Hoje passei o dia todo com Coraline, já que amanhã pela fresca tenho de entregar ao estúdio o primeiro draft (ena, fino!) da minha tradução-adaptação da nova animação de Henry Selick. Uma maratona destas é suficiente para levar um tipo à loucura, com todas as preocupações de que o texto caiba no timing e nos movimentos de boca das personagens, e comigo a interpretar sozinho, no meu escritório, todos os papéis. Mais meia-hora disto e já estaria prestes a coser botões nos meus próprios olhos (quando virem o filme ou lerem o livro, percebem...)

 

 

Cá está o janelame, todo aberto no meu computador. Guião original, o filme propriamente dito e o documento de Word com a minha versão. E pistachios. Muitos pistachios que comprei para satisfazer os desejos de pistachios da mulher da minha vida, mas que, como entretanto abrandaram, aproveitei eu para servirem de combustível para a recta final da odisseia Coraline. Amanhã compro mais, pois claro.

 

Coraline é uma obra-prima, cada vez estou mais convencido disso. É o mais original filme de animação de volumes desde O Estranho Mundo de Jack, no qual o mesmíssimo Selick partilhou a autoria com Tim Burton. Estou também convencido que faz todo o sentido, na minha presente situação de quase-pai, que eu esteja a adaptar para português uma animação que - tal como o livro de Neil Gaiman que a inspirou - é um fabuloso manual, tão poético quanto endiabrado, sobre pais, filhos e como é suposto uns entenderem os outros e vice-versa. Não tenho dúvidas que o livro do Brazelton (obrigado, Maria!) é essencial...

 

 

... mas enquanto o trabalho me rouba tempo para o começar a ler, os delírios góticos dos Srs. Selick e Gaiman também não estão nada mal como introdução à arte de ser um bom pai (e um bom filho).

 

Hoje também estive em conversa com o Raul Barbosa, dos estúdios On-Air, a trocar impressões sobre o elenco ideal para dar vozes ao filme. Conseguindo-se reunir todos os nomes que foram hoje falados, era um dream team impressionante. A ver.

 



Acabou agora de o dizer no Rádio Clube, e de forma inflamada, embora nunca dizendo o nosso nome, como lhe é característico - um estilo que, por vezes, torna a coluna dele do 24 Horas tão críptica e enigmática como um filme do David Lynch. Seja como for, sim, odeia-nos! E diz que não temos vergonha (o que é um facto; aliás, é para isso que nos pagam). Saber isto, evidentemente, é um alívio e mais ou menos o equivalente a ganhar um Globo de Ouro. E um Globo de Ouro dos americanos, não dos nossos!

 

E sim, eu leio a coluna do Carlos Castro no 24 Horas - é rechonchudamente divertida. Numa das últimas ele, vingativo, sugere que o meu bom amigo Fernando Alvim, num suposto passado obscuro que teve, andava à caça de travestis pelas ruas da Invicta. Por favor, Carlos, peço-lhe: invente uma dessas para mim também. Mas mais rebuscada que a do Alvim. Sugestões: bestialismo, orgias, cultos satânticos, cintos de ligas. Faça-me um orçamento e veja lá o que é que pode fazer com isto. Obrigadíssimo.



 

Tão tradicional como o Natal ou o Secchino d'Oro (que, a propósito, apercebi-me este ano que se mantém igual à versão anos 70 e 80, incluindo a narração de Eládio Clímaco) é a malfadada lista dos melhores de 2008, de acordo com o gosto pessoal dos bloguistas. Cá vão os meus 20 filmes mais que tudo, ordenados cronologicamente pela estreia!

 

The Darjeeling Limited

Wes Anderson continuando a desbravar o seu planeta muito peculiar, com uma história fabulosa sobre o momento em que temos de largar a bagagem.

 

Nome de Código: Cloverfield

Pegando em clichés do género, baralhando-os e voltando-os a dar, a equipa de J.J. Abrams reinventa o monster movie de forma inspirada e imparável. E os segredos escondidos nas imagens são muito divertidos.

