É o que eu digo sempre: assim como o excesso de hype é passível de provocar inesquecíveis desilusões, o défice do mesmo tem como principal vantagem dar azo a surpresas agradáveis. Portanto, correndo o risco de ser gozado, achincalhado, vilipendiado (porque a verdade é que nunca como agora foi tão pouco estiloso gostar dos Ficheiros Secretos), quero que fique nas actas que, com a breca, eu gostei de The X-Files: I Want to Believe!

 

E gostei, em parte, pelas razões que fazem com que muita gente não goste do filme (e garanto que não é só para ser do contra que o digo). Acho que, como diz o João Lopes no Diário de Notícias, este segundo filme tem muito mais a ver com as primeiras temporadas da série, com uma espécie de intimismo e engenho low budget, do que com aquilo em que a série tristemente se tornou aí por volta das últimas três temporadas. É claro que os primeiros tempos da série eram, de facto, low budget e que este novo filme, embora parecendo não contar com o mesmo tipo de extravagância financeira do filme anterior, tem valores de produção de blockbuster. Mas não há interiores de naves, criaturas delirantes, luz, cor e magia. Há até muito pouco de verdadeiramente sobrenatural neste filme e mais de maluqueira psicopata à Dexter, mas a verdade é que isso não me afligiu nada, pelo contrário. Soou curiosamente refrescante, e a química entre Mulder e Scully compôs o ramalhete e ainda me fez sorrir ao lembrar-me dos tempos em que ver Ficheiros Secretos (na TVI, lembram-se?) era um dos rituais mais importantes da minha existência.

 

É claro que este filme não é nenhuma obra-prima e tem problemas (a personagem do padre visionário, Joe, interpretado pelo grande Billy Connolly promete mais do que dá e os vilões são algo genéricos e desprovidos de carisma, apesar do seu horrífico plano). E, assim de repente, lembro-me de dezenas e dezenas de episódios da série francamente mais imaginativos e inesquecíveis do que I Want to Believe. Mas a maneira como lida com as questões da fé e como coloca a potencial "salvação do mundo" nas mãos de um estranho padre pedófilo, trazem à memória o tipo de serena provocação e ousadia de alguns dos melhores momentos da série. O ambiente, incomparavelmente mais negro, soturno e sufocante do que do primeiro filme, é sugestivo e eficaz, e é interessante constatar como Chris Carter e Frank Spotnitz parecem, claramente, ter-se estado nas tintas para o grande espectáculo. Por vezes, não há nada melhor para a saúde de uma marca outrora tão forte e actualmente tão em baixa como The X-Files como a ausência da frenética pressão que se tem quando se está no topo (e que, aqui para nós, fez com que a primeira longa-metragem de The X-Files ficasse aquém de tudo o que um fã esperaria que ela fosse - embora, na altura, o profundo amor pela série nos impedisse de dar o braço a torcer).

 

The X-Files: I Want to Believe levou-me, de certa forma, a fazer as pazes com a imortal criação de Chris Carter. É um bocado difícil perdoar o buraco a que a série televisiva chegou, ao não parar na altura certa, mas o facto é que este discreto e genericamente mal amado segundo filme reacendeu uma chamazita no coração deste velho fã. E isso já não é pouco, não senhores.

 

E já que estou com a mão na massa, deixem-me que aplauda Broken, a canção que os UNKLE fizeram de propósito para o filme e que é bem jeitosa:

 




JC @ 21:00

Dom, 31/08/08

 

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O cartaz em polaco dá um toque de requinte ao post


Nuno Markl @ 21:23

Dom, 31/08/08

 

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Achei que sim, que dá uma certa pinta! Eh eh eh...


mau olhar @ 23:01

Dom, 31/08/08

 

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Hey nuno markl, confesso admirador de bollywood, venho-te apresentar os jugoslavos mexicanos ! em http://mauolhar.blogspot.com

Em termos de bollywood é incrível que ao cantar são sempre as mesma vozes !


robsan @ 21:08

Dom, 31/08/08

 

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Não. Simplesmente, não. História fraca, empatia Mulder/Scully forçada, nada se salvou.


