Uma vez mais, tenho de contestar directamente uma crítica que vem no Público desta semana. Diz o Vasco Câmara, "poucas vezes acontece durante a projecção de Juno sentir que os diálogos, aforismos e situações não são mais do que o instrumento de uma argumentista à procura da imortalidade com a great american quote".

E eu pergunto: e então? Não é legítima ambição de um argumentista que as suas palavras fiquem? Diablo Cody, que merece desde logo o Óscar de melhor nome de argumentista, é uma escriba que constrói diálogos como quem escreve letras de canções - o que é absolutamente adequado em Juno - e ter esse cuidado de ourives com a palavra não significa que, por isso, se esteja a ser calculista ou pouco espontâneo. Acho que, muito simplesmente, se está a ser bom. Acho que essa é uma ambição legítima e, neste caso, concretizada, que se há coisa que Juno é, é bom. Muito bom. Bem escrito, interpretado, dirigido com delicadeza por Jason Reitman (de quem eu já tinha gostado muito de Obrigado Por Fumar) e com essa coisa absolutamente contagiante que é perceber-se que quem fez o filme adora todas aquelas personagens e, das mais importantes às mais secundárias, a todas - e aos respectivos e extraordinários actores - dá a possibilidade de brilhar.

Ellen Page confirma, depois de Hard Candy, que é uma espécie de Natalie Portman vezes 1000; é bom reencontrar Michael Cera e Jason Bateman no mesmo filme depois da série Arrested Development; é bom também que, finalmente, alguém tenha dado um bom papel, em cinema, a Jennifer Garner.

Houve alguém, nos comentários aqui de baixo, que dizia que, ao chamar a Juno "a comédia", eu estava a insultar coisas como os Monty Python. Calma. Juno é a comédia deste ano, e durante o tempo que dura, esta história de gravidez teen e de amores e desamores cruzados, ela consegue fazer com que o espectador sinta que está a ver a pequena história mais importante do mundo, e não é qualquer um que consegue tal proeza (lembro-me que, no ano passado, foi o extraordinário Little Miss Sunshine, com o qual Juno faz uma bela double feature sobre família e outros acidentes de percurso). E sim, é uma comédia, não é um drama. Uma comédia, hoje em dia, não é necessariamente uma máquina de cócegas - coisas como a série britânica Marion and Geoff ou momentos de The Office e Extras, de Ricky Gervais, provam que hoje em dia a comédia pode roçar a tristeza e a angústia sem deixar de ser comédia - e as cócegas que Juno faz são, acima de tudo, na inteligência. É um regalo de filme que, mesmo no combate taco-a-taco com os grandes Paul Thomas Anderson e os Coen, merece não sair, mais logo, de mãos a abanar.

E a banda sonora é daquelas para manter em repeat, em leitores de mp3 e CDs por esse mundo fora.

Um tónico, este filmezinho. Larguem lá o Rambo e vejam mas é isto, pá!


Izzy @ 17:09

Dom, 24/02/08

 

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Concordo quando dizes que este filmezinho eh um tonico, na senda de Little Miss Sunshine. O argumento esta um mimo e so falta perceber como eh que uma ex-stripper do Midwest consegue criar dialogos tao ricos. E claro, o casting da Ellen Page foi das melhores coisas que podia ter acontecido a este filme. Agora discordo quando dizes que este filme eh "a" comedia de 2007. A comedia de 2007 eh indubitavelmente Superbad! Ja viste? Se nao, ve entao e depois diz coisas.

Quanto aos Oscares, acho que Juno so vai ganhar por argumento original. Melhor filme, sem duvida, No Country, melhor actriz, a fantastica Marion Cotillard e realizador vai para os Coen (mais o de argumento adaptado).


Rita @ 17:15

Dom, 24/02/08

 

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Muito bom filme. Para mim é a melhor comédia desde Garden State.
Quanto a óscares acho difícil, dada a forte concorrência, mas tenho esperança que leve pelo menos o prémio de melhor argumento.
E essa crítica do Público é tanto mais ridícula que recentemente no programa do David Letterman a argumentista disse que grande parte do filme era autobiográfico, com excepção da gravidez acidental. Grande parte dessa gente acha-se pertencente a uma raça superior e possuidora de um nível intelectual supremo, mas na verdade não passam de tristes à procura de protagonismo e afirmação.


ashn0d @ 17:28

Dom, 24/02/08

 

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Nao podia concordar mais contigo, Juno é um filme excelente. Vi-o com poucas expectativas (apesar de estar nomeado aos Óscar), mas saí do cinema de boca aberta. Uma história simples mas ao mesmo tempo tocante e comovedora, Ellen Page num papel absolutamente excelente e que interpreta com um à-vontade indescritivel.

Quanto à banda sonora, foi a melhor que ouvi este ano e só a música dos créditos de abertura ("All I Want Is You" de Barry Louis Polisar) vale a pena o álbum.


Apenas esperava um papel de Michael Cera mais importante no desenrolar do filme.


NM @ 17:53

Dom, 24/02/08

 

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Quem diz isto: ao chamar a Juno "a comédia", eu estava a insultar coisas como os Monty Python.
Não tem simplesmente uma visão correcta do que é comédia, ou acha que a comédia não pode ter o seu toque ironico!

