... o post abaixo foi da autoria do Jorge Botas, após - uma vez mais - eu ter deixado o blog aberto num computador da Antena 3. Mas não vou apagá-lo, não só porque preciso de aprender uma lição e porque tem graça, mas também porque, surpreendentemente, não só houve quem acreditasse que uma coisa tão rebuscada como aquele endereço de net era verdadeiro, como houve um de vós que escreveu esta pérola, em resposta ao dito post:
"Sigo a tua carreira desde o início e tenho pena que te estejas a vender."
Só por isto já valeu a pena o Botas ter-me pregado a partida. Há pequenos momentos maravilhosos na vida de uma pessoa, e este comentário aplicado àquele post é ouro!
Este site vai deixar de funcionar brevemente, e toda a minha vida vai passar a estar em: http://www.senaotenhocuidadoqualquerdiaf
Obrigado e bom dia!!
Nuno "cabeça-no-ar" Markl!
Estou em hiato de Contemporâneos até Abril*. Podia reservar um tempo para descansar. Mas de repente surgem-me à frente a co-escrita de uma série documental sobre comédia na TV; propostas de diferentes editoras para escrever diferentes livros; uma proposta de uma reputada companhia nacional de desenhos animados para escrever algo; a tradução e adaptação de um musical; o início de uma coluna mensal de humor - sobre a minha parca habilidade para jogar videojogos - para uma revista de, lá está, videojogos.
Gostava de ter um cérebro maior. E mais braços também dava jeito. Porque tudo me parece interessante demais para deixar cair o que quer que seja. Além de que tenho um filho a caminho e há que assegurar que não lhe vai faltar nada em tempo de crise. Interessante como, financeiramente falando, a minha mente se desviou de "ganhar-para-ir-à-Amazon-comprar-DVD
*A propósito, já viram o último episódio no sítio do costume?
Shane Acker, animador e técnico de efeitos especiais, criou em 2005 uma curta-metragem de animação chamada 9. Homens de bom gosto, dois realizadores de planetas diferentes - Tim Burton e Timur Bekmambetov (para quem não sabe, este senhor é o cineasta russo a quem se deve Day Watch, Night Watch e esse maravilhoso delírio chamado Wanted) - uniram-se para ajudar Acker a transformar a sua curta-metragem numa longa. O resultado será conhecido lá para o Verão. Até lá, ponham-me só os olhos na categoria da curta-metragem original 9, disponibilizada na íntegra no You Tube...
E, de caminho, é de abrir o apetite com o trailer do remake longa-metragem...
Apetitoso, digo eu.
Sim, eu sei que o fim-de-semana (nomeadamente domingo) é quando se faz o bricolage. Mas hoje, aproveitando este dia de hiato Contemporâneo - agora só voltamos à carga lá para Abril - decidi impressionar a barriga mais sexy de Portugal, enquanto ela grava 738 edições do Jogo Duplo, e preparar-me para a paternidade*, deixando-me de merdas e pegando em duas estantes IKEA que para aqui estavam, e também na caixa de ferramentas, no berbequim e ala que se faz tarde. Não peguei em todas estas coisas em simultâneo, há que sublinhar. Lá chegarei.
Resultado: já vi coisas mais mal postas, embora a estante de cima esteja levemente torta. Não ao ponto de gerar um "que falta de jeito", mas mais um "que charmosa imperfeição".
Vou dedicar a edição de amanhã do Há Vida em Markl (Antena 3, 8h20) a esta temática do bricolage e a esta aventura de pôr duas estantes na parede. Não é tão difícil como parece, mas é psicologicamente puxado, sobretudo quando o berbequim chega ao tijolo e a parede parece sangrar e gritar de dor, trazendo-me à memória uma cena traumática do Testemunha de um Crime do Brian de Palma. É no que dá meter um Black & Decker nas mãos de um geek.
*Não é que para ser pai seja necessário um berbequim; é porque penso que não vou longe como pai se mantiver a coisa apenas entre as piadolas e as bonecadas. Bricolage é coisa de pai.
