita gente amasse os três filmes anteriores, ao ponto de eu achar que se, por exemplo, A Grande Cruzada estreasse hoje, levaria exactamente com as mesmas críticas sobre "inverosimilhança" e "estupidez" que, tristemente, O Reino da Caveira de Cristal está a levar. Parece que estou a ver: "Como é possível, eles encontrarem um cruzado vivo a guardar o Graal? Tão forçado!"
Gosto de manter vivo um pedaço da mesma inocência e entusiasmo que me fez ficar fã dos três filmes anteriores e acho que é isso que faz com que tenha adorado O Reino da Caveira de Cristal e me tenha divertido à grande a ver este filme. Reconheço que não será o melhor filme da saga, mas é um bom, divertido, imaginativo, louco filme de aventuras, como já não se faz em Hollywood. O Reino da Caveira de Cristal pede que se deixe o lado adulto e racional à porta da sala de cinema. Sim, todos sabemos que um ser humano não sobrevive a uma explosão nuclear dentro de um frigorífico. Mas este ser humano é o Indiana Jones. Olhando para tudo o que já lhe aconteceu desde 1981, não acham que, de uma forma realista, ele já devia estar morto há que tempos? Toda a sequência no bairro artificial no campo de testes nucleares é um delírio puro, quase de desenho animado (e não esqueçamos que Spielberg nunca escondeu as influências de Chuck Jones e dos cartoons clássicos da Warner Bros).
A mim chocou-me que, nesta ânsia por questionar a verosimilhança de um filme de assumida e delirante fantasia como este (e como os outros da saga) alguém - não me lembro qual de vós, leitores - tenha até questionado a cena das cascatas... Se todas aquelas quedas de cascata não são Indiana Jones 100% puro, não sei o que será!
O meu conselho: revejam a trilogia clássica, que me parece que muitos dos que se insurgem contra o novo filme já não devem ver os antigos há que tempos. E depois vejam (ou revejam) O Reino da Caveira de Cristal com outros olhos. Os mesmos com que vimos os filmes anteriores em 81, 86 e 89. É capaz de ser um esforçozinho, recordar o espírito com que alinhámos em Salteadores da Arca Perdida, Indiana Jones e o Templo Perdido e Indiana Jones e a Grande Cruzada, mas eu tenho cá para mim que vale a pena.
É isto que se anda a ouvir aqui por estas bandas. E esta guitarra no arranque da canção? C'um cacete.
Ah, gandas Hot Chip.
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal até pode não ser o melhor filme da saga, mas depois de uma dieta de anos e anos de sucedâneos sofríveis como os Tomb Raiders, National Treasures ou os Saaras desta vida, ver o trono da grande aventura ser reconquistado por quem o merece, chega a ser comovente. Uma das coisas mais extraordinárias desta quarta aventura de Indiana Jones é o facto de quase só no ambicioso e delirante final - em que a loucura visual se equipara menos à ficção científica dos '50s, como parecia ser a ideia, e muito mais a um anime - Spielberg utilizar uma sobrecarga de efeitos de computador que obrigaram os actores a contracenar com o famigerado ecrã azul. De resto, e à boa maneira dos três volumes que o antecederam, O Reino da Caveira de Cristal tem durante boa parte do tempo stunts levados a cabo por duplos de carne e osso e não reproduções CGI dos actores, cenários à antiga, palpáveis, com as tradicionais armadilhas, enigmas e puzzles em pedra e a sensação de que todos aqueles lugares, pejados de cadáveres mumificados e tesouros escondidos, existem mesmo - como o templo perdido ou a gruta do cálice sagrado nos filmes anteriores. Em suma: entre a espectacular cenografia, a música de John Williams e a maneira como Harrison Ford parece ir rejuvenescendo à medida que a fita avança, apanhando na perfeição todos os pormenores que fizeram da sua personagem um dos heróis mais míticos do Cinema, é impossível que mesmo os mais cépticos não se divirtam pelo menos um bocadinho com este regresso de Steven Spielberg ao cinema puramente fun.
A verdade é que ele faz isto melhor que ninguém. Correndo o risco de parecer velhinho, começa a faltar-me a paciência para as fitas de acção dos realizadores formados na publicidade e nos videoclips, como Michael Bay. Não há um momento em O Reino da Caveira de Cristal, por mais frenético que seja (e há momentos brutalmente frenéticos) em que o espectador não perceba, de forma clara, tudo o que está a acontecer. É a abordagem old school de Spielberg, sem excessivas histerias na montagem e nos movimentos de câmara, e a acção a ser mostrada quase com a clareza de uma página de comic book. Ou seja - é lindo, porra.
Depois há uns bónus bem catitas para fãs mais hardcore, entre os quais, orgulhosamente, me incluo. O mais óbvio é o regresso de Marion Ravenwood (Karen Allen, sabendo envelhecer com estilo), a mulher da vida de Indy, que não víamos desde Os Salteadores da Arca Perdida; o mais obscuro - mas passível de fazer um Indiana-geek bater palminhas de contentamento - é uma referência a um dos episódios da série televisiva Young Indiana Jones (quando Indiana fala na sua aventura ao lado de Pancho Villa). Não há nada mais entusiasmante para um fanboy do que perceber a atenção que os Srs. Spielberg e Lucas andam à dar à coerência da mitologia do herói. Sim, são coisas anais, mas eu sou um geek do camandro, já deveriam saber isso por esta altura! Também é giro o detalhe da utilização do logotipo antigo da Paramount, no início, e o tradicional raccord entre a montanha da produtora e, como é habitual, uma montanha qualquer do cenário. Neste quarto tomo, Spielberg começa logo por fazer um gag com isso, afastando desde os primeiros segundos do filme qualquer sugestão de que a saga esteja a ficar mais séria com a idade.
No que toca às novidades de O Reino da Caveira de Cristal, há que fazer vénias a Cate Blanchett e Shia LaBoeuf. A bela Cate, uma vez mais provando a capacidade camaleónica que faz dela uma das maiores actrizes do mundo, adopta um sotaque de vilão russo daqueles tão espectacularmente arrebatados que chega a fazer cócegas no céu da boca do espectador. LaBoeuf, claramente a fazer-se ao piso da sucessão (consigo perfeitamente imaginar, daqui a uns anos, o clássico logotipo vermelho e amarelo escrevendo MUTT WILLIAMS em vez de INDIANA JONES) continua eficazmente a desenvolver o seu estilo de herói muito anti-heróico e de ar perdido, fazendo às vezes lembrar um jovem John Cusack.
Sim, O Reino da Caveira de Cristal pode até ser o volume menos bom da saga - mas isso não o impede de ser uma das melhores aventuras que Hollywood pariu nos últimos anos e uma lição em cinema de acção. Eu diverti-me que nem um puto sem pêlos. Apesar de ser um adulto que continua a não ter pêlos por aí além.
Aos interessados, hoje sai no Público o texto que fiz sobre Buster Keaton (Da Comédia Enquanto Coisa Séria) para a colecção de livros e DVDs dos Cahiers du Cinema. Dia 30 de Maio sai o livro sobre Keaton, acompanhado pelo DVD do genial Pamplinas Maquinista (The General, no original), uma das melhores comédias mudas da História... Muito aconselhável, esta colecção de livros e filmes sobre os incontornáveis do cinema.