A novidade do mês: cortei relações com ZON, Meo e afins. Mantenho agora o pacote básico da TV Cabo, mas pedi que me levassem a box - a verdade é que cheguei à conclusão que estava a deitar dinheiro à rua. Passam-se dias e dias que não vejo televisão, pelo que estar equipado com tantas dezenas de canais mais os pacotes de canais de filmes e séries era um tremendo disparate, já que os filmes e as séries que vejo são em DVD. Pronto, no que toca às séries admito que há muitas que vejo primeiro na net - peço desculpa pela piratice, mas não passo sem ver coisas como The Office e 30 Rock mal existem episódios novos. Mas asseguro que posso ir para o Céu quando morrer, porque depois compro essas séries todas em DVD.
E só para o caso de haver algum senhor do FBI ou da ASAE ou lá quem eles mandam a casa das pessoas em busca de pirataria, a ler isto e a pensar: "Ah, bandalho!... Vamos mas é prendê-lo!", aqui fica um retrato do armário das séries. Como se vê, lá estão, entre outras, o 30 Rock e o The Office. Arrumem as vossas armas. Tirando um ou outro cadáver no jardim - coisas que acontecem - sou um cidadão exemplar.
Para celebrar a minha nova vida livre de encargos desnecessários e fúteis, pus-me a fazer um bom velho zapping molengão pelos bons velhos canais do cabo e, ironicamente, constato que foi preciso fazer este downgrade para descobrir a coisa mais interessante que vi num canal de cabo em muitos, muitos meses: uma reportagem na TV Record sobre a estação de televisão mais pequena do mundo: a TV Muro.
A TV Muro é isto que se vê na fotografia: literalmente uma televisão encastrada num muro, na pequena cidade brasileira de Sabará, em Minas Gerais. E tudo começou em 1997, quando um tipo chamado Francisco Dário dos Santos (conhecido pelos locais como Chiquinho) decidiu aproveitar um pequeníssimo emissor de TV - desses que se usam para emitir imagem da sala para a cozinha - que encontrou no lixo. Daí até montar, na própria casa, um pequeníssimo canal de televisão foi um passo. Primeiro emitia para um televisor metido no muro, com programas curtos para evitar que o povo estivesse demasiado tempo em pé a olhar para o ecrã sem ter onde se sentar; depois expandiu o raio de acção e agora emite para uma vasta audiência de 20 televisores lá da rua. Chiquinho faz de tudo: programas de informação, humor e até contos do sobrenatural. Não encontrei a reportagem que vi ontem na Record, mas no You Tube há alguns videos interessantes sobre o canal, como este:
O melhor trabalho sobre a TV Muro é uma curta-metragem de 9 minutos premiada em festivais co-produzida pela Petrobrás. Ela está no You Tube, mas numa cópia de tão má qualidade e com o som tão mal sincronizado que mais vale ir procurar a curta noutro lado (eu procurei mas não encontrei; espero que tenham melhor sorte).
O outro assunto digno de interesse prende-se com mais uma colectânea de música dos anos 80. Eu sei - era a última coisa que o mundo precisava, mais uma colectânea dos 80s, mas esta, criada em Portugal, tem um bónus precioso. Chama-se O Melhor dos Anos 80: As Músicas dos Filmes e, senhoras e senhores, é o primeiro CD que inclui, sim, é verdade...
... o tema da série Zé Gato, entoado com elevados níveis de pinta por Pedro Brito (irmão de Tozé Brito, que faz coros na canção). Pela primeira vez em CD! É claro que isto não diz nada a variadíssimas pessoas sub-30, mas para as pessoas que se encaminham a passos largos para os 40, Zé Gato é um mito. O nosso Balada de Hill Street! O nosso Starsky & Hutch! A série em que um dos episódios versava sobre um aterrador criminoso que ia para concertos do Paulo de Carvalho fazer gravações piratas das músicas com um daqueles gravadores que se usavam para carregar jogos no Spectrum!
Só faltou aos compiladores de O Melhor dos Anos 80: As Músicas dos Filmes assegurar também o tema de Duarte e Companhia (tal como Zé Gato, uma série de Rogério Ceitil, um dos mais loucos autores de televisão dos anos 80), mas espero que a falha seja colmatada num próximo volume. Neste há algumas outras pérolas: Lia Gama cantando A Balada da Rita, de Sérgio Godinho, na banda sonora de Kilas O Mau da Fita (outro lendário ícone do audiovisual oitentista nacional) e Paulo de Carvalho cantando O Malandro, tema do filme A Crónica dos Bons Malandros. E depois há as coisas previsíveis: Neverending Story de Limahl, Maniac de Michael Sembello, Axel F de Harold Faltermeyer, Ghostbusters de Ray Parker Jr...
Mas o Zé Gato, caramba! O Zé Gato!...