Sinto-me numa espécie de filme de zombies, mas mal feito. Mas começo, sinceramente, a ter algum receio que alguém, na rua, me arranque um pedaço de carne à dentada. Sinto que devo agradecer a Deus Nosso Senhor por nos ter proporcionado mais esta vitória no Euro 2008. Não que eu ligue ao futebol; eu ligo é à minha integridade física, e no ambiente de histeria generalizada em que andamos (filas nas bombas de gasolina! Gasolina esgotada! Supermercados com as prateleiras a ficar vazias! Pessoas atropelando outras!), tenho a nítida sensação que, se Portugal tivesse perdido, a camada de nervos ia rebentar e isto ia ser apocalíptico. Foi, acima de tudo, isso, que me fez torcer por Portugal como nunca. O medo de que esta noite alguns vizinhos meus tentassem entrar-me em casa para me comer o cérebro. Assim sendo, lá comprámos mais uns dias de felicidade no meio da catástrofe. Catita.
Aqui no estaminé, trolls profissionais continuam a mandar mensagens de dedicado achincalhamento do nosso trabalho n'Os Contemporâneos. Deito-as para o lixo, não porque digam mal, mas porque são repetitivas e porque não têm puto de graça (recordo com saudade os tempos dos trolls que diziam mal com genuína piada; estes não são trolls, são, quando muito, meros trolarós.) e acabam por reflectir toda a onda de angústia histérica em que anda esta terra e em que se anda desesperadamente em busca de sacos de pancada, possivelmente porque aqueles que se vendem na Decathlon são caros como o caraças.
A minha resposta a essa trollagem toda é, basicamente, isto:
Vão apanhar ar, senhores. Ontem tive uma das tardes mais produtivas dos últimos tempos, numa esplanada à beira mar, com o meu bom velho caderno de apontamentos e rabiscos, onde escrevi os textos de várias futuras edições de Há Vida em Markl e O Livro dos Porquês (nas páginas abertas podem ver algumas considerações sobre a necessidade de Portugal ter um franchise de Muros das Lamentações, uma velha ideia que só agora me dei ao trabalho de desenvolver), ao som da discografia dos Stranglers em modo shuffle e com paragens para: A) Comer umas gambas ao alhinho (o que, aliás, me inspirou uma das próximas edições do Há Vida em Markl, precisamente sobre a temática da chamada "gamba à guilho"); B) Ler mais um pedaço de The Time Traveller's Wife, um delicioso romance de ficção científica que aconselho vivamente; C) Ver pela primeira vez certa e determinada pessoa a fazer magníficas proezas no surf e ficar maravilhado com isso.
Mas acima de tudo, vão apanhar ar. É grátis.
Realmente mais vale ignorares as bocas das pessoas interesseiras, ou que criticam mas também não sabem fazer melhor.
Um abraço e bom trabalho!