Izzy @ 21:16

Dom, 31/08/08

 

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Oh Markl, as criticas foram arrasadoras... Tens a certeza que nao estas so a ser do contra??


Nuno Markl @ 21:21

Dom, 31/08/08

 

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Não... E quantas vezes um oceano de críticas arrasadoras não escondeu bons filmes (pelo menos para mim, que sou fã do Hudson Hawk do Bruce Willis!)? Este não é um grande filme, e compreendo algumas das críticas negativas. Mas com tanto lixo que Hollywood vomita, como considerar este filme - modesto, digno e inteligente - uma coisa realmente má? Não, não é ser do contra... O filme, simplesmente, caiu-me no goto. E o cair no goto, às vezes, é um fenómeno que transcende o que a maioria da crítica acha ou não acha...


Darkl @ 21:33

Dom, 31/08/08

 

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Sou fã dos X-Files desde o tempo TVI.
Já se esperava que a critica americana fosse explicita na sua apreciação. Mesmo que fosse um filme excepcional. As primeiras "seasons" foram um furacão na altura e faz-me feliz pensar que este filme possa sequer embarrar nelas.

Excelente pedaço de texto este teu.


handsoftime @ 21:53

Dom, 31/08/08

 

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Por incrivel que pareceu a muitos eu também gostei do filme! Muito leve do que a série completamente "rebuscada"!!!! Eu gostei! :D


José Silva @ 21:55

Dom, 31/08/08

 

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Ainda não vi o filme mas....uma coisa tenho a certeza.A musica dos UNKLE não foi feita de propósito para o filme. Faz parte do álbum War Stories de 2007.



The Joker @ 22:06

Dom, 31/08/08

 

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Não achei o filme fabuloso, mas gostei... Foi muito interessante. Já agora Markl, posso fazer publicidade ao meu blog? :) Estou a dar os primeiros passos no mundo da blogosfera... Façam o favor de lá ir e opinar os posts! Já! :)

http://why-so-serious.blogs.sapo.pt


NL @ 22:38

Dom, 31/08/08

 

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Estou completamente de acordo. Aliás a série perdeu-me mesmo antes dessas três temporadas finais. A ausência de ET e o confronto entre o «crente» e a «céptica» foram um belo regresso aos tempos que eu era realmente fã da série.


Tiago Silva @ 22:48

Dom, 31/08/08

 

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Ora viva. Era só para dizer uma coisa:
Apareceu um individuo no programa "Liga dos Últimos" cuja profissão é Marteleiro, que me parece extremamente parecido contigo/consigo e achei melhor mostrar aqui para confirmarem as minhas suspeitas de que tens/tem um sósia, ou pelo menos um gajo-que-é-marteleiro-e-parecido-com-o-Nuno-Marqu..Mark..Elisabe...Mari..Marcos.
Cá vai um video onde aparece o dito:

http://www.youtube.com/watch?v=dWfjm2IS3dg

Cumprimentos


marcelinofloyd @ 12:07

Seg, 01/09/08

 

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é tal e qual e bem engraçado. Também é um ganda maluco. Markl, podias convidá-lo para uma emissão do nuno & nando (o melhor seria num programa de TV mas...). Deve ser teu irmão gémeo, separados à nascença (e isto sem qualquer ofensa aos teus progenitores).

Forte abraço


Darkl @ 23:15

Dom, 31/08/08

 

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Caro Markl,

Acabei de ver "os Inacreditáveis". Vou fazer uma pequena critica, apenas com o intuito de ser construtiva. Não percebo nada de comédia, a não ser o facto de ser um fã, como tu, das melhores séries que passaram desde a nossa infância na TV.

a) O programa é basicamente mau. Inconsistente. O maior problema é a falta de uma linha condutora. Talvez por dever ser escrito por muita gente, resulta numa grande trapalhada.
b) Há rábulas de humor que são, por si só, perfeitamente geniais. Mas que depois não se concretizam, ficam a planar. Há sempre aquela sensação de pensar, "isto continua, era giro se continuasse"?
c) Não sei se os argumentistas dão grande liberdade criativa aos actores. Mas a minha opinião é que suponho que devem dar, demais mesmo. E aparecem interjeições, improvisos que arruinam uma rábula, que é feita sobretudo de tempos, como uma peça musical. Os melhores actores são aqueles que seguem o texto e não sou eu que o digo. SInceramente, acho que tu, apesar de seres dos únicos não-actores, que faz melhor isso: podes até não seguir o texto à risca, mas não o arruinas.
d) Há, no meio da confusão, um humor muito sofisticado e inteligente. Sei que és tu o autor e que podes levar o humor em Portugal para outro nível. Com pés e cabeça. Inteligente. Astuto.

