O Ricardo Augusto é mais do que um mero fã da minha rubrica na Rádio Comercial, A Caderneta de Cromos. Foi um dos primeiros a registar-se na gigantesca comunidade em que se tornou a página Facebook da rubrica, foi criador de diverso conteúdo humorístico original em video, filmando as suas odisseias para encontrar Peta Zetas e na descoberta do embaraçoso clássico Emílio e os Detectives numa livraria de Berlim, organizou a petição que pedia o regresso do gelado Fizz Limão (e que chegou às altas esferas da Olá!), movimentou outros ouvintes da Caderneta em convívios de fãs - em suma, quase posso dizer que o Ricardo Augusto, senhor de um sentido de humor refinado e de uma capacidade mobilizadora única, compincha que não conheço fora da Internet, acaba quase por ser o meu braço direito na construção da entusiasmada e participativa comunidade da Caderneta de Cromos!

 

Infelizmente, há uma semana, o Ricardo teve um violento acidente de viação. Está em coma, no Hospital de São José, e apesar da gravidade dos ferimentos tem dado indícios de uma lenta mas promissora recuperação. Tem sido extraordinário ver boa parte dos quase 47 mil fãs registados da página Facebook da Caderneta de Cromos criar uma tão poderosa onda de solidariedade e de amizade para com o Ricardo. E eu, que não acredito por aí além em coisas que não vejo, começo a pensar que a energia provocada por este encontro de pessoas é bem capaz de sair disparada em direcção a São José, entrar pela janela do quarto do Ricardo e ajudá-lo a regressar, rapidamente.

 

Associada a este caso do Ricardo está a Corporação dos Bombeiros de Alcochete. Foram eles, liderados pelo comandante Paulo Vieira - também ele parte da comunidade de ouvintes da Caderneta de Cromos no Facebook - que procederam ao salvamento do Ricardo. Na operação, ficou arruinada a tesoura de desencarceramentos - um acessório que custa 15 mil euros. A Corporação dos Bombeiros de Alcochete debate-se com sérias dificuldades financeiras e não tem grandes (ou nenhuns) apoios. Perante um caso parecido com o do Ricardo, estão em falta de um acessório que fará toda a diferença.

 

No momento em que vos escrevo estas linhas, a comunidade de ouvintes da Caderneta de Cromos tem, precisamente, 46621 elementos. Se cada um der 1 euro que seja, será uma magnífica contribuição, e que deve estimular a que se apoiem tantas outras corporações de bombeiros que, em Portugal, vivem com sérias dificuldades.

 

Um grupo de fãs da Caderneta lançou esta ideia, em homenagem ao Ricardo, e eu de imediato a apoiei e agora a divulgo aqui. Mais informações nesta página e também espalhadas pelo mural da página oficial da Caderneta de Cromos. A melhor homenagem que podemos fazer ao Ricardo Augusto é, para além de continuarmos todos a pensar nele e a apoiar a família dele neste momento mau que se espera breve, ajudar os profissionais que o ajudaram, faz hoje uma semana.

 

O NIB da Corporação de Bombeiros de Alcochete - 001000002303978000158. (Obrigado à Priscila Veríssimo pela informação e dedicação à causa!)

 

De acordo com a descrição que os bombeiros fizeram à Isabel, irmã do Ricardo, o Ricardo estava consciente quando chegaram ao local do acidente e fez-lhes o gesto do polegar para cima, daqueles que se usam para dizer que está tudo bem. Daí a pouco perderia os sentidos e entraria em coma, mas esse brevíssimo momento descrito pelos bombeiros, vejo-o como um tremendo sinal de esperança de que vai tudo correr bem e de que este Cromo, com respeitosa letra maiúscula, vai safar-se desta com a mesma energia e sentido de humor com que fez os seus videos para a Caderneta. Há uma cadeira à espera dele, no estúdio onde fazemos o Programa da Manhã da Comercial, para, quando estiver recuperado, vir participar numa edição da rubrica de que sempre foi uma parte tão importante, desde o primeiro episódio, em Novembro. Até já, Ricardo!



Como já é público, está prestes a abrir o canal de televisão das Produções Fictícias - chama-se Q, funcionará durante o horário nobre no canal 15 do Meo, e é lá que irei apresentar, às 2ªs, 4ªs e 6ªs, o programa A Rede. Vai ser divertido, porque é, no fundo, a versão televisiva do espírito deste blog, do Facebook e do Twitter - sobretudo no que toca a sugerir as coisas interessantes que há para ver / ouvir / ler / jogar / etc. E sempre com convidados de altíssimo gabarito.

 

Às 3ªs, 5ªs e 6ªs, A Rede terá como apresentadora a Carla Gomes, que alguns de vós reconhecerão das reportagens que fez para diversos programas da RTP e também da banda onde é vocalista, os Nicorette:

 

 

(Posso assegurar que a Carla não irá apresentar o programa envolvida no lençol.)

