Comprinhas novas na Amazon inglesa.

Primeiro, o mais recente volume da saga
Flanimals, de Ricky Gervais,
Flanimals: The Day of the Bletching. Sou fã do absurdo e da bizarra poesia dos livros infantis de Gervais. E agora uma coisa que aposto que vocês não sabiam: o primeiro tomo de
Flanimals foi editado em Portugal (com o título
Flanimais). E foi das coisas mais tristes que já vi: não teve promoção e foi deprimente descobrir que aquilo tinha saído cá ao ver um caixote cheio de
Flanimais a preço de ocasião, numa daquelas "feiras da ladra" que a FNAC do Colombo organiza no fórum, de vez em quando, para onde vai a livralhada toda que ninguém compra e da qual eles se querem ver livres. Toda a gente com quem falei - e estamos a falar de fãs devotos de Gervais - não fazia a mínima ideia da existência de uma tradução do primeiro
Flanimals. Merecia outra sorte, porque esta é daquelas séries que consegue chegar a todos os públicos dentro da mesma casa: os putos deliram com as ilustrações dementes de Rob Steen e com a capacidade de Ricky Gervais em comunicar com as crianças falando-lhes sem paternalismos e com humor refinado; os pais, sobretudo os que forem espectadores de
The Office e de
Extras, reconhecem a voz Gervaisiana nesta espécie de
BBC Vida Selvagem das espécies que não existem. De livro para livro o universo dos Flanimals expande-se e renova-se quando por esta altura seria suposto estar a tornar-se repetitivo. Gervais tem o brilhantismo que se lhe reconhece para manter as coisas sempre frescas e novas, de livro para livro.
Um dos parceiros de Gervais, e também saco de pancada favorito dele e do seu comparsa

Stephen Merchant, Karl Pilkington, atinge a (relativa) maturidade com o novo canhenho
Happyslapped by a Jellyfish - The Words of Karl Pilkington. Se a primeira obra do homem da cabeça redonda era uma transcrição das suas conversas com Gervais e Merchant nos afamados
podcasts do trio,
Happyslapped é Pilkington sozinho com os seus pensamentos dissertando sobre a sua estadia nas mais variadas partes do mundo, onde tirou férias com a sua namorada Suzanne. Seria de pensar que o
idiot savant da XFM inglesa e da Internet estaria a começar a dar um passo maior do que a perna e a entrar na sua fase Zé Cabra, seguindo o espírito "se a malta gosta que eu seja bronco e isto ainda me dá uns cobres deixa-me cá dizer mais umas alarvidades". E é possível que dentro do inocente Pilkington esteja a começar a despontar uma besta sedenta de dinheiro e fama. Mas os textos continuam surpreendentes e as ilustrações muito boas. Pode também dar-se o caso de ser cada vez mais evidente que Karl seja o mais espectacular
hoax do mundo da comédia desde as experiências de Andy Kaufman e que, como muito boa gente acredita, não passe de uma criação notável de Ricky Gervais e Stephen Merchant interpretada por um desconhecido com um talento gigante. Ainda há dias li mais um depoimento de Gervais e Merchant jurando a pés juntos que Karl Pilkington é legítimo mas, se querem que vos diga, não quero saber. Se Pilkington for um projecto dos dois comediantes é mais uma obra de génio; se for genuíno, é uma cabeça fascinante (e não é só por ser "perfectly round, like an orange", como diz Ricky). O que eu sei é que nem Portugal escapa às observações do imbecil favorito do mundo que, neste segundo livro, dedica todo um capítulo à Madeira, sendo que a coisa mais notável da estadia de Karl na ilha de Alberto João Jardim foi o pequeno funeral que ele fez a um pássaro morto que ele encontrou coberto de formigas. Dois livrinhos não excessivamente caros e muito recomendáveis para coleccionadores de
memorabilia Gervaisiana.
Já agora: http://mola-pt.blogspot.com/