Concluo aqui sublinhando novamente que não sou humorista nem profissional de nada. Apenas um admirador.

A minha opinião é que devias deixar as rábulas, que até podem ser uma aprendizagem ou algo que até tem público aqui no burgo. Mas que acredito não ser aquilo que sabes fazer melhor: um programa de 30 minutos ao estilo Seinfeld seria o ideal para ti. Seria mais desafiante e é daquelas coisas que faz todo o sentido no panorama actual. Porque as séries nacionais desse tipo que passaram até hoje, fazem parte daquele universo brejeiro com qualidade limitada. Pensa nisso.


Nuno Markl @ 23:39

Dom, 31/08/08

 

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Obrigado pela crítica construtiva! Aceito as tuas observações, embora ache que estamos a fazer um trabalho digno n'Os Contemporâneos. Ainda agora estive a ver o best of de hoje e, chamem-me o que quiserem, mas tenho orgulho em boa parte do que ali fizemos.

E sim, é um programa irregular, porque é essa a natureza de um programa de sketches. Não me lembro de nenhum - nem o dos Python, nem o Big Train - onde possa dizer que, uniformemente, adorei de forma igual todos os sketches. Pela sua própria natureza de coisa escrita por várias sensibilidades, serão também várias as sensibilidades a gostar mais de um determinado sketch e outras a gostar mais de outro, e o mesmo se aplica aos sketches de que não se gosta.

Onde concordo contigo é no quanto eu desejaria escrever uma coisa de 30 minutos, narrativa. É um sonho. Escrevo sketches há muitos anos (desde antes do Herman Enciclopédia, porque já o fazia na fase final do Parabéns) e é um formato que, por muito gozo que dê (porque dá) se torna esgotante e limitado. Infelizmente, e apesar de ser um formato que praticamente todo o mundo já largou (até os ingleses, peritos no formato), continua a ser o preferido pelas televisões nacionais, sobretudo se for muito em cima da actualidade. É por isso que o continuamos a fazer (e a dar o nosso melhor nele), embora o meu maior sonho seria que uma das direcções das televisões nacionais nos aceitasse, um dia, um dos nossos projectos de sitcom. Não vejo, no entanto, que tal vá acontecer nos tempos mais próximos.


Paulo Batista @ 00:00

Seg, 01/09/08

 

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Olá Markl, prosseguindo aqui a conversa do Darkl, também vi o Best-Of de hoje e concordo com o facto de ser irregular, aliás, até já explicas-te porquê, com todo o sentido.

Agora, é certo, o Seinfeld é um programa genial e, sinceramente, eu que sou um jovem de 15 anos que de vez em quando admira produções portuguesas prévias no YouTube, devo dizer que o mais equiparável a essa grande série americana é o "Paraíso Filmes", que não liderou por razões que desconheço, mas que neste momento, se fosse emitido num canal alternativo, por exemplo a "Sic Radical", penso que singraria, ao contrário do lamentável (e desculpem dizer isto, mas é a minha singela opinião) "Fogo Posto", que enfim, não tenho paciência para ver (hão-de reparar no protagonismo dado ao actor principal....)

Bom, mas o cerne da questão é o seguinte, achas que o retorno a uma produção como o "Paraíso Filmes" se encaixaria no teu âmbito criativo de novo (já que produções mais longas, como disseste, te agradam) e poderia revolucionar (como quem diz.... dar um passo de gigante na reinvenção do humor em Portugal) e prender os portugueses ao televisor?

Abraço!


Nuno Markl @ 00:15

Seg, 01/09/08

 

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Fazer uma nova Paraíso Filmes encaixaria totalmente nesse âmbito criativo. Até te digo mais: uma das coisas com que sonhamos, nas Produções Fictícias, é em fazer uma sequela - Paraíso TV - em que aquela troupe começaria a criar as suas próprias versões de toda a panóplia de séries que há hoje em dia (e também alguns clássicos).