 

Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street

O musical da Broadway que nasceu para ser reinterpretado por Tim Burton. Poético, negro e com um humor delirante. O Mamma Mia da malta fixe.

 

Haverá Sangue

Tinha de pertencer a P.T. Anderson um dos melodramas mais inovadores dos últimos anos, onde, mesmo quando parece não se passar nada, tudo acontece. E tem o melhor final do ano.

 

Juno

Bem escrito, realizado, interpretado, musicado. Jason Reitman e Diablo Cody fizeram o update definitivo da comédia teen inteligente que John Hughes costumava fazer nos 80s.

 

Persépolis

Como se as páginas da genial BD de Marjane Satrapi ganhassem vida própria. Uma hilariante e tocante ode ao poder libertador da imaginação e da cultura pop.

 

Este País Não É Para Velhos

Os Coen pegam no espantoso livro de Cormac McCarthy e transformam-no no tipo de filme que os Coen faziam quando nos apaixonámos por eles, nos tempos de Sangue por Sangue ou História de Gangsters.

 

O Amor e a Vida Real

Steve Carell provando uma vez mais que é o homem ideal para fazer rir (e muito) temperando a coisa com uma convincente melancolia. Uma comédia romântica inteligentíssima, com uma das bandas sonoras do ano, cortesia de Sondre Lerche.

 

O Segredo de um Cuscuz

Só o vi ontem e fiquei fascinado. Possivelmente o melhor filme do ano, uma tragicomédia familiar que nos entranha de tal modo no seu universo que, no fim, nos sentimos amigos ou, pelo menos, vizinhos daquelas pessoas. Deveria ter sido o Amélie deste ano. A conjugação perfeita de filme de autor e apelo popular.

 

Tropa de Elite

Um vigoroso soco no estômago. Nunca percebi porque houve quem apelidasse o filme de "fascista": é uma obra complexa, sem heróis nem vilões, lançando assunto de debate. E é muitíssimo bem realizado.

 

O Cavaleiro das Trevas

Christopher Nolan cumprindo inteiramente as promessas lançadas com Batman Begins. Tão válido e "de autor" como os Batman de Tim Burton; uma visão diferente, aproximando o cinema das múltiplas visões de autor perante um superherói, tal como acontece na BD. Heath Ledger despede-se em grande.

 

Wall-E

Mais uma jóia da Pixar, quase perfeita; a fusão de Disney e Kubrick e uma divertida sátira futurista à vida moderna. E agora, em blu-ray, é de cortar a respiração.

 

Hellboy II: O Exército Dourado

Tal como O Cavaleiro das Trevas, outra fusão perfeita entre sensibilidade autoral e blockbuster de massas. É menos Mike Mignola e mais Guillermo del Toro que a primeira parte, mas é muito bom.

 

Gomorra

É capaz de ser o filme mais cru e brutal do ano, mergulhando-nos numa realidade selvática que parece de outro planeta, apesar de acontecer aqui perto.

 

Tempestade Tropical

Ben Stiller em modo pessoal e ácido, como já não acontecia há anos, arrasando Hollywood de forma inspirada e lembrando os tempos de liberdade experimental de The Ben Stiller Show.

 

Destruir Depois de Ler

Se Seinfeld era a série sobre nada, esta brilhante obra dos Coen é o filme de espionagem sobre nada - e é por isso que é tão divertido e desconcertante.

 

Em Bruges

A comédia mais negra e original do ano, revelando o dramaturgo Martin McDonagh (The Pillowman) como um realizador a não perder de vista.

 

A Turma

Possivelmente o melhor e mais pertinente filme de sempre sobre professores e alunos. Tenso e intenso, embora ninguém aponte armas de plástico a ninguém, nem haja telemóveis metidos ao barulho.

 

Ensaio Sobre a Cegueira

O tipo de fita capaz de dividir opiniões. A mim caiu-me no goto: achei a adaptação fidelíssima (tendo em conta que se trata de um livro bem difícil de adaptar) e Fernando Meirelles um realizador capaz de encenar de forma arrepiantemente convincente uma metáfora feita pesadelo claustrofóbico (e o branco leitoso da cegueira segundo Saramago).

