O hype à volta do filme irlandês Once é de dimensões aparentemente incomportáveis. Quase 100% de opiniões entusiásticas na vasta lista de críticas do famoso Rotten Tomatoes. Prémios nos mais variados festivais. Românticos e cínicos rendidos a esta história. Algum buzz no que toca a possibilidade de nomeações para os Óscares. Uma canção nomeada para os Grammys. Uma quantidade de e-mails enviados por pessoas que viram o filme, garantindo-me que era uma maravilha. Com todo este pedigree, achei que não arriscava muito comprando a edição de região 1 (o risco maior era que alguém, no percurso, me ficasse com o DVD!). E agora que vi o filme, junto-me ao coro de quem ficou rendido ao menos ortodoxo de sempre dos musicais românticos. Talvez por não ser musical no sentido clássico e por não ser romântico da maneira xaroposa como Hollywood produz catrefadas de comédias românticas, Once é um filme especial, sincero e imprevisível que alguém tem de estrear em Portugal. Urgentemente.
Once é escrito e realizado pelo ex-membro da banda The Frames, John Carney, e protagonizado pelo vocalista da dita banda, Glen Hansard, e pela cantautora checa Marketa Irglova. E parece, quando se olha para a sinopse, um daqueles musicais inspiradores dos anos 80: rapaz e rapariga pobres salvam-se através da música e do amor. Mas não tem nada a ver: filmado em Dublin quase como um documentário (câmara ao ombro, trémula e afastada dos actores, como que não querendo intrometer-se demasiado nas suas vidas, mas nunca os perdendo de vista no meio da multidão), com um argumento onde canções falam mais que diálogos sem nunca lhes roubarem o lugar, e onde os acontecimentos se sucedem, de forma realista, aos solavancos, hesitações e embaraços, ora levando os protagonistas a pequenos momentos de felicidade, ora deixando-os num valente desconforto, é quase uma visão dogma de um musical romântico, mas sem o pretensiosismo. Aliás, se há coisa que Once não tem é ambições desmedidas de ser mais do que aquilo que é: um tributo ao poder da canção pop, conseguindo ser tocante sem recorrer a lamechices ou floreados. Once é cru e sincero, quase um reality show com pessoas que até podem ser banais, mas nunca desinteressantes. E é talvez o primeiro filme romântico a usar um aspirador Hoover avariado como desbloqueador de conversa entre rapaz e rapariga. Caramba, só por isto já merece a vossa atenção, ou não?
As canções são de categoria, ou não fossem elas compostas pelo próprio Glen Hansard, que apurou a sua escrita a um ponto que é impossível dizer qual dos temas que compõem a banda sonora de Once é o melhor. Mas o mais incrível é constatar como dois não-actores como Hansard e Irglova conseguem não só ter uma suave química que mete inveja a muita dupla profissional, como nos agarram e nos deixam a pensar se fará ou não sentido, nas vidas deles, que fiquem juntos no final. E o final é tão simples, que é magnífico.
Agora tomem lá o videoclip do tema principal da banda sonora, Falling Slowly e vejam lá se vêem isto. Se for preciso, fazemos outra petição, a ver se Once estreia por cá.
(Para os gajos: não se deixem enganar - isto é romântico, mas não é nenhum chick flick passível de transformar um homem de barba rija no meu cão Sharik. Aliás, o meu cão Sharik, não tendo testículos, é uma lição de masculinidade para todos nós.)
(Vale também a pena dar uma ouvidela à obra dos Frames, que tem lá dentro canções muito recomendáveis - algumas delas fazem parte da banda sonora de Once.)
Epah fu logo ver o trailer ao Youtube e definitivamente tenho d ver isto, parece-me um daqueles filmes prefeitos (na minha opinião, faz mm o meu género). Venha essa petição, até a assino duas vezes! Deixou me mm com água na boca!
Sim o filme deve ser mto bom, mas porque é que não existe em podcast as mais recentes edições do NUNO & NANDO? Ah? Porquê, porquê, porquê? Sorry a música não me sai da cabeça.
