Há que dizê-lo: o Porto é onde se concentram os meus mais expansivos e calorosos admiradores. De todas as vezes que lá vou, seja em trabalho ou em lazer, os portuenses emanam simpatia (e, afinal de contas, o ponto alto d' O Homem Que Mordeu o Cão aconteceu lá, no Coliseu, quando apresentámos aquilo ao vivo para três mil pessoas capazes de transformar um show intimista, em que três pessoas contam histórias sentadas à volta de uma mesa, numa espécie de concerto rock). Todo esse calor merece retribuição sincera: eu sou fã das pessoas do Porto. E na passada segunda-feira lá estavam elas na Alfândega, para a festança de Noite de São João em que eu e o Fernando Alvim (co-organizador do evento) fizemos o mais eclético e demente DJ set de que há memória e onde, de canções de protesto de Nel Monteiro a Woodpeckers From Space, passando pelo tema do Noddy, tudo foi tocado (lá pelo meio também passámos algumas coisas realmente boas - e não, o Final Countdown dos Europe não está nessa categoria).

 

O que podem ver aqui em baixo é o delírio dessa noite condensado em 13 minutos de pura emoção. Inclui pessoas com diferentes níveis de álcool no organismo dizendo coisas com diferentes níveis de nexo, três indivíduos perdidos dentro do edifício da alfândega (porque um deles convenceu os outros de que havia lá dentro janelas de onde se via melhor o fogo de artifício), fogo de artifício, carrinhos de choque e, infelizmente, apenas uma porção muito breve da lenta e tortuosa saída do recinto da festa, às quatro da manhã, com o nosso carro a empatar constantemente o trânsito (já de si caótico) precisamente porque os fãs nortenhos não paravam de nos travar o caminho para conversar, tirar fotografias e pedir autógrafos (houve também um - desgraçadamente, não o captámos na câmara! - que se ofereceu para me levar a um bar de prostituição que ele conhecia e que assegurava que era muito bom). Foi por isso e para que os carros que vinham atrás parassem de nos insultar, que, a dada altura, tive de fazer parte do percurso de cabeça baixa, fingindo que estava à procura de qualquer coisa no chão do carro. Não levem a mal - foi tudo em nome da fluidez do trânsito.

 

Foi uma noite magnífica, embora os nossos planos de dedicar uma porção da música do nosso momento DJ a canções lendárias do Laboratolarilolela tenham saído furados. Esqueci-me que às duas da manhã uma multidão embriagada nem sequer na Ninfa Artemis está interessada, preferindo coisas que, basicamente, saiba cantar. Quando nos atiraram uma garrafa de vinho - uma garrafa de vinho, fosga-se! - achámos que era boa ideia avançar por caminhos mais previsíveis mas mais seguros. Já agora, ao imbecil que atirou uma garrafa de vidro a dois gajos indefesos num palco, há que dizer que é o único portuense que odiamos e a quem desejamos mal - embora me pareça que a esta hora ele já não se lembre que tentou acertar em dois seres humanos com uma garrafa de vinho, o grunho do cacete. O que me consola é que, por tê-la atirado, desperdiçou pinga (sim, a garrafa ainda tinha vinho dentro!). De resto atiraram-nos coisas tipo latas e garrafas de plástico - mas isso é normal e até agradável, quase como uma espécie de beijo da multidão. Uma espécie.

 

 



Para quem não anda a par das novas da cultura popular, Steven Spielberg inventou um videojogo. A parte curiosa é que, quando estava toda a gente à espera que do realizador de ET surgisse uma elaborada aventura interactiva, com uma história forte e gráficos do outro mundo... surge isto:

 

 

Depois de ler pela net fora inúmeras críticas entusiásticas a esta experiência Spielberguiana pelo mundo dos jogos, lá perdi o amor a 39 euros e comprei ontem Boom Blox. Não sei como é que ele fez isto, mas Steven Spielberg é capaz de ter inventado o Tetris do novo milénio.

 

 

A ideia não podia ser mais básica: perante nós desfilam elaboradas construções feitas com blocos de diversos materiais e reacções. A ideia é, usando o comando da Wii como se de uma bola de baseball se tratasse (mas sem o atirar contra a televisão, por favor), derrubar as construções no menor número de traulitadas possível. Tudo o que seja mandar abaixo coisas é libertador (aliás, parte do fascínio do maravilhosamente perverso Grand Theft Auto IV reside, precisamente, no prazer de destruir), mas o imediatismo básico de Boom Blox torna a coisa desavergonhadamente viciante.

 

É por isso que estou a sofrer. Tenho uma série de textos para escrever esta noite e a caixa de Boom Blox ali ao fundo, a olhar para mim e a rir-se, a grande porca. Obrigadinho, Sr. Spielberg...