Sim senhor, Juno é um dos filmes do ano. Simples, directo e leve! Nada rebuscado e sem final como No country for old men.
Sem ter visto There Will be blood, acho que Juno tem legitimas esperanças logo à noite! Atonement e Juno são os meus grandes favoritos para esta noite e Ellen Page que leve o galardão como melhor actriz! Se não foir hoje, será num futuro com toda certeza!

Já agora, não sejam o português "tradicional" e se forem criticar o filme, dêem razões lógicas, sff.

O filme é bom, porque é simples, directo e leve. O principal objectivo de um filme é entreter e as comedias servem para desanuviar e se derem uma lição de moral são sempre benvindas. Juno faz isto?


Nuno Markl @ 21:14

Dom, 24/02/08

 

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Sem final, o No Country For Old Men? A maravilha do No Country For Old Men é, entre outras coisas, aquele final! Por esta altura penso que toda a gente já está um bocado farta de finais banais...


JLS @ 22:34

Dom, 24/02/08

 

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Sem dúvida... 'I am Legend' então, prova actualissima disso mesmo.


NM @ 22:48

Dom, 24/02/08

 

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ó pá, até pode ser uma maravilha!
mas eu não gostei do final do filme. ;)


Rita Rodrigues @ 17:09

Sab, 08/03/08

 

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não só concordo como subscrevo, Juno é, de facto, uma pequena história que parece a mais importante do mundo e um filme delicioso e extremamente bem escrito. já agora, para rematar essa do "larguem masé o rambo" (e uma vez que adorei a tua critica ao filme na antena3) fica aqui um clip q foi certamente feito por um desses senhores que se disse tao indignado devido às tuas críticas ao RAMBO 31418941156494165º episodio:
http://br.youtube.com/watch?v=NJrdT6hn6io&feature=related


tudo de bom e uma feliz recuperação da tua casa


wappa @ 22:53

Dom, 24/02/08

 

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Andou a ler críticas ao filme, só pode ser... generalizou-se nos EUA a ideia de que o No Country... não tem um último terço muito famoso, mas até tem. É preciso é vê-lo miúda.


NM @ 02:28

Seg, 25/02/08

 

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menina?
suponho que não seja para mim!
MAs se fosse, eu só falo qnd vejo ;)

eu não achei o final nada de especial, é a minha visão e opinião


wappa @ 12:28

Qua, 05/03/08

 

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Eu não disse menina, disse miúda.

E de mais a mais, quero mesmo é que te f...


mariana @ 18:06

Dom, 24/02/08

 

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querido, querido markl:

deus o abençoe por ter publicado este post. acabo de chegar do cinema e beijo-lhe os pés. obrigada, que filme fantástico!
uma comédia com a medida certa, às vezes desconfortável, outras vezes aligeirada, as personagens todas cheias de sumo e com vontade de as convidar para um café, a fuga às "soluções fáceis" do cinema - as que puxam à lágrima ou à gargalhada elementar...
muito bom!

já agora, obrigada também pela sugestão do darjeeling: parecia um filme mudo feito de fotogramas perfeitos, com as palavras certas no momento certo e a música brutalmente desarticulada...

sr. markl, obrigada pelo serviço público que prestou!!!

ps. realmente, o rambo é uma boa sugestão. ainda hoje na fila do cinema sugeri a um casal que fosse ver o jumper em vez do sweeney todd. é chato ver pessoas desiludidas a sair do cinema a meio do filme. como certamente os críticos de juno, que deveriam ter ido ver o jumper. ou até ter ficado em casa a ver um especial mini-malucos do riso.


AsUkA @ 18:15

Dom, 24/02/08

 

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Pois, tb quero muito ir ver isto... a ver s faço uma pausa no estudo e vou uma noite destas.
Quanto a banmda sonora, está sim e loop no meu PC principalmente a viciante Vampire!


Credito Pessoal @ 18:22

Dom, 24/02/08

 

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Já me tinha sido recomendado há pouco por uma amiga e decidi passar por aqui para ver se via alguma referência a ele.
Vamos a ver se também vou gostar, vou tentar vê-lo ainda hoje.


N Monteiro @ 18:25

Dom, 24/02/08

 

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Ainda não vi o filme mas só pela Ellen Page já me levanto em aplauso... A miuda é mais do que a One Hit Wonder que muita gente pensou que seria...

Mas Juno só vai ser visto por mim a seguir ao No country for old men!
E já que falo nisso... Alguém me explica como raios os irmãos Coen vão conseguir estar na cerimónia da entrega dos Óscares e na abertura do Fantas??

No site do Fnatas não há grande informação... Desconfio que eles já não devem vir...

P.S: Boa entrevista ao JN Markl ;)


vanda @ 18:32

Dom, 24/02/08

 

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eheh tens razão. já o tinha visto há umas semanitas e adorei :) é mto doce! a banda sonora já cá canta! :D


Miguel Montes @ 18:35

Dom, 24/02/08

 

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"Houve alguém, nos comentários aqui de baixo, que dizia que, ao chamar a Juno "a comédia", eu estava a insultar coisas como os Monty Python. Calma. Juno é a comédia deste ano."

Ah pronto, agora já estou mais descansado. Mas mesmo assim não ia tão longe...




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