... os boatos tornaram-se bastante incontroláveis, nas últimas horas, e a coisa tornou-se pública mais cedo do que qualquer um de nós gostaria. Sim, é de volta à Rádio Comercial que estarei algures no mês que vem, num reencontro pleno de magia e emoção com o Pedro Ribeiro nas manhãs radiofónicas, o que aconteceu pela última vez vai para cinco anos! Já que não conseguimos guardar segredo sobre isto, pelo menos vamos tentar fazer algum suspense sobre a nova - e fulgurante, arrisco dizê-lo - rubrica que estou a preparar para as Manhãs da Comercial. Para além desta participação nas manhãs, irei ainda fazer parelha com o meu caríssimo Diogo Beja num programa de fim-de-semana. É um regresso a uma casa onde fui bastante feliz (pelo menos antes de uma certa direcção decidir que estava na altura de deixarmos de fazer ondas e de nos atirar para um canto!) e onde construí as bases da minha carreira humorística radiofónica e acabei a fazer O Homem Que Mordeu o Cão. Ficai atentos, brevemente haverá novidades sobre isto!
Mudar de poiso para me entregar a um novo e promissor projecto é sempre uma sensação firmemente colocada ali entre o doce e o amargo, sobretudo quando se sai de uma rádio que tanta felicidade - nas mais variadas formas - me deu ao longo de 5 anos. Mas é assim a vida! Obrigado por tudo à Antena 3. Foi este o texto que disse hoje aos microfones da Antena 3, nos últimos minutos das Manhãs da 3, numa edição especial do Há Vida em Markl... no meu último dia naquela rádio:
“Nada é fácil na minha vida. Nada corre bem à primeira. Desde sempre.”
Com estas palavras começava o primeiro Há Vida em Markl de sempre – no dia 11 de Outubro de 2004, às 8h20 da manhã. E são palavras que, 5 anos depois, não estão exactamente erradas – as coisas acontecem quase sempre de uma forma razoavelmente atrapalhada na minha vida, mas acabam por acontecer.
Aconteceu-me vir trabalhar para a Antena 3, há 5 anos. E foram dos melhores 5 anos de rádio da minha vida – e acreditem que tenho muitos anos de rádio. Menos que o Artur Agostinho – mas mais do que a Carolina Patrocínio. Que, até ao momento, penso que tem zero. Foram dos melhores 5 anos de rádio da minha vida, porque não é sempre que se trabalha com uma tal overdose de liberdade, de estímulo para que eu experimentasse coisas novas e esticasse o meu humor e a minha criatividade, para ver até onde é que eles iam... sem se partir. E sim, às vezes partiram-se. Não muitas vezes, porque eu sou extremamente talentoso, mas mesmo quando se partiram, tudo isso fez parte da maravilha que foi poder fazer aqui coisas como o Há Vida em Markl, o Laboratolarilolela, O Livro dos Porquês, o Nuno e Nando, o Coisas Que Acontecem e o Pedro Galvão Markl. Este último convém dizer que não é uma rubrica nem um programa de rádio – é o meu filho e também ele foi feito na Antena 3.
(Não literalmente na Antena 3. Não comecem com fantasias.)
Mas acontece que, para além de ter encontrado aqui o meu nirvana radiofónico de criação, encontrei também aqui a incrível mulher com quem partilho a minha vida e várias fraldas repletas de fezes.
Por isso, foi perfeito – incluindo aqui, no meu conceito de perfeição, as fraldas repletas de fezes. Mas chega a altura, na vida de um homem, em que ele sente que tem de ser um pouco cão. Eu explico. Havia uma série nos anos 80 chamada O Pequeno Vagabundo.
O Pequeno Vagabundo era a história de um cão que resolvia casos em sítios e que, no fim de cada episódio, feliz por tudo ter corrido bem no sítio onde estava, sentia o apelo de ir para outro sítio, carregado de boas memórias. Meus amigos, eu hoje sou esse cão – mas sem as partes mais desagradáveis de urinar em todo o lado e de cheirar o rabo aos meus pares. Qual pequeno vagabundo, saio para abraçar nova aventura, noutras paragens mas não o quero fazer sem agradecer a muita gente – o auditório da Antena 3, composto por ouvintes de altíssimo gabarito, extremo bom gosto musical e que tanta inspiração e óptimo material me foram enviando durante estes cinco anos, seja sob a forma de assuntos de que queriam que eu falasse, seja sob a forma de canções para o Laboratolarilolela; e, obviamente, a toda a equipa da Antena 3 – primeiro pela hospitalidade, à chegada, se exceptuarmos aquele incidente com os seis galifões e o taco de baseball (não aconteceu nada, estou a brincar); e depois por generosamente terem emprestado as suas vozes a vários projectos que aqui fiz, como por exemplo a radionovela Perdidos no Éter.