 

Não sei se repararam que a 6ª feira é um dia coincidente nos dois apresentadores. Significa isso que, ali à entrada do fim-de-semana, apresentaremos o programa os dois, numa dinâmica A Bela e o Monstro. Atenção: monstro, no sentido de monstro sagrado, porque eu, de alguns ângulos e com determinada luz, sou um indivíduo extremamente bonito. Bonito talvez não de uma forma George Clooney; bonito assim da maneira como se diz, por exemplo, que um cão é bonito. Um daqueles rafeiros de olhar meigo. Já não é mau.



 

Por várias ordens de razões, Jerry Seinfeld não precisava de fazer mais nenhum programa de televisão na vida: primeiro, porque fez uma sitcom tão revolucionária, definitiva e tão eternamente actual em todo o seu dissecar das pequenas coisas da vida, que poderá ser vista daqui a 100 anos e ter a mesma graça e impacto que teve quando estreou nos anos 90. Depois porque... bem, porque é multimilionário, continuará a ser e assegurará que os seus herdeiros continuarão a ser - basta a série Seinfeld existir e continuar a passar em canais de televisão pelo mundo fora e a vender DVDs.

 

Por isso, tudo o que ele fizer agora nunca poderá receber o carimbo de "fê-lo por dinheiro". Ele pode fazer o que lhe der na gana, e depois de ter co-escrito e interpretado um filme de animação que tive a honra de dobrar quando passou por cá - Bee Movie, que me valeu ainda esse momento histórico da minha vida que foi conhecer e conversar com o próprio Seinfeld! - agora deu-lhe na gana fazer um reality show cuja premissa soa menos a Seinfeld do que a João Kleber: casos reais de discussões entre marido e mulher, arbitrados por um apresentador que, na tarefa, é ajudado por um painel de celebridades. É claro que, estando Jerry Seinfeld por trás do projecto, esperava-se que The Marriage Ref fizesse pelos reality shows o que Seinfeld fez pelas sitcoms clássicas de três câmaras e público ao vivo: que, usando um formato batido, o minasse com acidez e inteligência, transformando-o em algo de novo. Acontece que, lendo praticamente todas as críticas que saíram na imprensa um dia após a transmissão do primeiro episódio, a ideia que fica é que The Marriage Ref é o pior programa de sempre da História da TV. Um crítico chega ao ponto de dizer que The Marriage Ref é tão mau que pode fazer um espectador questionar a própria série Seinfeld. (Este crítico é parvo.)

 

Nada como o pior hype do mundo para ter surpresas agradáveis. Talvez porque, em Portugal, estejamos habituados a reality shows tão xungas (o que diriam os críticos detractores de The Marriage Ref se vissem algumas das coisas que têm sido feitas por estas bandas?), ver The Marriage Ref tem o seu quê de refrescante: começa logo pela categoria do apresentador (Tom Papa é um excelente comediante de stand-up) e estende-se à categoria do painel de convidados (que incluiu, no primeiro episódio, o próprio Jerry Seinfeld, Alec Baldwin e Kelly Ripa), todos eles assegurando que o programa é eficaz, espirituoso... e rápido. Aliás, a duração é um dos pontos vencedores do programa: cada vez me convenço mais de que todos os programas de humor deviam ter 22 minutos. Infelizmente, em Portugal, tal duração é unanimemente considerada pelos canais de televisão como mau negócio.

 

Onde é que a coisa me parece que falha? Precisamente no que motiva toda aquela gente a estar ali no estúdio: as brigas dos casais, propriamente ditas. Analisando os dois casos apresentados no primeiro programa, há um cão empalhado a provocar uma tensão num casal e, noutro, um varão de striptease que um marido insiste em instalar no quarto, com o argumento de que "pode arrumar-se na garagem e parecer um acessório de pesca". As histórias são material que tresanda a episódios de Seinfeld ou Curb Your Enthusiasm, mas aqui isso não é exactamente um elogio: a verdade é que a parte de reality deste show soa tão espectacularmente forçada, tão escrita e tão pouco espontânea (e, sejam os elementos dos casais actores ou gente real, eles não são Jerry Seinfeld, Julia Louis Dreyfus, Larry David ou Cheryl Hines!) que isso acaba por provocar um certo desconforto durante todo o visionamento do episódio - apesar, lá está, do talento das pessoas em estúdio assegurar que há ali momentos hilariantes de conversa.

 

Seja como for, sou rapaz para ficar espectador de The Marriage Ref, sobretudo porque entre os próximos convidados estarão Larry David, Ricky Gervais, Madonna, Tina Fey e Sarah Silverman. Tendo em conta que as audiências não foram por aí além e que todos os críticos estão a crucificar o programa, é provável que ele não dure muito tempo - por isso, é de aproveitar enquanto dura!





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Olhem para o que eu ando a fazer
Caderneta de Cromos - 2ª a 6ª feira, 8h45 e 9h45
(o clube de fãs no Facebook)

PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
(site do programa)

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