A discussão que decorre no You Tube, na zona de comentários do video que fizemos sobre LittleBigPlanet, é um triste testemunho da falta de sexo que grassa neste país. Há pessoas a insultar-se (e às mães alheias) por causa de consolas de videojogos. Ora bom: eu aprecio consolas de videojogos (e não teria gravado a voz para LittleBigPlanet se não achasse que essa é uma forma de entretenimento - e mesmo de arte! - tão nobre como, por exemplo, o cinema).

 

Só que quando vejo indivíduos a perderem a cabeça e a insultarem outros desta maneira por causa de consolas, tenho tendência a recordar uma coisa: atenção, que no centro dessas zaragatas tão aparentemente embebidas em testoesterona, está um objecto que se vende em lojas de brinquedos.

 

Que é como quem diz:

 

Ó senhores, tenham juízo.




Só uma breve nota antes de recolher ao leito para dizer que hoje, n'Os Contemporâneos, aconteceu um daqueles momentos de encontro mais que perfeito entre o que estava na cabeça do autor e o que se viu na TV: o sketch que escrevi com o Francisco Palma sobre o efeito do uso excessivo de telemóveis num grupo de executivos ficou tão espectacularmente interpretado, realizado e montado que só tenho pena que ele ainda não esteja na net para o mostrar já aqui, agora. Fica para amanhã.

 

Na altura da gravação já tinha ficado com a sensação de que estava tudo a conjugar-se para o resultado ser em cheio. Tive uma participação curtíssima na rábula, mas foi um verdadeiro nirvana criativo estar sentado naquela mesa de reuniões a observar tanto artista talentoso a transformar em ouro o que nós tínhamos posto no papel.

 

C'um camandro, gosto mesmo deste emprego.



Uma pequena aventura que fizemos para a Sony Computer Entertainment sobre a maneira profissional, dedicada, obsessiva e doentia como me entreguei à gravação da voz-off para o deslumbrante jogo LittleBigPlanet.

 

 

A fatiota é um espanto. Vénias à Tina Costa, a figurinista d' Os Contemporâneos e do Gato Fedorento, por ter criado aquele incrível sack-suit, que superou as minhas mais irreais expectativas quando idealizei o vídeo! A Tina é, de facto, a maior.

 

O jogo está prestes a chegar às lojas!



Obrigado ao leitor Zeca por me ter enviado este link. E à resposta rápida e civilizada que Wikipedistas deram ao meu ataque de fúria!



Constato agora isto: por ter mexido na minha vandalizada nota biográfica, fui castigado:

 

 

Diz lá que o autor do bloqueio é um indivíduo chamado Eric Duff, de São Paulo. Ironicamente, o senhor que me pôs a um canto sem sobremesa por ter mexido na minha própria nota biográfica, entre as várias mensagens que podem ser lidas no seu perfil, tem esta:

 

 

Pois. E também estas:

 

 

Mas pronto, não vamos agora pegar-lhe por aí.

 

Eu acho que a Wikipedia, na sua essência, é um belíssimo projecto. Agora, nunca deixará de ser uma brincadeira pouco fiável. São vários os jornalistas que me vêm entrevistar munidos de uma impressão da minha nota biográfica da Wikipedia, e que - mais bonito ainda - baseiam as suas perguntas em imprecisões que lá estão e que eu tenho de perder tempo, na entrevista, a corrigir. E isso é que é o pior: não é tanto a Wikipedia em si; é a fé cega que uma parte da imprensa actual tem numa coisa que lhe cria a ilusão de que operações como o trabalho de pesquisa, que faziam parte da profissão de jornalista no tempo em que eu comecei a trabalhar no ramo, tornaram-se inúteis e demodé, a partir do momento em que há uma enciclopédia na net onde, aparentemente, a papinha está toda feita... e onde eu sou um predador sexual com cadastro. Isto diz muito sobre a imprensa moderna...



 

A Wikipedia é, de facto, a maior invenção desde a roda. Só que não para o efeito inicialmente pretendido. Agora, como maneira de insultar e denegrir malta, para isso é espectacular e providencia horas de forte gozo. Chamaram-me a atenção para o facto da minha entrada na Wikipedia estar repleta de ofensas, umas contra mim, outras contra a minha namorada, o que mostra o altíssimo nível da malta que não me grama. Isso de certa forma tranquiliza-me: para ser odiado, que o seja por escória e não por gente decente.

 

Baseando-me na aparente facilidade com que se inserem insultos e alterações giras em qualquer entrada da mui estimada enciclopédia da Internet, e porque achava - olha que inocente! - que ainda tinha algum direito sobre o meu nome, sobretudo num site tão reputado como a Wikipedia, pus-me alegremente a trocar a minha nota biográfica e as curiosidades por frases como "isso agora!...", "cá estamos" e "agora não está ninguém".