E há que prestar uma homenagem especial às duas pessoas com quem partilhei as manhãs nestes últimos meses – Luís Oliveira e Joana Dias. Têm talento, têm humor, têm corpos mais bonitos que o meu e um entusiasmo tal pela vida que são eles que me têm convencido que, se calhar, até é capaz de ser giro patinar no gelo.
HUM... Não, agora que penso nisso, não é giro. Mas eles são.
Não posso dizer o mesmo do Jorge Botas – só nesta parte do ser giro. O Botas conseguiu provar-me que a brutalidade pode ser uma forma de simpatia e amizade. Vou ter saudades de o ouvir a insultar-me diariamente, por isso pretendo gravar insultos avulsos do Botas que irei usar como despertador no telemóvel, a partir daqui.
Foram cinco anos do camandro dos quais me irei lembrar até ter 95 anos – depois disso, temo que o meu cérebro comece seriamente a ser afectado pela normal degeneração provocada pela idade avançada e pelas doses industriais de álcool que pretendo começar a consumir a partir dos 50.
Obrigado por tudo. E, mais forte do que nunca... um forte abraço.
Respondendo - sem muito avançar, que ainda não é hora! - às dúvidas que vários ouvintes me colocam no Facebook e no Twitter: sim, hoje foi o meu último dia na Antena 3 (penúltimo, se contarmos com a edição do Nuno & Nando que vai amanhã para o ar e que está já gravada) e sim, vou mudar de sítio mas vou continuar a fazer rádio. O novo projecto será anunciado em breve - agora pretendo fazer o chamado luto entre um sítio e outro... e descansar durante umas semanas, enquanto vou preparando a "coisa nova", que só posso assegurar que vai ser assaz divertida de fazer... Espero que vá ser também divertida de ouvir! Quanto à Talismã FM, é possível que eu e o César Martins encontremos uma maneira independente e algo caseira para a manter viva!
Stay tuned, como dizem os senhores estrangeiros.
Sucede então que a TMN me desafiou para com eles desenvolver um jogo, tirando partido do potencial do Twitter para algo mais do que simplesmente informar o mundo que se está a coçar uma borbulha. A Twitteratona TMN - Há Vida em Markl, também conhecida como O Maior Twittanço do Mundo, vai durar nove semanas, e em cada uma é lançado um desafio que tira partido do poder de síntese a que o Twitter obriga. Todas as terças-feiras (a começar já amanhã), eu lanço, via o meu Twitter, um desafio que caiba em 140 caracteres - ou encaixar uma receita de bacalhau nesse espaço limitado, ou fazer uma declaração de amor, ou inventar um refrão de canção, etc. Na quinta-feira o prazo de envio das respostas termina e no fim-de-semana, eu e representantes da TMN reunimo-nos em torno das respostas recebidas e atribuímos um espampanante telemóvel HTC Magic, com a plataforma Android, do Google, à resposta que, por unanimidade, considerarmos a mais original, divertida, imaginativa.
O HTC Magic, para quem não sabe, é este bonito espécime tecnológico capaz de fazer, basicamente, tudo. Ainda outro dia pus um menino destes a lavar-me o chão da cozinha. Não lavou - mas é das poucas coisas que ele não faz.

Cada semana, no final de cada Twitteratona, oferecemos um HTC Magic à melhor proeza de encaixe de algo realmente sumarento nos 140 caracteres a que o Twitter limita as mensagens.
Para participar na Twitteratona, é requerido um telemóvel TMN e a aplicação TMN+Twitter. Aqui vai o regulamento oficial, que convém ser lido com alguma atenção...
a. Pode participar neste passatempo qualquer pessoa física, seguidora (follower) do perfil havidaemmarkl (http://twitter.com/havidaemmarkl) com um perfil aberto e que seja cliente activo tmn.
b. Para se habilitar ao prémio, o concorrente deve participar através do seu telemóvel tmn, usando a aplicação tmn+twitter (http://twitter.tmn.pt). Depois da associação da conta do twitter com o número de telemóvel, a sms deve ser enviada com o prefixo: #tmn_hvm para o número 3200. É necessário que todos os concorrentes utilizem a hashtag #tmn_hvm, por esta ser a única forma da TMN acompanhar todas as participações.
