Gostei de
Rec, o filme de
zombies de Jaume Balagueró. Não gostei que, num filme tão veloz e compacto, o cinema Lusomundo Amoreiras tenha cortado o gozo com um frustrante intervalo de sete minutos metido a martelo. Compreendo que se intervalem filmes grandes; acho um horripilante disparate que se trucide assim um filme como
Rec, que não só é relativamente curto, como é fita em que o crescendo de tensão e o ambiente são coisas importantíssimas. Acho que depois de
O Projecto Blair Witch,
Cloverfield e agora que está prestes a chegar o novo de George A. Romero,
Diary of the Dead, não tardará muito para que todos estejamos a pedir clemência para que este esquema de terror-de-câmara-ao-ombro meta férias (é o que eu sinto actualmente do terror oriental - impressão minha, ou depois das grandes obras-primas do calibre de
Ringu, aquilo anda incrivelmente repetitivo?). Mas enquanto houver quem mantenha este estilo fresco - e, para mim, Balagueró consegue-o com grande energia - acho que é uma óptima maneira de contar uma história de horror.
A desilusão do fim-de-semana foi
Uma Segunda Juventude, o novo filme do grande Francis Ford Coppola, de férias grandes desde
O Poder da Justiça. Se é verdade que é sempre interessante ver um realizador entregar-se a um projecto em total liberdade e sem fazer quaisquer concessões, também é verdade que isso às vezes significa sarilhos (veja-se
A Senhora da Àgua, de M. Night Shyamalan, que de uma vez só consegue ser o mais pessoal e o pior filme do realizador).
Uma Segunda Juventude, baseado num conto de Mircea Eliade, tem coisas bem interessantes lá dentro, mas para mim foi, lamento dizê-lo, uma experiência longa, hiperpretensiosa, falhada e por vezes involuntariamente cómica. No meio de todos os conceitos que por este filme flutuam sobre o tempo, a morte, a reencarnação, a linguagem, há uma história de amor tão desprovida de química e entusiasmo (e Coppola sabe fazer histórias de amor com química e entusiasmo - basta pernsarmos nos geniais e igualmente experimentais
One From The Heart e
Dracula) que apesar de percebermos que há ali um valentíssimo esforço para comover o espectador, tudo o que o filme consegue é hostilizá-lo. Na sessão a que fui, no Monumental, composta por gente informada e que esperava sair arrebatada deste regresso de Coppola, a quantidade de desistentes tristonhos e frustrados foi impressionante.
Misturando filosofia, metafísica, nazis gananciosos, línguas mortas e viagens pelo mundo,
Youth Without Youth é uma espécie de
Indiana Jones para pessoas extremamente cansadas e desprovidas de humor. Pontos positivos? Tim Roth e Bruno Ganz, grandíssimos actores no meio de um elenco estranhamente repleto de canastrice.
Não sei se a culpa é do conto ou o argumento foi mal "confeccionado". A história tinha potencial para ser algo mais do que "isto".
Como rodapé, o Tim Roth é um bom actor, mas a Alexandra Maria não deixa de ser simpática, direi mesmo, muito simpática (ehehe)...