... do que a ver, numa sessão da meia-noite, como convém, o delicioso
Death Proof, do Quentin Tarantino.
Não me venham com robots gigantes, piratas e feiticeiros púberes: o grande entretenimento de Verão é esta maravilha, em iguais partes xunga e genial, num momento capaz de gastar metros de fita em conversas de chacha (mas daquelas conversas de chacha que só o Tarantino é capaz de escrever) e no outro criando uma das perseguições automobilísticas mais avassaladoras do pós-Terror na Auto-Estrada. Como todas as coisas de culto, está condenada a que muita gente não a perceba: enquanto eu chorava a rir e batia palmas com o "THE END" (sem dúvida um dos melhores finais do ano), um bando de jovens urrava revoltado, atrás de mim, que queria o seu dinheiro de volta. Fico contente quando malta pede o dinheiro de volta sem se ter apercebido do brilhantismo, do gozo, do quão especial foi o filme que acabou de ver. É bem feita! Esta primeira metade do Grindhouse não é, definitivamente, para toda a gente. Sei que é para mim e que, como acontece com todas as pessoas para quem este filme é, saí felicíssimo da sessão.
P.S. 1 - Não culpem o projeccionista pelos saltos na fita, as impurezas na imagem e esse insólito momento em que o filme fica a preto-e-branco por alguns minutos. É tudo o Tarantino a prestar merecido tributo ao cinema xunga da sua adolescência.
P.S. 2 - Obrigado pelos parabéns!
P.S. 3 - Aguentem com paciência pelo webisódio 4. Está quase. Creio que vai valer a pena. Pois se até efeitos especiais a gente tem desta vez!
P.S. 4 - Kurt Russell rula (ah, grande Snake Plissken, que regressaste mascarado de serial killer rodoviário!)
P.S. 5 - Todas as incríveis, maravilhosas, casemos-com-elas-mesmo-que-nos-partam-a-espinha, fabulosas moçoilas de Death Proof rulam!
Hugo