 

Filho de Rambow - Um Novo Herói

Uma celebração do poder do VHS e das fitas de porrada dos anos 80, feita por quem cresceu nessa época. Impossível não falar ao coração de muita gente da respectiva geração, e feito sem lamechices e com um humor muito british.



Que surpresa absolutamente esmagadora, esta, cujo link a Jonasnuts aqui deixou num comentário. Obrigado, Jonas!

 

Estávamos ainda no rescaldo do 25 de Abril, nos loucos anos 70, e filho de pais de esquerda que se prezasse, como era o meu caso, tinha de ter este vinil arrebatador:

 

 

Operários do Natal, um dos mais prezados vinis da minha colecção de criança, era um disco infantil conceptual musicado e cantado por uns fulgurantes Carlos Mendes, Fernando Tordo e Paulo de Carvalho com letras de Ary dos Santos e Joaquim Pessoa, e, sem ironias, é brilhante. Não sei como é que eles conseguiram isto, mas a verdade é que cruzaram o espírito natalício com o espírito do Processo Revolucionário em Curso com uma fluidez impressionante. Digamos que é o mais próximo que se esteve (e estará, penso) da fusão perfeita entre Walt Disney e Álvaro Cunhal. Num tom de magia pura, explicava-se aos petizes que o Natal é feito por operários trabalhando no duro, nas mais diversas áreas, para que a festa aconteça. E, de caminho, explicava-se também outras coisas, como por exemplo a ideia de que é o amor entre homem e mulher que dá origem a bebés - não a palermice reaccionária da cegonha!

 

O disco era parte de uma ambiciosa operação natalícia que incluía uma versão ao vivo da obra, levada à cena no extinto teatro Adóque e que, evidentemente, fui ver - tinha eu uns seis ou sete anos de idade. Tenho memórias desse dia e, a esta distância, a sensação que eu tenho é que aquilo era uma coisa grandiosa, à Broadway. Mas também tenho ideia que com seis ou sete anos quase tudo parecem coisas grandiosas, à Broadway.

 

O disco pode estar datado, pode por vezes ser involuntariamente cómico, mas está lá o vigor poético de Ary dos Santos e Joaquim Pessoa, lutando para conseguir levar às crianças a sua verve revolucionária sem as assustar, e o que é certo é que qualquer uma das canções de Operários do Natal bate em qualidade musical e originalidade o eterno A Todos Um Bom Natal, do Coro de Santo Amaro de Oeiras! Este disco fez parte da minha infância e não ouvia as suas músicas há quase 30 anos. Incrível como me lembro delas todas (sobretudo do hit single, Os Amigos!). Incrível também como houve alguém a passar este vinil lendário para a net, disponibilizando-o por inteiro aqui!

 

Ideia para um destes Natais: um tributo a Operários do Natal, com bandas e artistas modernos a interpretar covers destas canções. Pelo menos pensem nisso!



Sim, as compras - sobretudo as de última hora - arrasam um gajo, o trânsito está caótico em todo o lado, porque em todo o lado existe um centro comercial, mas é Natal. A melhor prenda só sai do embrulho em Junho (caramba, que magnífica metáfora!), mas é uma categoria passar este Natal sabendo que existe e que se mexe e que está aqui tão perto. É algo tão bonito que consegue abafar pensamentos menos próprios, como por exemplo um que me ocorreu há dias e que me fez concluir que, quando a mulher da nossa vida transporta no seu ventre um rapaz, podemos dizer, com propriedade, que partilhamos a nossa vida com uma chick with dick.

 

Um grandioso Natal para todos, que o meu há perto de quatro meses que já o é, mesmo que logo à noite só me ofereçam packs de cuecas e meias! Já diz o Mr. E: everything is gonna be cool this Christmas.  Pois vai.

