Aqui há tempos, para mim, o melhor era Revolutionary Road, mas O Wrestler passou para primeiro lugar desde que o vi na sexta-feira. Com todo o respeito e estima que tenho por Slumdog Millionaire, devo dizer que o (excelente) filme de Danny Boyle é um mero divertimento ao pé do novo filme de Darren Aronofsky e que, sim senhor, Sean Penn está extraordinário em Milk, mas a sua composição de Harvey Milk é trabalho actor's studio; Já Mickey Rourke é Randy "The Ram" Robinson, com tudo o que isso tem de brutal, confessional e corajoso. E Darren Aronofsky filma este pedaço de ficção com uma respiração tão realista que, a espaços, esquecemo-nos que The Wrestler não é um documentário, ao ponto de sentirmos que talvez estejamos a invadir a privacidade do homem. É no que dá Aronofsky pegar na câmara e seguir - literalmente, seguir, tanto que, em muitas cenas Rourke está de costas para a câmara - o destroço humano que é Randy.

 

E sim, é verdade que certas mentes são capazes de se retrair perante a ideia de ver um filme passado no universo da luta livre americana. Mas The Wrestler, mais do que uma viagem ao submundo do wrestling, é uma história brutalmente comovente e sincera sobre um tipo com vontade de amar, mas uma tremenda incapacidade para o fazer e um dom para destruir muito daquilo em que toca. A história consegue ser literal e metafórica, mas acima de tudo deve ter sido um valente exercício de catarse para Mickey Rourke, poupando-lhe milhões em terapia. De outro tipo de consultas, ele não escapa, já que algum do sangue que vemos no filme é real. Para nós, que não passámos metade do que o tipo passou desde os tempos em que era the next big thing, entre Rumble Fish, Nove Semanas e Meia e O Ano do Dragão, este filme é cinema do melhor: caloroso, humano, violentíssimo a vários níveis, mas nunca gratuito.

 

Já agora, muito aconselhável ler a Time Out desta semana: não só porque continua a ser a revista mais interessante e imaginativa do mercado, mas, em particular, porque traz lá uma entrevista com Darren Aronofsky onde ele explica todas as influências por trás de O Wrestler - de As Portas do Inferno até às fitas de porrada de Van Damme e Seagal... passando por O Touro Enraivecido, Rocky ou Eles Vivem.



 

Quero que o meu filho Pedro cresça com Yo Gabba Gabba. Mas Yo Gabba Gabba, pelo que vejo, não passa em Portugal. Venho por este meio pedir encarecidamente a quem de direito para que, rapidamente, Portugal tenha a sua versão de Yo Gabba Gabba. É preciso uma petição? Ofereço os meus préstimos de tradutor e adaptador para pôr isto em português, e não é pelo dinheiro; é pelo serviço público. Aliás, aceito que me paguem em sandes, se for caso disso. Os pre-schoolers deste país têm de aprender sobre a vida com esta maravilha que pontapeia os rabos a Teletubbies e se assume como o programa infantil mais cool desde os tempos áureos da Rua Sésamo (que, no meu tempo, pequenitos, chamava-se Abre-te Sésamo). Yo Gabba Gabba sabe falar com as crianças e fazer rir os pais. Yo Gabba Gabba é das coisas mais incrivelmente maradas e, simultaneamente, didácticas que já se fizeram em televisão. Yo Gabba Gabba ensina a comer vegetais e, ao mesmo tempo, a gostar de canções pop bem feitas. Yo Gabba Gabba pode estar a criar uma nova geração de génios, mas já não será mau se criar uma nova geração de pessoas imaginativas e decentes.

 

É uma produção da Nickelodeon sobre a qual, depois de ler incontidos elogios na muito adulta revista Q, fui para a net descobrir. É viciante. Mergulhem no site oficial e digam-me se coisas como esta não são simplesmente extraordinárias.

 

Repito: quero que o meu filho cresça com Yo Gabba Gabba! Alguém faça alguma coisa sobre isto!





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