O que se passa com uma série como a Paraíso Filmes (ou a sua eventual sequela) é que, para ficar bem feita, é um projecto caríssimo e, pela natureza do seu humor, não muito comercial e por isso com poucas hipóteses de que haja retorno do investimento. A Paraíso Filmes foi para o ar graças a uma administração arrojada da RTP e a um tempo de "vacas gordas" que tão cedo não voltará, sobretudo com a crise que atravessamos. A Paraíso tinha um lado popular e acessível, mas era uma série que confiava muito num conhecimento de cultura popular por parte do espectador. E não se pode pedir a uma senhora de uma aldeia perdida em Trás-os-Montes para, por muito que ela goste do Zé Pedro Gomes ou do António Feio, perceber que o Sardinha é uma paródia ao Tubarão do Spielberg...

Eu não iria tão longe. Hoje em dia, adoraria criar um conceito simples, acessível e inteligente - o Seinfeld era tudo isto - que falasse às pessoas não no sentido de lhes mostrar caricaturas dos políticos, mas de as fazer pensar nas pequenas coisas da natureza humana, as coisas com que todos acabamos por nos identificar, vivamos nós num alucinante centro urbano ou numa pacata aldeia recôndita. Uma comédia passada numa rádio local - como fiz na rádio com o Perdidos no Éter - era um projecto que não desdenharia fazer.


Paulo Batista @ 00:36

Seg, 01/09/08

 

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Desculpa só responder agora, e mesmo sabendo que isto não é da minha conta, mas porque não encaras a possibilidade de criar um espectáculo, ao vivo, baseado na Paraíso Filmes?

Com um elenco semelhante ao da série, não tenho dúvidas de que seria um espectáculo apelativo ao desconhecedor da série televisiva e, com umas pitadas de Marklismos e afins, todo o bom português mundano iria gostar do projecto. Agora, é óbvio que o retorno é bastante mais complicado, mas nem que funcionasse como uma antevisão e projecto para demonstração e popularização de um futuro programa de humor exibido na TV. Enfim, só uma ideia de um aficcionado pelos belos tempos do Zé Pedro Gomes e do António Feio, entre todo aquele texto inteligente para as pessoas que representam a classe mais difícil de agradar mas mais recompensante quando o mesmo acontece.

Que tal uma peça de teatro? Não sei se já te envolveste num projecto destes, mas é significativamente mais recompensador (em termos profissionais e não meramente monetários, claro) e penso que mesmo uma "saga" de humor com todo o pessoal de elite do país faria muito bem ao humorismo nacional.

Obrigado pelo tempo de antena, hehe.


Rufferto @ 14:58

Seg, 01/09/08

 

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Mas Markl, os programas que tu fazes são dirigidos a senhoras de aldeias perdidas em Trás-os-Montes ou a pessoal mais jovem e (espero eu) com gostos mais refinados? Isso de criar programas que possam ser apreciados por igual tanto por uma velhinha que devora os programas da Fátima Lopes e do Goucha como por um jovem apreciador de Seinfeld e Blackadder é impossível, é quase como tentar fazer um só prato para agradar a vegans e a fanáticos por carne. Eu não percebo nada de TV, mas quase de certeza que já ouvi a palavra "target" mencionada algures, e duvido sinceramente que a intenção de um canal que te contrata seja apanhar o target das velinhas em aldeias perdidas de Trás-os-Montes.

De resto, se tu queres mudar o panorama do humor em Portugal e pôr fim a isso dos sketches, então isso tem de partir dos autores dos programas. As Produções Fictícias fazem praticamente todo o humor em Portugal, custa-me a acreditar que não tenham qualquer palavra a dizer às direcções de programas. Então se as PF, com ou sem o Herman, apresentassem um projecto de uma sitcom a um canal, esse projecto era logo liminarmente recusado? Atiçavam-vos os cães e baniam-vos para sempre da televisão nacional? Possivelmente depois de haver um programa assim aconteceria o oposto, que era mais canal nenhum querer ter programas com sketches, ou pelo menos os programas de humor não serem automaticamente associados a programas de sketches.