 

Raça do barbas, que a fez bonita!



 

A nossa obra semanal já está disponível para visionamento na secção Multimédia do site da RTP. Esta semana com futebolistas amigos, uma estrela do hip-hop nacional a ser massacrada de mais do que uma maneira e a nossa ideia do que é um livro de auto-ajuda: O Sussurro. Ide ver.



Com um escaldão dos antigos, mas feliz e contente. Apesar de continuar um indefectível do campo, admito que o grande problema que eu tinha há anos com a praia tinha a ver com uma questão muito simples e elementar: eu não conhecia praias de jeito. Até agora.

 

Assim sendo, tenho as pernas e as costas que nem lagostas e é possível que ainda haja um ou outro grão de areia sinistramente alojado nas minhas virilhas; mas o prazer de estar quase uma hora seguida a nadar, a mergulhar ou simplesmente de molho compensa todas as mazelas. Sobretudo não havendo pessoas a gritar nas imediações nem senhoras de meia-idade encorajando os seus petizes a urinar ali mesmo ao pé da cara do banhista mais incauto. Não havia nada disto, pelo contrário. Foi tudo perfeito. Tudo.


Agora, se me dão licença, vou passar creme hidratante, armado em menino. É que chegar a casa com as pernas assadas e levar com as amistosas patas de Sharik directamente em cima delas é qualquer coisa de indescritível.

 

Ah - antes disso, e já com uma das mãos repleta de creme, partilho convosco a leitura de praia destes últimos dias:

 

 

Do dude que fez o filme Super Size Me, o livro onde ele conta a sua odisseia em torno do globo, em busca não apenas de Osama bin Laden mas, acima de tudo, daquilo que nos afasta e aproxima dos "inimigos do Ocidente". É divertido, informativo, e o olhar algo Big Lebowski de Morgan Spurlock perante o presumível apocalipse acaba por conter algumas surpreendentes doses de esperança no futuro. O filme com o mesmo título é capaz de ser bem interessante.



 

Regressado de uma noite alucinante no São João, no Porto - noite essa que está documentada num alucinante video que em breve será colocado aqui e onde participam Fernando Alvim, Rui Pedro Tendinha e diversos cidadãos do Porto com diferentes níveis de álcool no organismo, embora sempre upa-upa - aproveito esta breve passagem por casa para anunciar que durante os próximos dias estarei de férias e longe de sítios com computadores, internets e afins, pelo que é bem provável que só haja novos posts e aprovação de comentários lá para o fim-de-semana.

 

Logo à noite, convém lembrar, estarei com o cartoonista Luis Afonso e o meu compincha de escrita humorística Francisco Abelha no Acontece em Beja, uma conversa na Biblioteca Municipal de Beja, apresentada por Carlos Pinto Coelho. É às 21h30. Apareçam!

 

Depois, zarpo para longe da confusão e vou para lugares onde o único incómodo será terminar o dia, eventualmente, com areia nas virilhas (ainda e sempre um flagelo da praia).

 

Deixo-vos com algum do material que escrevi com o Francisco Martiniano Palma no episódio de domingo d'Os Contemporâneos e do qual estou particularmente orgulhoso. É pena que estivesse tudo a ver a bola na concorrência. Mas nada há de mais aconchegante do que estar de consciência tranquila no que toca à qualidade do trabalho. Acho que fizemos bons sketches. Aqui ficam:

 

 

 

 

 

NOTA: Na rádio poderão ouvir, seja como for, material novo nos próximos dias (à excepção do Laboratolarilolela), uma vez que fiz trabalho de casa e deixei Há Vida em Markls e Livros dos Porquês feitos. Um forte abraço.



 

E dizem vocês: "Boa! Em que cinema está em exibição?". E eu respondo: em nenhum. Apesar de todas as nomeações e homenagens, Os Savages foi atirado para um lançamento DVD sem glória. As boas notícias é que toda a gente pode - deve - comprá-lo. As más notícias é que a capa do DVD não tem o belíssimo poster de Chris Ware que vemos acima.

 

Para que não demorem muito a encontrá-lo nos escaparates das lojas, a capa portuguesa é a mesma da edição americana, ou seja:

 

 

Do filme falo com detalhe quando tiver tempo, que agora tenho um comboio para apanhar. Mas o meu entusiasmado conselho é: pelas vossas alminhas, não percam The Savages. O filme de Tamara Jenkins, com Laura Linney, Philip Seymour Hoffman e Philip Bosco, é um dos melhores filmes americanos de 2007, merecendo tanto ou mais respeito e admiração que Haverá Sangue ou Este País Não É Para Velhos. É uma pequena e intimista obra-prima daquelas capazes de fazer do espectador melhor pessoa. Vejam, que eu agora tenho de ir apanhar o comboio para o Porto.