 



 

Stallone pode ter tido o seu mediático comeback com os recentes capítulos finais de Rocky Balboa e Rambo. Mas ele nunca, nunca abandonou os corações dos proprietários de uma churrasqueira da Queluz profunda. Saudações para o restaurante Stallone.

 

 

Um dia, quero ver a confeitaria Chuck Norris.



Esta tem sido uma semana particularmente saborosa para nós, Contemporâneos. A primeira notícia é daquelas boas com travo amargo - boa, porque a primeira edição do nosso DVD está praticamente esgotada (obrigado pelo vosso entusiasmo e por abrirdes os cordões a vossas bolsas perante a nossa obra; entre outros, o meu filho agradece, que há muita fralda e papa para adquirir); o travo amargo vem do facto de estar a ser cada vez mais complicado para muita gente deitar as gânfias à nossa - atenção, isto é pomposo - box set, precisamente porque ela anda a desaparecer dos estaminés que nem carcaças quentes. Informações chegadas à minha mesa de trabalho garantem, no entanto, que uma reposição dos stocks está para breve... Mas  só depois das festas. Seja como for, grandes e sinceros agradecimentos por nos terem catapultado para um muito nobre sétimo lugar no top da FNAC, até porque acima de nós só estão pesos-pesados de Hollywood!

 

 

Outra informação de interesse para fãs: no próximo domingo, dia 28, regressamos à RTP com um best of riquíssimo em intervenções do Chato, mas que inclui também outros momentos do nosso álbum de recordações. Para ver em família, como um episódio de Um Anjo na Terra.

 

Por fim, deixa-nos muito alegres que, em altura de balanços do ano, haja já duas publicações tão diferentes uma da outra - a revista do 24 Horas, no fim-de-semana passado, e a edição desta semana da Time-Out - a considerar-nos um dos melhores programas de televisão do ano, sobretudo porque a caminhada foi dura e sofrida, mesmo que divertida cumó caraças. O pessoal da Time-Out - loucos! Sois loucos! - vai ao ponto de dizer que fomos o melhor programa de TV de 2008, o que parece indiciar que as festanças de Ano Novo arrancaram mais cedo naquela redacção e já lá anda tudo num bonito estado. A mesma edição da Time-Out prossegue esta imparável torrente de mimos fazendo uma crítica ao nosso DVD em que atribui cinco estrelas ao dito. Caramba, quando sair a 2ª série, que, quanto a nós, é a série em que afinámos as coisas, não exigiremos menos de sete ou oito estrelas!

 

Agora a sério: sinceros agradecimentos por tudo isto. Temos trabalhado todos que nem loucos - argumentistas, actores, produção - para que haja cada vez mais gente a gostar d' Os Contemporâneos. Por isso, enquanto aproveitamos a época festiva para pôr os pés de molho e preparar a próxima empreitada, deixem-me que vos diga que tudo isto é muito, muito bom.

 

Amanhã deixo aqui uma mensagem de Natal. Agora vou mas é dormir, como as pessoas.



Já aqui tinha deixado um post sobre isto, que apaguei porque ainda estava a considerar oferecer este calhamaço no Natal. Depois - situação clássica das compras natalícias - acabei por decidir ficar com ele.

 

 

Tout Tintin reúne, em 1152 páginas, todas as aventuras de Tintim. Sem excepções. Incluindo No País dos Sovietes e os esboços de L'Alph-Art. E, no meio de alguma da melhor BD que já se fez na História da Humanidade, até lá está alguma da pior (Tintim no Congo não só ainda não inclui os lendários Haddock, Girassol e Dupond & Dupont, como é inacreditavelmente racista e apologista da crueldade animal, mesmo que num tom ingénuo e meigo - uma espécie de cruzamento entre Holocausto Canibal e Walt Disney, onde Tintim dá preciosas lições de vida aos ignorantes habitantes do Congo, mata uma dúzia de antílopes em segundos e assassina um macaco para lhe tirar a pele e fazer um disfarce!).