c. As respostas ao desafio não podem ultrapassar o limite de caracteres estipulados no twitter (já com o prefixo #tmn_hvm incluído).
d. As respostas serão avaliadas pelo Nuno Markl e pela TMN.
e. O resultado de cada desafio será publicado posteriorment no twitter do Nuno Markl (
) e no site da TMN (www.tmn.pt).
f. Os participantes concordam com a utilização das suas respostas e nomes para divulgação dos resultados do passatempo sem qualquer ónus adicional para os promotores do concurso e seus patrocinadores.
g. A TMN não se responsabiliza por nenhuma falha técnica de transmissão, problemas de acesso à internet, serviços prestados pelo twitter ou qualquer caso fortuito ou de força maior que possam impedir a participação do usuário.
h. Não poderão concorrer a este passatempo colaboradores da TMN ou quaisquer pessoas que estejam envolvidas, directa ou indirectamente neste passatempo.
i. A TMN reserva-se ao direito de a qualquer momento alterar qualquer parte deste regulamento caso julgue necessário.
a. O(a) autor(a) da frase seleccionada pelo Nuno Markl e pela TMN será premiado(a) com um telefone HTC Magic.
b. O(a) vencedor(a) será contactado(a) telefonicamente pela TMN.
c. O prémio será entregue em mão, ao vencedor na sede da TMN, sediada na Avenida Álvaro Pais, nº2, em Lisboa.
d. O prémio não poderá ser trocado nem substituído por dinheiro.
Preparai-vos para o Twittanço imparável!
Não, não pretendia pesquisar "twitteratura", mas compreendo - a coisa ainda é nova. Daqui a uns dias já será possível encontrar "twitteratona" no Google, cortesia de um épico jogo que desenvolvi em colaboração com a TMN e que rebentará no meu estaminé do Twitter na próxima semana. Há prémios. Daqueles mesmo high-tech. Mais informações nos próximos dias.
Os meus caríssimos Patrícia Furtado e Nuno Duarte - ela, a webdesigner deste estaminé desde há anos (e também de reputados sites nacionais e internacionais); ele, argumentista de renome não só na TV (Bocage, Liberdade 21) mas também na BD (A Fórmula da Felicidade) - uniram esforços para criar este webcomic semanal que pode ser definido como o elo perdido que faltava entre Friends e O Inferno de Dante. Aí está... O Quinto Esquerdo dos Infernos.
A minha paródia-tributo às rádios locais mais apiratadas estreou hoje na Antena 3 e agora irá para o ar todos os dias, às 9h15, 14h15 e 17h15. Para transportarem a Talismã FM para todo o lado, há sempre a muito conveniente opção podcast, disponível ou no site da RTP, ou no bom velho iTunes.
O Vitinho traz-me calorosas memórias por interposta irmã. Em 1986, jovem adolescente de 15 anos, o pequeno campónio das papas já não me mandava para a cama, mas o que é certo é que todas as noites nos entrava em casa e, como é evidente, dizia mais à minha irmã de cinco anos do que a mim, que já estava muito mais virado para coisas extremamente maduras e adultas, como os Masters do Universo. Mas aquela animação transbordava afecto não-lamechas e continha uma sequência, perto do fim, em que o pai e a mãe do Vitinho (que, curiosamente, ao contrário do filho, tinham silhuetas e vozes de classe média urbana e não de gente capaz de vestir um filho com um chapéu de palha e umas jardineiras) vão despedir-se dele ao quarto, assegurar-se que tudo está bem com o petiz e aconchegá-lo antes do sono.
Pois bem: não via este videoclip há anos, mas este fim-de-semana, o fim-de-semana em que - rufem os tambores e toquem as cornetas, mas baixo para não o acordar - o Pedro se estreou na sua própria cama, no seu próprio quarto, de repente eu e a Ana estamos junto ao Pedro, depois do último biberão do dia, olhando para ele a fechar os olhos, enquanto olha para nós, confortavelmente instalado na nova cama, e ao saírmos os dois do quarto, a primeira reflexão que me ocorre é esta: "Somos os pais do Vitinho". E, caneco, é mais um passo de gigante no maravilhoso processo que nos faz, aos poucos, sentirmo-nos um bocadinho menos filhos e um bocadinho mais pais: o momento em que, pela primeira vez, saímos pé ante pé do quarto de um filho depois de o aconchegarmos para a noite de sono. Não há outra volta a dar-lhe: é grandioso, o momento em que, de repente, somos os pais do Vitinho.