"Once" é um filme muito mau, não vejam! Pura e estúpida tentativa falhada de recriar os tons e espírito desse sim fabuloso, "Lost in Translation". Mal filmado, interpretado e com "vipes" de "Last Days" mal copiados.
Recriar os tons e o espírito do Lost in Translation???
Acho que vimos dois filmes diferentes...
Não é bosta nenhuma. É uma coisa feita com generosas doses de alma e sinceridade. E bem interpretado, por pessoas normalíssimas a fazerem praticamente delas próprias (uma das razões, segundo o Carney, para a câmara estar longe deles, para não os intimidar). Se fosse interpretado por actores a sério, acredita que um filme como o Once perderia parte da força e da credibilidade. Portanto, onde se lê "não vejam", reafirmo com veemência o meu "VEJAM"!
Quanto ao Juno, já ouvi dizer que sim senhor, que é bestial e é um dos que aguardo com mais expectativa para ver. Mas o Once é um grandíssimo pequeno filme, merecedor de estima e respeito aos mais variados níveis.
mas sera possivel que tu, Markl, tenhas de livre e espontanea vontade castrado o teu cao, retirando-lhe nao so a possibilidade de copular e transmitir o seu sangue e genes à vindoura geraçao canina como tambem a possibilidade de se afirmar como um verdadeiro ser macho!!! INADMISSIVEL! é inadmissivel que nos dias que correm ainda haja que faça este tipo de assassinio, nao fisico, mas moral. toda a vivacidade, toda a fogosidade...desapareçeu tudo quando o bisturi de satã erradicou da vida essas porçoes genitais de forma semi-esferoidal que dentro delas continham semente de nova vida. quando permitiste isso, permitiste o fim de todo um legado canino, de possivel orgulho.
Porque de outra forma ele poderia engravidar as cadelas. E nenhuma delas - uma por ser velha e a outra por ser pequena - sobreviveria a uma gravidez provocada por um cão consideravelmente maior como o Sharik.
Pelo filme não falo porque ainda ão o vi, mas pelos The Frames já sou capaz de dizer qualquer coisita. Não sei se conheces o tema "Fake", mas se ainda não tiveste essa oportunidade dá um salto ao You Tube que está por lá de certeza. Uma coisa assombrosa!!! Uma MUSICAÇA (à semelhança dos teus Filmaços) Em relação ao álbum "Once" de onde retiraste este tema é fantástico assim como o mais recente (de 2007) "Oceansize". A não perder! Definitivamente! Quanto ao filme, lança lá a petição que a malta assina.
Fiquei rendida à musica :) Acho que seria uma bela hipotese fazer a tal petição :D Parece interessante e fico à espera que ou me emprestes o Dvd ou que sai em Portugal :D [estou a brincar claro!] Bom ano! :D
Há já algum tempo que tinha visto o trailer no apple.com/trailers mas estava difícil de o encontrar no sub-mundo dos torrents...mas finalmente alguém lá conseguiu disponibilizar. Não tenho nada a acrescentar à critica que acabaste de fazer pois dizes tudo. Este filme é do melhor e inspira, principalmente quem tem algum contacto com música (neste caso, guitarra como eu). Por isto, venha de lá essa petição se fôr preciso...a minha assinatura já lá tá! eheh!
Cheers.
(primeiro comentário, depois de há mais de um ano assiduamente cliente deste estaminé )
Jorge
P.S.: Markl, uma dúvida, o mail que tens aqui na página está activo? (o havidaemmarkl@sapo.pt) tentei mandar mail mas veio devolvido.
Eu acabei de ver a gigantesca banhada do ano, que é o "I Am Legend" do Will Smith. Que cento e tal minutos de bosta fumegante. Ainda por cima já me custou 5.50 Euros. Para a próxima vou ver o Call Grl, em vez de um filme de monstros, com mix de Rex, o cão policia.