Primeiro, pela morte chocante de Heath Ledger, um actor que estava à porta, mesmo à porta de ser uma das grandíssimas estrelas de Hollywood (o desempenho dele no Brokeback Mountain, mais os breves momentos em que o vemos fazer de Joker nos trailers do promissor The Dark Knight eram duas das garantias de que Ledger estava imparável).
Depois - e é claro que isto se torna minúsculo e relativo ao pé da morte de Ledger, um tipo de 28 anos - estou sem palavras (pronto, com poucas, vá lá) porque vi Cloverfield esta noite, numa sessão organizada pela Lusomundo nas bizarras profundezas da estação de metro do Terreiro do Paço, uma deliciosa ideia de marketing que se transformou numa emocionante comunhão de pessoas que ainda acreditam que há esperança para a indústria do grande entretenimento cinematográfico. Amanhã faço um texto mais desenvolvido sobre o assunto, mas uma coisa posso dizer, para já: Cloverfield, sem necessitar do orçamento exorbitante de um I Am Legend, um Piratas das Caraíbas 3 ou um Transformers, não só pontapeia os rabos de praticamente todos os blockbusters que têm estreado nos últimos meses, como lhes dá uma vergastada brutal com uma cauda viscosa de metros e metros de extensão e a força de vários exércitos. Para sair de uma projecção de Cloverfield de barriga cheia, ajuda amar o espírito da série B clássica, porque sendo este um filme com uma linguagem ultra-moderna, é dos poucos, em muito tempo, que percebe aquilo que fascinou toda a gente quando, por exemplo, King Kong espantou o mundo em 1933.
Sim, é muito bom.
(Agora tenho mesmo de ir dormir. Com a vossa licença, retiro-me para os aposentos.)
=/ sad, fucked up shit.