Nada como um ícone da moderna cultura popular para revitalizar o trabalho de um ícone da cultura popular clássica. JJ Abrams, que nem sequer é um trekkie, fez talvez o melhor filme Star Trek de sempre (embora eu tenha de rever The Wrath of Khan para confirmar isto), um reboot da série criada por Gene Roddenberry que só um tipo com o devido distanciamento, aliado a um aguçado conhecimento do que faz mexer uma boa ficção de raízes televisivas, conseguiria fazer funcionar. O ano zero de Star Trek, versão 2009, pisca o olho aos fãs veteranos e conquista novatos; e, como é usual no universo de Abrams, até pisca o olho aos fãs das produções do próprio realizador. Não sei se terão reparado no cocktail que as personagens pedem no início do filme, mas chama-se Slusho (a bebida fictícia popularizada em Perdidos e referida em Cloverfield!); e as legendas de localização estampadas no ecrã a cada mudança de local são o mesmíssimo tipo de letra do logotipo de Lost (isto é que é detalhe geek!).

 

À parte destes microscópicos pormenores, Star Trek triunfa porque JJ Abrams, o seu parceiro de produção e co-criador de Perdidos, Damon Lindelof, e os argumentistas (também de Perdidos) Alex Kurtzman e Roberto Orci têm uma boa escola de entretenimento baseado num cuidadoso desenho de personagens, da maneira como falam e se relacionam. O sumo humano que anda por séries como Alias e Perdidos ou o filme-catástrofe Cloverfield (e, infelizmente, um bocado arredado da anterior experiência de Abrams como realizador, Missão Impossível III) está presente no calor e a credibilidade que emana dos renovados Kirk, Spock, Uhura, Bones e restante tripulação; o resto é uma belíssima utilização dos efeitos visuais e uma ideia de argumento engenhosíssima que permite ao bom velho Leonard Nimoy regressar no papel de... Spock. Zachary Quinto (de Heroes), no mesmo papel, não lhe fica atrás e Chris Pine faz um James T. Kirk muito seu, levemente temperado com alguma matreirice Shatneriana. Zoe Saldana, como Uhura, ainda não tem muito que fazer neste primeiro tomo do renovado Star Trek e, infelizmente, Simon Pegg - um dos melhores e mais inovadores comediantes britânicos da actualidade - está confinado a um Scotty que não é mais que um comic relief escocês tontinho. Já Eric Bana põe a render o seu carisma obscuro no papel do vilão Nero.

 

No seu todo, entretenimento vigoroso e imparável, capaz de garantir a Star Trek toda uma nova geração de fãs e manter os antigos adeptos satisfeitos. Numa era de blockbusters batidos, repetitivos e sem chama, uma fita capaz de recuperar o entusiasmo juvenil dos clássicos de ficção científica aventuresca e fazer duas horas passarem a voar é motivo para se lançarem foguetes!





Conversetas
Clique aqui para entrar onde pessoas giríssimas se juntam em amena tertúlia.
Arquivos
2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


2004:

 J F M A M J J A S O N D


2003:

 J F M A M J J A S O N D


2002:

 J F M A M J J A S O N D


2001:

 J F M A M J J A S O N D


2000:

 J F M A M J J A S O N D


1999:

 J F M A M J J A S O N D


1998:

 J F M A M J J A S O N D


1997:

 J F M A M J J A S O N D


1996:

 J F M A M J J A S O N D


1995:

 J F M A M J J A S O N D


1994:

 J F M A M J J A S O N D


1993:

 J F M A M J J A S O N D


1992:

 J F M A M J J A S O N D


Olhem para o que eu ando a fazer
Caderneta de Cromos - 2ª a 6ª feira, 8h45 e 9h45
(o clube de fãs no Facebook)

PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
(site do programa)

Tudo na Rádio Comercial
Pesquisar
 
Texto e cartoons © 2008 Nuno Markl
Design Patrícia Furtado