Morreu o João Peixoto, um dos mais assíduos leitores e comentadores deste blog, meu aluno numa das workshops das Produções Fictícias e um tipo cheio de talento e simpatia. Tinha 29 anos. Deixa duas filhas pequenas e aquilo que podia ser uma tremenda carreira não só na área do design, onde já trabalhava, mas também na escrita. É arrepiante constatar como há tão poucos dias eu trocava impressões com ele, aqui no blog, no meu post sobre Benjamin Button, ou no Twitter, sobre coisas que agora parecem tão banais como filmes. Não sei o que diga. Apenas que cada vez estou mais convencido de que a mais sábia banalidade é a que diz que não temos outro remédio senão aproveitar cada miseravelmente minúsculo momento da vida.
Não faz sentido nenhum o João Peixoto já cá não estar. Mas avancemos nós.
Há três coisas que acho uma delícia nas nomeações deste ano dos Óscares. E nenhuma delas tem a ver com o favorito, O Estranho Caso de Benjamin Button. Como é sabido, gostei de Button, embora ache que padece de excessiva duração e que um desbastezinho (um director's CUT, no sentido mais literal da coisa) não ficava nada mal nesta reinvenção do conto de F. Scott Fitzgerald operada pelo grande David Fincher. Mas as coisas que me deliciaram são mais de pormenor: gostei que Robert Downey Jr. fosse nomeado, porque acho que o seu actor australiano louro e de olhos claros que faz uma operação (cirúrgica e "de método") para ficar afro-americano é uma das grandes criações cómicas do cinema, nos últimos anos; gostei que o argumento mais original de 2008, Em Bruges, de Martin McDonagh, também não tenha sido esquecido; e, por fim, que o músico Danny Elfman, geralmente considerado uma quinta escolha pela Academia, dado o seu passado roqueiro, tenha sido nomeado (pela banda sonora de Milk).
O que me parece injusto é o caso Revolutionary Road, que, na minha humilde opinião, é um dos melhores filmes da temporada e o melhor de Sam Mendes desde Beleza Americana, e que se ficou por três nomeações - duas técnicas e uma para o extraordinário secundário Michael Shannon (que merece ganhar). O livro de Richard Yates em que o filme de Sam Mendes se baseia foi escrito em 1961 e podia ter servido de inspiração a Sam Mendes e Alan Ball quando fizeram American Beauty, já que a temática é semelhante - fala de alguém que se quer desesperadamente libertar da rotina soalheira da "perfeita" suburbia americana e é uma história que existe na mesma fina linha que separa o melodrama da comédia (muito) negra. Mendes sabe fazer isto melhor que ninguém, e é interessante ver o duo romântico de Titanic numa história que, apesar de não incluir acontecimentos brutais envolvendo icebergs, fala de um acidente igualmente brutal - o casamento de Frank e April, casal bonito e limpinho, de anúncio de revista, e da sua descida vertiginosa aos infernos. É um filme-murraço no estômago, muitíssimo bem escrito, filmado e interpretado. E nunca é demais reforçar: Michael Shannon, no papel do homem que tentou libertar-se da pesada pata sufocante da rotina suburbana... e que foi internado num hospício.
Vi o filme em Madrid, no fim-de-semana... É difícil encontrar um cinema que não passe as versões dobradas, mas com alguma atenção lá se descobrem uns quantos estabelecimentos resistentes, com ar de Cinema King, frequentados por cinéfilos mais selectos. Foi nesse mesmo cinema que, para além de Revolutionary Road vi isto:
Sim, é a estreia da talentosa Helen Hunt como realizadora e argumentista. Sim, tem um magnífico elenco que inclui, para além da própria Hunt, Matthew Broderick, Colin Firth e Bette Midler. Sim, o cartaz do filme é encabeçado por uma série de referências da passagem do filme pela selecção oficial de diversos festivais (e um "prémio do público" no Festival de Palm Springs). Mas não, não é um bom filme. Eu diria mesmo que é dos piores que vi nos últimos tempos, com Hunt tentando desesperadamente emular o estilo de um dos seus mestres - o grande James L. Brooks, que a dirigiu no excelente Melhor é Impossível - e, na tentativa, a fazer a comédia romântica mais forçada, cansativa e mal enjorcada dos últimos anos, e contendo o cameo mais inexplicável de sempre - Salman Rushdie, claramente desconfortável, a fazer de obstetra(!).
