
Podia ser uma pergunta d'
O Livro dos Porquês, mas é mesmo uma questão pertinente que fiz hoje no ar, no
Há Vida em Markl, e que serviu para encerrar este capítulo da minha existência: sim, os Markls decidiram, amigavelmente - como não podia deixar de ser, depois destes 10 anos - cada um seguir o seu caminho. A decisão já está tomada há uns meses valentes e as papeladas já estão tratadas e tudo, mas só hoje achei que o
timing era o certo para transformar o divórcio em material de comédia. Porque, se analisarem a obra de muito humorista, o divórcio é, de facto, inspirador a esse nível. Estando as coisas completamente resolvidas dentro de nós, não há nada melhor do que exorcizá-las.
Uma ouvinte escreveu-nos um e-mail, a seguir à edição de hoje do
Há Vida em Markl, mostrando-se chocada com a maneira supostamente leviana como falei de um assunto delicado. Em primeiro lugar, quem decide do nível de delicadeza de um divórcio são os seus protagonistas - é uma coisa pessoal; não me passaria pela cabeça dissertar sobre divórcios alheios, seja para efeitos de comédia ou de homenagem aos separados. E depois, é a velha história: enquanto pensarmos que uma abordagem de comédia a qualquer coisa é algo de leviano, não me parece que cheguemos muito longe. Levianas, para mim, são as abordagens sisudas, hipócritas e correctas. A comédia, geralmente mais sincera do que a lamechice, ajuda-nos a evoluir.
Ontem, quando terminei o texto de hoje do
Há Vida em Markl, a primeira pessoa a quem o li foi à minha ex. Ela riu-se e concordou com tudo. Isso foi o suficiente para ir para a frente com a edição de hoje.
Gostei dos relatos enviados por ouvintes divorciados sobre os destinos das suas alianças, mas a minha tese favorita continua a ser a da realidade paralela para onde elas são sugadas pouco tempo depois de abandonarem definitivamente os dedos. Mas continuo a dizer que se todo este ouro fosse reaproveitado, o país só tinha a ganhar. Ou então, aproveitem-se os nomes inscritos no interior das alianças: um ouvinte dizia que uma boa iniciativa era criar um
blog onde recém-divorciados mostravam fotografias das suas alianças e ofereciam-nas a pesoas que estivessem para casar e que tivessem o mesmo nome que a ex do autor da foto. Isto é que é ser poupadinho, pá. Não me parece mal, isto do Ring Converters...