E pronto: pela terceira vez na sua existência - terceira vez! - a minha rubrica das sextas-feiras, Laboratolarilolela, disseca humoristicamente uma canção... de um falecido. Nada de ofensivo foi dito sobre o artista, mas, para parte do auditório, este tipo de acidente é um desaire que só mostra como sou insensível.
Lá está: não adivinhava - tal como não adivinhei das outras vezes - que o artista já não se encontrava entre nós. E sou um optimista: quando escolho uma canção divertida para o Laboratolarilolela, sobretudo se não me parecer uma canção demasiado antiga, tendo a partir do princípio que o seu autor está vivo. Embora, depois de três tiros destes, eu agora me veja obrigado a questionar, imediatamente, qual o plano de existência em que se encontra o artista.
À família e amigos próximos do artista falecido - objectivamente as únicas pessoas que têm razões para estar zangadas - os meus sinceros pedidos de desculpas.
Vamos deixar aqui uma coisa já bem clara sobre a minha morte: eu não faço ideia de quando vou morrer; mas peço, imploro que ninguém me passe a respeitar mais quando eu estiver debaixo da terra (ou quando for cremado, que me parece uma solução mais higiénica e espectacular), só porque me juntei ao coro invisível e sou um ex-Markl. E isto vai para a malta que aqui vem dizer que eu sou isto e aquilo. A sério, se acharem que eu sou um embuste em vida, espero que continuem a defender entusiasticamente essa ideia depois de eu patinar. De uma forma estranha, esse pensamento parece-me assaz reconfortante.
Então e as questões ambientais? E a poluição? Não basta andar a levar consugo vivo, depois de morto ainda nos cai em cima? Uma pessoa vai a andar na rua e cai-lhe Markl em pó em cima?
É que, se fôr para o cemitério, uma pessoa ainda pode ir lá confirmar "sim senhor, ainda cá está e está mesmo morto".
Veja lá isso, se faz favor.