Não vou falar mais do Hora H, que detestei mesmo esse programa, mas para mim o grande problema dos Contemporâneos foi já ser tudo muito visto. Fora aqueles momentos com o ecrã branco, tudo deu uma tremenda sensação de déjà vu. Acho que vi os três primeiros programas, ou pelo menos parte deles, e senti-me como se já tivesse visto tudo aquilo antes noutro lado qualquer. Acaba por ser como nestes filmes recentes do "Not another teen movie", em que os Contemporâneos se tornam imediatamente "another sketch show". E assim não só perdes os espectadores mais inteligentes e cheios de estilo (tipo eu), como também duvido que consigas prender ao ecrã muitas velhinhas em aldeias perdidas de Trás-os-Montes. Essas já têm o Portugal no Coração, com a moça mais laroca da TV portuguesa (Tânia Ribas de Oliveira), e duvido que sequer estejam acordadas à hora a que passam os Contemporâneos.


Nuno Markl @ 16:06

Seg, 01/09/08

 

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Pois, lá está: visto de fora, tudo parece fácil. Não nos faltam projectos de sitcom - se eles não existem fora das nossas cabeças e apenas em propostas em computadores e/ou em papel, decerto que não é por falta de termos tentado vendê-los!

Quanto aos targets, é muito simples: quando se contrata um grupo de pessoas para fazer um programa de humor para um canal nacional em horário nobre, o target tem de ser o mais vasto possível. E sim, é uma ilusão pensar que conseguimos chegar a toda a gente, mas quando estamos num canal nacional em horário nobre temos de tentar chegar ao máximo de pessoas tentando manter-nos fiéis ao humor em que acreditamos (quando estamos num canal de cabo já não é tanto assim).

Quem está de fora tem tendência a criar um universo dos bastidores da TV portuguesa que talvez tenha a ver com o que se sabe que acontece lá fora (em Hollywood ou na Inglaterra) e que é passado em making ofs e em milhares de filmes e séries anglo-saxónicas, mas até alguém escrever uma série / filme sobre os bastidores da televisão em Portugal, vão ter de se fiar nas coisas que eu digo...


CVO @ 23:51

Dom, 31/08/08

 

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Gostava de dizer que concordo inteiramente com o comentario do Darkl. Acho que devias pensar que se muitas pessoas que gostavam do teu trabalho nao ficara satisfeitas com os Contemporâneos alguma razão têm que ter. Tambem dá que pensar os comentarios ao teu ultimo video, quase toda a gente gosta.
Um webisodio de 20 minutos com uma video coisa pelo meio todos os Domingos na RTP seria excelente.
Seria arriscado.. mas podia começar tarde e fazer um percurso "ascente" contrario ao da Hora H.


Nuno Markl @ 00:02

Seg, 01/09/08

 

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Obrigado pela vossa confiança num projecto desses, mas as coisas não funcionam assim - chegar lá, apresentar e sim senhor, venham de lá os episódios. Ao contrário do que diz uma ou outra má língua que por aqui anda, o meu poder e influência é nulo junto das direcções das televisões... e não me parece que nenhuma esteja interessada no que eu tenha para lhes dar. O que só me chateia até certo ponto: na verdade, adoro fazer Os Contemporâneos e prefiro fazer este programa do que algo em que não acredito minimamente só para ganhar o pão para a boca. Fazer Os Contemporâneos, um programa com um espantoso elenco e onde nos é dada bastante liberdade, é uma verdadeira benção.

Sinceramente, o tipo de coisa que eu faço, acho que cada vez faz menos sentido nas televisões e mais na Internet. Já houve tempo em que pensei na televisão como sendo uma coisa de primeira e na Internet como uma coisa de segunda. Hoje em dia a Internet é onde está a liberdade e o público realmente interessado nas experiências mais pessoais e menos "para as audiências". Quando for possível ganhar a vida a produzir conteúdos regulares de ficção / humor para a net (coisa que já acontece lá fora), não olharei com qualquer mágoa ou saudade uma saída da televisão.

Respeito os rumos que a televisão segue, em Portugal, mas sinto-os cada vez mais distantes do que eu gostaria de fazer. Cabo incluído.