Nota: os logotipos que ilustram este post foram criados ontem à tarde por fãs na minha página do Facebook. Foi uma verdadeira jam session gráfica!
No fim dos anos 80 trabalhei numa rádio pirata chamada Voz de Benfica que, entre outras características, tinha a particularidade de, quando queríamos fazer um jingle com efeito de eco termos de o ir gravar para a casa-de-banho. Mais: o sinal horário era accionado à mão (era um botão vermelho que, chegando à hora, tínhamos de premir um número não definido de vezes; frequentemente esquecíamo-nos do sinal horário, noutras vezes alguém pousava distraidamente a mão sobre o botão vermelho durante uma emissão, não percebendo que, dessa forma, estava a oferecer aos ouvintes não apenas música mas um apito contínuo irritante). Essa experiência, juntamente com o conhecimento que tenho das rádios locais também por ser ouvinte delas e do estilo inconfundível que muitas ainda hoje têm, de forma militante e irredutível, está na base da minha nova rubrica da Antena 3, Talismã FM: a recriação o mais fiel possível de uma rádio local parada no tempo, algures numa zona indefinida do país (aparentemente no centro) chamada Sobralinhos de Alhambra. Não é uma radionovela como era o Perdidos no Éter; o conceito da rubrica é que, durante breves minutos, a emissão da Antena 3 é ocupada por uma ligação a esta pequena rádio que ainda acha que é com efeitos de eco e instrumentais dos Space e de Jean-Michel Jarre que se conquista um auditório.
Fazer a Talismã FM tem sido das coisas mais divertidas que fiz na rádio, já que a nossa ambição, minha e do César Martins, o sonoplasta que, como habitualmente, produz os episódios com o seu gigantesco talento (que já esteve ao serviço de Perdidos no Éter e O Livro dos Porquês), é ser absolutamente perfeito nas imperfeições que esta estação emissora tem. Este deve ser o único projecto em que dou por mim a dizer ao César coisas como "ainda não está suficientemente mau, o som; piora um bocadinho mais, por favor". Nesta rubrica, forma e conteúdo cruzam-se como nunca e o filtro "sujo" escolhido pelo César para criar o ambiente sonoro consegue dar um incrível impacto às piadas. Ouvir a gravação limpa, sem o filtro "microfones-e-emissor-baratos-de-198
Quer isto dizer que a partir de 4ª feira, há um momento perigosíssimo na Antena 3 em que um ouvinte mais incauto poderá achar que se enganou na sintonia, tal é o rigoroso e obsessivo trabalho de ruindade sonora que andamos a levar a cabo. Saúde-se a coragem do José Mariño, director da Antena 3, em dar tempo de antena à nossa pequena mas empenhada rádio local! Já criámos anúncios ("compromissos comerciais", na verdade), excertos de programas diurnos e nocturnos, rubricas, programas religiosos, astrológicos... e isto ainda é só o começo.
Outra coisa que já temos é um "ID" gravado por uma vedeta. Ontem o mítico Roberto Leal foi à Antena 3. Expliquei-lhe o conceito da Talismã FM e ele gravou uma daquelas mensagem "olá, eu sou o Roberto Leal", completamente dentro do espírito da rubrica. Hão-de a ouvir pelo meio de um dos episódios, um dia destes. E hão-de aparecer mais vedetas reais lá pelo meio, convivendo com as vedetas fictícias da rádio.
As vedetas fictícias da rádio, as vozes que abrilhantam as emissões da Talismã FM... são, na verdade, as mesmas que abrilhantam as emissões da Antena 3. Só que expondo o seu lado mais pirata e com alguns retoques dados em pós-produção pelo César. Eu já me transformei em vários cromos (incluindo um estranhíssimo vidente chamado Mestre Banzu), mas o Luis Oliveira, a Joana Dias, o Jorge Botas e o José Mariño também já mostraram todo um lado desconhecido, ao gravarem alguns "compromissos comerciais" para a estação.
No meu estaminé do Facebook podem ouvir uma amostra da rubrica, e, se acompanharem o que aconteceu lá durante a tarde de ontem, vêem a colecção completa de logotipos feitos por fãs e um video explicativo da coisa, entre outras informações. A Talismã FM começa na quarta-feira que vem e depois passa de 2ª a 6ª às 9h15, 14h15 e 17h15, na Antena 3. Como acontece com todas as rubricas da rádio, a obra deve depois ser transformada num podcast, para quem não puder ouvir em directo ou quiser repetir a tortura!