 

 



Há duas coisas francamente extraordinárias neste video do blog da Selecção Nacional, Tudo Por Todos. Uma é o tom com que o chefe de cozinha da Selecção, Luis Lavrador, entrevista Petit, tom que é inquietantemente similar ao que um adulto põe na voz quando está a falar ou com uma criança, ou com um adulto com severos problemas a nível mental (temi que, a dada altura, o cozinheiro perguntasse ao futebolista, "então e diz-me lá, Petit, gostas mais do papá ou da mamã?"); mas realmente digna de nota é a ratazana negra que, aos 1'43'' de video, vemos lá atrás atravessando a cozinha por trás de umas caçarolas.

 

 

Obrigado ao leitor Afonso Rosa por me ter chamado a atenção para este encantador momento de audiovisual.

 

ADENDA: Rato ou cabeça de indivíduo? Um leitor levanta essa questão e a minha análise mais detalhada é ainda inconclusiva. No entanto, vejamos o frame em que a silhueta negra surge:

 

 

Lá está: a coisa negra continua, ainda assim, a não me parecer uma cabeça humana, até porque parece estar do lado de cá da cozinha, surgindo por aquela janela, de trás das garrafas. Mas se alguém conseguir apresentar um estudo mais detalhado e convincente sobre esta temática, que avance, porque, para mim, este é claramente dos assuntos mais interessantes do Euro 2008.



Se há finado que certamente rejeita um R.I.P. é George Carlin. A esta hora, o patrono da moderna stand-up comedy americana está a arder decerto no Inferno, mas com o gozo de quem está apenas num relaxante banho quente ao fim de um dia de trabalho. Era e há-se ser sempre um génio, e o homem que abriu portas por onde, mais tarde, passariam outros génios do género como Robin Williams ou Jerry Seinfeld. Não há muito tempo, fez uma série de sublimes observações sobre a morte que um fã deixou há umas horas no You Tube. Aliás, é comovente ver a enxurrada de homenagens que, desde que a morte de Carlin foi anunciada, surgiu no You Tube. Não seria qualquer um a ter honras destas. George Carlin merece-as todas.

 

 



 

Vénias à equipa da RTP Multimédia pela habitual rapidez com que pôs online mais um volume d'Os Contemporâneos, pouco tempo depois de ter ido para o ar na RTP-1. Podem ver a nossa mais recente obra, aqui. Inclui uma das rábulas que mais gozo me deu a co-escrever: a entrevista de emprego do indivíduo que está um bocadinho apanhado da gripe. E o regresso do chato que manda as pessoas trabalhar, mas é... e também a expansão de uma ideia explorada num longínquo Há Vida em Markl da Antena 3: o tributo sentido às pessoas que tocam ferrinhos.



A RTP convidou-me para integrar um grupo de observadores do Euro 2008 e fazer vaticínios para os diversos jogos do Europeu. Até aqui tudo bem. Perdão: até aqui, tudo mal - ninguém no seu perfeito juízo me convida para nada que tenha a ver com uma migalha que seja de futebol. Até porque, para observador, eu não fazia grandes tenções de observar muitos jogos do campeonato. Mas o que é certo é que me convidaram, e de vez em quando o meu caro Jorge Alexandre Lopes telefona-me a disparar nomes de equipas em confronto e a pedir-me resultados. Sem nenhum exagero, devo dizer que para esta tarefa entrei no meu modo "máquina de frutas". Sabem aquelas máquinas dos casinos? A gente puxa a alavanca e surgem desenhos de frutas, aleatoriamente, e de repente, sem saber bem como, a máquina começa a vomitar dinheiro? Foi um bocado isso, mas sem a parte das moedas a cair. Eu não percebo nada de bola, por isso, perante enigmas insondáveis como "Turquia - República Checa", a minha resposta saía depois de accionada uma alavanca mental e seja o que Deus quiser.

 

O bizarro de tudo isto é que, estando firmemente posicionado no fim da tabela que partilho com muita gente ilustre e conhecedora de bola, ainda assim consegui ficar à frente do meu bom amigo José Nunes que é só um dos melhores jornalistas / comentadores desportivos que temos neste país.

 

 

Como é que isto aconteceu? Não faço ideia. Mas, possivelmente, todos estes 10 anos de manhãs a ouvir e a participar na Linha Avançada - nos programas matinais da Rádio Comercial e da Antena 3 - acabaram por fazer com que, de uma forma inconsciente, o meu cérebro esteja impregnado de mais informação e conhecimento de bola do que alguma vez irei precisar durante toda a minha vida. Nunes, pá. Repõe lá a ordem dos factos e passa mas é para a minha frente, que eu faço questão de acabar esta coisa em último. Olha que caraças.





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PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
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