CVO @ 00:43

Seg, 01/09/08

 

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Não concordo com o Paulo Batista quando ele diz que o ideal seria algo ao estilo da Paraiso Filmes que, apesar de eu gostar, tem alguns "tiques" de Contemporaneos ao basear-se muitas vezes no non-sense e em situações levadas ao exagero. Por vezes faz-me lembrar os contemporaneos em formato "não-sketch".
Tbm gostava de lembrar para quem disse que os outros programas portugueses de sketches nao valiam nada que se lembrassem de um programa que passava na Sic Comédia que se chamava quadrado das bermudas...ou algo semelhante. Bastante engraçado..
Em relação à minha sugestão de um webisodio em versao extended, provavlment teria mm que começar num canal cabo mas se o markl elimina ja essa hipotese entao deve ser dificil


Nuno Markl @ 02:10

Seg, 01/09/08

 

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Eu não elimino essa hipótese - e ainda não perdi a esperança - mas digamos que concretizar tal coisa não será, na actual conjuntura, muito provável. Uma coisa potencialmente aliciante é a hipótese de criar programas para visionamento na TV embora sem ser para canais de TV: criar séries que os espectadores possam ver tirando partido dos equipamentos da Zon, Meo, etc. parece-me uma alternativa que mereceria ser explorada. Mediante o pagamento de uma quantia (não muito cara), o espectador poderia fazer o download e o visionamento de episódios semanais de séries originais, exclusivas, criadas para aí e não para nenhum canal de televisão em particular. Lembro-me de falar disto com o Abílio Martins, da PT, e de acharmos como seria interessante criar uma série de webisódios Há Vida em Markl para serem vistos no Meo. Neste momento Os Incorrigíveis já funciona assim (gratuitamente). Ainda outro dia foi emocionante ver o meu encontro com Bruno Aleixo num ecrã grande de televisão!


Fi @ 18:57

Ter, 02/09/08

 

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Essa é uma boa opção... Mas o problema é que, ao contrário do que a ZON e a MEO querem fazer passar, os serviços por cabo ainda não chegam a todo o lado, nem perto disso. E" nesses lugares recônditos" onde não há cabo (p/ex a 12 km de uma capital de distrito), não vivem só velhinhas que acham piada ao Donaltim. Ou seja, se emitirem um programa a horas decentes na TV nacional não têm público interessado em número suficiente, se emitirem dessa forma alternativa, muito público irá ficar de fora...


Darkl @ 01:05

Seg, 01/09/08

 

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Sem entusiasmo nunca se fez nada de grandioso. Com entusiasmo e talento, tudo é possível. A minha opinião é que deves colocar ambos ao serviço de algo original (como o que foi dito aqui, na net por exemplo) e pôr as mãos à obra, trabalhar bem o assunto. Se eu tivesse a técnica e o talento, não deixava perder a oportunidade.

Se calhar sou conservador ou ingénuo, mas sempre achei que as boas ideias (as realmente boas) e a qualidade (a qualidade excepcional) suplantam todos os problemas. A certa altura ganham vida própria e tornam-se mitos. E não há tecnocrata televisivo que possa fazer algo contra isto.

Ainda sobre "Os Contemporâneos", acho que o problema fundamental é o de estratégia. Está a tentar substituir (ainda que o não entendas assim) um programa dum certo grupo de humoristas da moda. E muitas rábulas trazem pouco de novo relativamente a coisas que tu próprio fizeste no passado - e isto é que me impressiona: se tens tantas novas ideias (que se vêem em alguns sketches e coisas que fazes aqui)porquê insisitir em coisas velhas?

Desculpa lá, mas enquanto passar por aqui pelo teu blog, vou dar-te cabo da cabeça sobre este assunto.


Nuno Markl @ 01:54

Seg, 01/09/08

 

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Estás à vontade para me dar na cabeça como outsider; eu cá estarei para te dar a minha visão de insider. E assim vale a pena trocar impressões... As saudades que eu já tinha de um debate decente sobre comédia, aqui no blog.