 

Resultado? Esta magnífica mensagem:

 

"Caro editor iniciante: por favor, não apague informação, não use termos ofensivos, não insira informações erradas nem textos sem sentido ou em violação de direitos de autor e não faça nenhum tipo de propaganda. A insistência em tais atos pode ser considerada vandalismo, passível de sanções que incluem o bloqueio de sua conta."

 

Oh pá. Peço então imensa desculpa por mexer nas certíssimas informações que lá estavam sobre a minha pessoa. Algumas tenho de admitir que eram lindas: uma dizia que eu tinha cadastro criminal não especificado e a outra que desde que me divorciei que sou um predador sexual no meu local de trabalho. Tudo isso me fez sentir, por uns segundos, bastante fixe. Desgraçadamente sou um romântico apaixonado, monogâmico e fiel; e a única coisa que me poderia dar cadastro criminal foi o facto de ter roubado um livro de bolso de astrologia na livraria Castil do Fonte Nova em 1983. E isso, infelizmente, não faz de mim um Dillinger...


A Wikipedia é, de facto, espectacular. Se a compararmos com uma pilha de fezes, claro; a Wikipedia tem a vantagem de não emanar cheiro!



 

Ontem à noite a Time Out fez-nos uma grande entrevista colectiva para o número da revista do qual vamos ser capa... A sessão fotográfica foi uma alegre bandalheira da qual é capaz de resultar uma fotografia bastante decente para a capa da revista, já que atrás da câmara esteve um dos melhores fotógrafos portugueses, o Augusto Brázio. Tivemos ali um serão divertido, sim senhor.

 

Hoje vou voltar a aparecer num sketch d'Os Contemporâneos - um que escrevi com o Francisco Palma sobre os efeitos da presença obsessiva de telemóveis nas nossas vidas e que é uma pequena superprodução que requer a participação de todo o elenco. Eu estaria eufórico pelo potencial gozo que isto irá dar, não fosse ter-me lembrado, entretanto, que vou ter de andar de saltos altos no local de trabalho por causa do estudo que ando a escrever para a revista Sábado. Raios.



Na mais recente newsletter da Castello Lopes Multimédia é possível ter um primeiro vislumbre do que vai ser a capa do DVD d' Os Contemporâneos. Extremamente atraente!

 

O DVD, que vem com um caleidoscópio de extras que inclui um bonito documentário onde pelo menos um dos argumentistas diz impiedosamente mal de várias coisas do programa, está a ser ultimado e estará nas lojas a tempo das compras natalícias, algures entre Novembro e Dezembro.

 

Entretanto, e naquilo que é um dos projectos mais ambiciosos / embaraçosos da minha vida, decidi aceitar o repto da Revista Sábado e escrever um artigo que tente descodificar esse deslumbrante enigma que são as mulheres começando por perceber como raio é que elas conseguem usar sapatos de salto alto. Dessa forma, a Sábado forneceu-me este par de sapatos, tamanho 44:

 

 

E com eles, acompanhado por uma equipa de imagem da Sábado, tenho estado a testar diferentes tipos de terreno, diferentes tipos de situação quotidiana... e depois, em casa, já com os pés de molho, escrevo as minhas análises sobre as várias experiências. As fotografias estão a ficar esplêndidas, mostrando números arriscadíssimos como... a descida de escadas. E não, ainda não caí.

 

Só digo uma coisa: é duríssimo. O meu respeito para as senhoras que usam isto. Mas também para os travestis - são homens, podiam perfeitamente não ter de passar pela dura e dolorosa prova que é andar com isto nos pés, e, no entanto, fazem-no. Como é que ainda há idiotas a chamá-los de "maricas"? Maricas é quem nunca meteu isto nos presuntos. Agora que o tenho feito (e irei ainda fazê-lo na RDP e nas gravações d' Os Contemporâneos, nos próximos dias), sinto-me, definitivamente, mais homem. Brevemente poderão ler todo o profusamente ilustrado artigo, numa das próximas edições da Sábado. A Sábado está a trabalhar também numa reportagem em vídeo que irá ser exibida no You Tube como complemento do meu artigo na revista.



 

Este vai para o meu top dos melhores do ano. Em Bruges, que estreia para a semana em Portugal, é a primeira longa-metragem de Martin McDonagh (autor da peça The Pillowman, que o ano passado foi encenada em Portugal com grande categoria pelo Tiago Guedes) e consegue superar Destruir Depois de Ler, dos Irmãos Coen, como a grande comédia negra de 2008. É um filme tão perfeito a todos os níveis, das interpretações de Colin Ferrell, Brendan Gleeson e Ralph Fiennes à música de Carter Burwell, passando pela realização e o argumento de McDonagh, que apetece rever mal termina. Não é um feito fácil, conseguir que tanto contraste funcione: Em Bruges mistura melancolia com comédia, paisagens de postal com violência extrema, romance com piadas sobre anões. O talento de McDonagh é tanto que todas estas coisas se cruzam e fluem com elegância extrema, desde o arranque aconchegante e turístico até ao alucinante e brutal final.

 

Frase inesquecível: "You eet the canadian."





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