 

Seja como for, Tout Tintin é um volume histórico. Não será a coisa mais portátil do mundo, apesar de ser uma edição em paperback; digamos que parece uma lista telefónica das antigas. Mas Hergé, passados os desvarios preconceituosos de No País dos Sovietes e No Congo, criou aventuras espantosas de inteligência, imaginação e humor e é incrível saltitar entre elas sem sair do mesmo volume. No meu caso pessoal, há anos que tenho parte dos meus Tintins (ops!) em edições velhíssimas da editora brasileira Record. E dado o parco espaço, é mais prático renovar estas aventuras essenciais num só volume!

 

Só havia dois na FNAC do Colombo. Agora só há um. Ainda. Acho.

 

Ah, e é em francês. Se eu falo francês? Pessimamente. Mas felizmente leio. E de qualquer forma, já sei boa parte destas histórias de cor.



A minha colaboração na louca campanha pela louca velocidade internética da fibra óptica continua, com mais um textículo no afamado blog do Movimento dos Sem Fibra.



A casa-de-banho é, desde sempre, um local para libertar, mais do que excrescências do corpo, reflexões. A quantidade de pensamentos que me ocorrem durante uma breve estadia num WC supera, também em qualidade (quase sempre) o material físico que abandona as minhas entranhas. Numa recente passagem por uma casa-de-banho pública, num restaurante, dei por mim a observar a marca da louça sanitária para onde agora vertia o conteúdo da minha bexiga, o que despertou em mim uma curiosa reflexão sobre a maneira como proprietários de empresas tentam, tantas vezes, fundir o seu nome com a designação do produto em que trabalham. Por exemplo, em Odivelas existe uma oficina automóvel chamada Vascoauto. E que melhor e mais afamado exemplo desta tendência que a Olivedesportos?

 

No entanto, era verdadeiramente intrigante o nome da empresa que fabricara e comercializara a retrete para onde eu acabara de verter águas e que, vistas bem as coisas, é uma das mais antigas e reconhecidas do ramo - simplesmente todos demos a coisa como aceite sem pensar muito nisso. Até ao dia em que, por fim, me detive sobre a palavra que ornamenta autoclismos como este.

 

 

 

Sanitana leva-me a crer que houve aqui, tal como em Vascoauto ou Olivedesportos, uma corajosa tentativa do dono da empresa associar o seu nome àquilo que produz e vende. Ou o seu nome, ou o nome de algum ente querido. Seja qual for a volta que se dê a este caso, a verdade é que se trata de uma situação que fica algures entre o horrivelmente trágico e o incrivelmente destemido.

 

Por um lado, há a possibilidade de Sanitana ser a fusão do apelido Santana com a palavra "sanita". Talvez, inocentemente, fosse intenção do Sr. Santana fundir o seu apelido, de forma mais genérica, com o conceito de "louça sanitária". No entanto, na marca Sanitana, o "-ária" faz muita, muita falta.

 

Assim, é possível que aqui tenhamos um homem a assumir com corajoso empenho a sua dedicação à louça sanitária, encalacrando o seu nome numa palavra que designa o vaso para onde a Humanidade despeja impiedosamente o produto das suas entranhas. E isso é comovente. Fosse o apelido deste homem Tavares e o resultado poderia ser mais agressivo: Retretavares, por exemplo.

 

Por outro, pode ter acontecido uma prática também normal em Portugal de fundir o ramo de negócio com o de um ente querido - geralmente um filho ou filha. Quem nos garante de que não tenha acontecido o tocante momento em que o dono da empresa, levando a sua filha ao seu enorme armazém de retretes e autoclismos não lhe tenha dito, emocionado: "Minha querida filha Ana, um dia tudo isto será teu. Em tua homenagem, chamo a esta companhia Sanitana."

 

É valente. Sobretudo porque uma empresa de louças sanitárias possui outro tipo de equipamento menos ligado à actividade da expulsão de dejectos e mais à actividade da limpeza e do asseio. Havendo nomes próprios ou apelidos que o permitam, uma empresa deste ramo pode perfeitamente chamar-se Bidérnesto. Ou Lavatónio. Ou Banheiró.





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