Há que usar as ideias certas nos sítios certos. Os Contemporâneos, com toda a liberdade que nos é dada, tem um lado de encomenda por parte da RTP que nós temos de tentar respeitar ao máximo - são-nos pedidos sketches, sobre a actualidade nacional, acessíveis. Muito temos nós feito, ainda assim, nos Contemporâneos, de novo e experimental (mais do que, possivelmente, a direcção da RTP gostaria, e é de agradecer ao José Fragoso por nos deixar, ainda assim, criar coisas novas, diferentes e não tão imediatas), mas não estamos na SIC Radical ou a trabalhar para a net, estamos a tentar conciliar humor pessoal nosso com os compromissos que um programa de horário nobre pede. Não penso que insista em coisas velhas - tenho um estilo, a escrever sketches, e que é natural que, mesmo evoluindo, me acompanhe ao longo da vida, mas seja numa coisa muito pessoal minha como os webisódios do Há Vida em Markl ou num projecto de horário nobre como Os Contemporâneos, trabalho sempre em busca da novidade e de não repetir ideias.

Como já disse, para mim (e isto é uma opinião muito pessoal), o formato sketch está - de um modo geral, em todo o mundo - gasto. E dentro desse formato, hoje em dia, ou se avança para algo totalmente louco e inovador como o Jam ou o Modern Toss, de que já aqui falei (e que é radical demais até para a SIC Radical!) ou então, se vamos entrar por uma via mais tradicional de sketch, assumimos que já praticamente todas as abordagens possíveis foram usadas e resta-nos, dentro de tudo o que foi feito, tentar ser o mais originais possível.

Já agora, insisto em algo que me parece essencial - uma tecla na qual bato desde que nos foi encomendada pela SIC a empreitada alucinante do Hora H: enquanto as estações portuguesas de televisão não entenderem que o formato ideal para um programa de sketches é de 20-25 minutos e insistirem no (mais rentável, admito) formato dos 40 minutos, a qualidade será sempre abaixo do desejado por todos. E passo a explicar porquê: um programa de humor, mais do que feito na escrita ou na realização, é decidido na montagem. E sim, devemos filmar mais do que 20 minutos de humor semanais, mas precisamente para que depois, na mesa de montagem, cortemos sem dó nem piedade o que não resulta de modo a ficarmos com os 20-25 minutos mais perfeitos que conseguirmos.

O que se passa em Portugal é que, para preenchermos os 40 minutos obrigatórios, temos, muitas vezes de encher - quando o segredo para um bom programa de comédia é, depois de tudo feito, fazer precisamente o contrário: cortar o que está a mais.

25 minutos semanais, criteriosamente seleccionados de todo o material que temos, resultariam num produto mais consistente - não tenho quaisquer dúvidas disso.


Darkl @ 02:27

Seg, 01/09/08

 

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Entendo que um programa de horário nobre não possa arriscar demais e que o experimentalismo fique para trás. Talvez a verdade seja esta: para cada 10 coisas experimentais, uma resulte - mas é esta que fica para sempre na memória de todos e que te tornam único e talentoso.

A minha opinião de outsider é que o sketch só tem relevância hoje em dia quando inserido numa linha condutora e dentro de algo maior. E aqui até pode ter interesse pontual, num talk-show ou programa que precise de um ritmo diferente em pouco tempo.

Problema é esse formato de 40 minutos que disseste, sem dúvida. Torna-se cansativo. Sem dúvida. Mas quando aparece algo de genial no meio, com cinco minutos de puro entretenimento, ficamos com aquela sensação de quando ouvimos o "Bohemian Rapsody" pela primeira vez, "o que é isto?" Foi isso que senti quando vi um ou dois sketches hoje.

A narrativa é diferente e é mais ao teu jeito. Mesmo ao jeito da tua interpretação, penso eu. A narrativa pode conter muito mais sofisticação, inteligência. É muito mais rica e com mais potencial.


Izzy @ 05:48

Seg, 01/09/08

 

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Eu nao podia estar mais de acordo contigo e alias ate ja o disse aqui varias vezes. A duracao do programa eh o busilis da questao! Quantos sketeches sao arruinados ao serem esticados ao maximo...? E, quanto a mim, e com todo o respeito pelas pessoas que tomam estas decisoes, nao faz sentido nenhum nem sequer numa perspectiva meramente economica. Pois sim, que 40 minutos de programa enchem a grelha por mais tempo e poupam alguns cobres, mas um programa de qualidade que conquiste audiencias nao trara mais retorno, no longo prazo, em termos de publicidade acrescida? Enfim, apostar no "lowest common denominator" nao me parece boa politica.