É uma pena. Eu gostava muito de ver a sodôna Hunt no Mad About You, mas se eu não a conhecesse desses gloriosos tempos e do Melhor é Impossível, fugiria dela a sete pés depois de Then She Found Me. Até porque ela aqui está tão vergonhosamente mal maquilhada / iluminada / filmada que, nos grandes planos, afigura-se assustadora e a envelhecer escandalosamente mal, o que me recuso a aceitar que seja verdade. Mas que, tendo em conta que é ela a realizadora do filme, acaba por fazer de Then She Found Me um dos mais inacreditáveis exercícios de masoquismo da História do Cinema.
E para quem se questiona: então mas agora que ele anda com a mania do Twitter, isso significa que vai deixar este estaminé ao Deus dará? A resposta é não, embora não haja dúvidas que na minha situação actual de falta de tempo, o Twitter seja uma coisa muito mais funcional do que o blog - além de que, como pode confirmar quem por lá anda a seguir-me, é um meio muito mais rápido e eficaz para responder às vossas mensagens. Só parece esquisito no primeiro contacto, mas é um nítido caso de "primeiro estranha-se depois entranha-se". E agora, para os interessados, aqui no blog, lá mais para baixo, já há uma ligação directa ao meu Twitter:
Eu acho o Twitter uma coisa com todo o sentido, sobretudo numa era em que, na Internet, cada vez se escreve mais para se dizer cada vez menos. A grande vantagem do Twitter é funcionar em cápsulas de 140 caracteres de texto, obrigando o utilizador a desenvolver o poder de síntese, o que não é mau de todo. Além disso, permite "blogar" de uma forma curta e grossa de, basicamente, qualquer recanto do planeta.
Mas descansai - o estaminé não fica abandonado, pelo contrário. Ele e o Twitter vão complementar-se e toda a gente vai ser feliz no mundo inteiro. Ah, esperem - não, isso não; estava a fazer confusão.
Peço desculpa pela pouca postagem, mas a verdade é que os últimos dias têm sido passados em movimento constante - o que explica que o meu Twitter tenha sido muito mais actualizado. O Twitter conquistou-me pela mistura de gozo, rapidez, poder de síntese e possibilidade de trocar umas palavras com ídolos internacionais vários com uma tremenda eficácia. É viciante e consegue ser várias coisas em simultâneo - uma sala de chat (com conversas mais interessantes), uma agência noticiosa, e um lugar onde anda, de facto, gente muito interessante e com coisas para dizer. Em 140 caracteres, ainda por cima, o que torna tudo ainda mais desafiante.
A Twittermania anda a atingir alguns píncaros de loucura: hoje, por exemplo, a RTP-N estava a mostrar no seu jornal da noite, a foto do jantar de fim de série d' Os Contemporâneos que eu tirei para o Twitter... minutos depois dela ter sido tirada e publicada!
Este fim-de-semana vou estar longe do computador, em Madrid, conhecendo a terra da minha mais-que-tudo. Uma vez mais não blogarei, mas certamente twittarei aqui e ali, que é essa a natureza do sítio da moda, rapidamente actualizável de qualquer recanto do universo, bastando para isso um telemóvel. Será, por isso, boa altura para meterem umas pequenas férias aqui do estaminé e apontarem os vossos browsers para aqui, onde se tem passado muita coisa e onde muita mais se passará nos próximos dias.
Quanto a novos posts aqui na casa-mãe, contem com eles só lá para terça-feira. Um forte abraço!
Obrigado a toda a gente que não se foi embora depois do Conta-me... 7,6% de audiência e 21,3% de share é um resultado bem gostoso para Os Contemporâneos. Ainda para mais, com os pesos-pesados da concorrência.