Quanto ah questao do conteudo para a Internet, mais uma vez, completamente de acordo. Nos ultimos tempos as melhores coisas que tens feito sao sem duvida os webisodios. De tal maneira que eu pagaria para fazer o download do proximo.


Anónimo @ 15:45

Seg, 01/09/08

 

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Em relação à rentabilidade económica para uma produção exclusiva para a internet, até posso discordar contigo. Pode muito bem ser o teu ganha pão. Por exemplo, com pequena publicidade e uns 10.000 vistantes por dia.

Fazes um programa do tipo que falámos em cima, com uma narrativa ao teu estilo, personagens bem delineadas, com uma face amadora atraente mas com os brihantismo que já consegues nos webepisódios. Dá para fazeres todo o tipo de experimentalismos sem ninguém a chatear-te com prazos e resultados.

Depois a série cresce, torna-se mais rica, mais sofisticada e afinada. Exploras mundos que não julgavas entrar na próxima década. Sem te aperceberes, já atingiste as 100.000 pessoas a verem o teu site. Num ápice, as televisões estão a implorar-te para que vás para lá com o teu programa.

Markl, és bem sucedido e até podes pensar que podes fazer isto mais tarde, que tens tempo. Que preferes não arriscar agora, que passas o teu tempo com coisas rentáveis e criativas. Mas o que eu digo é que agora é o momento e se não fizeres algo assim perdes de vez a oportunidade para apareces com algo verdadeiramente genial e que pode ser lembrado quando os teus filhos forem adultos.


Nuno Markl @ 16:17

Seg, 01/09/08

 

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Acontece que esta visão que eu tenho do potencial da Internet ainda não é a partilhada por boa parte dos eventuais patrocinadores de uma coisa destas. Faço vénias gratas à Delta por me ajudar a fazer os webisódios, mas em Portugal ainda é raro encontrar instituições que olhem para a Internet como um meio tão (ou mais) válido como a televisão.

Quanto ao não arriscar, estou sempre a arriscar. Estou continuamente a criar projectos dos quais terei muita sorte se, no meu tempo de vida, conseguir levar a cabo 1%. É esta a minha visão fria e realista - por oposição à que tinha há uns anos, quando era mais novo, idealista e tinha menos pelos no peito.

Alguns desses projectos já foram apresentados em diversos sítios - penso que devem estar bem guardados em gavetas! Seja como for, e enquanto trabalho no meu ganha-pão, não desisto de os apresentar. E um dia, espero, há-de acontecer qualquer coisa.

Já fico feliz por, aos 37 anos, já ter criado um número razoável de coisas de que me orgulharei para a vida. Ou seja, se fosse neste momento fulminado por um relâmpago, partiria para a outra dimensão consciente de que deixei uma marcazita num número jeitoso de portugueses, seja com o que fiz na rádio ou com o que escrevi para TV... Como não estou a contar levar com nenhum relâmpago nos tempos mais próximos, vou continuar a lutar. E um dia pode ser que consiga fazer a coisa que me fará arrumar as botas e pensar que melhor que aquilo não conseguirei fazer... Até esse dia chegar (partindo do princípio optimista de que chega), vou continuar a escarafunchar!


Darkl @ 16:17

Seg, 01/09/08

 

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Ui esqueci-me de assinar.

Já agora, na produção exclusiva para a internet, convida pessoal que conheças que partilhem das tuas ideias e entusiasmo. Acho que mesmo nos "Contemporâneos" pode achar uma ou duas pessoas assim.

A minha ideia de genialidade dum actor de comédia passa quase sempre por um tom muito longe do populista e grunho que se vê muito cá no burgo. Com berros e improvisos sem sentido. E arrastar uma piada até ela perder toda a graça. E piadas alarves que só podem agradar ao pessoal das tascas. - Mas para este estilo há já um programa no mesmo canal com uma certa dupla.




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