Ando doido com The Strain, o livro que marca a estreia do realizador Guillermo Del Toro como romancista (a meias com o autor Chuck Hogan). Quando digo "ando doido", a coisa é mais literal do que parece. Já li muita história de terror na minha vida - e The Shining, de Stephen King, tirava-me o sono - mas The Strain, com o seu crescendo apocalíptico que começa no dia em que um avião aterra serenamente no aeroporto JFK, em Nova Iorque sem que ninguém saia lá de dentro, anda a tirar-me do sério e, à noite, a dar-me um ou outro pesadelo inspirado pelas suas páginas e a deixar-me algumas horas a matutar nos acontecimentos inquietantes ali descritos com inegável mestria. Que não se pense que está aqui uma obra-prima para a História da Literatura - nem essa é a intenção de Del Toro, orgulhoso fã da ficção mais pulp. O que está aqui é entretenimento de horror excepcionalmente bem escrito, imaginativo, delirante, naquele que é o primeiro tomo de uma trilogia cujas segunda e terceira partes serão lançadas algures entre o fim deste ano e o princípio do próximo. Del Toro e Hogan são descarados na gestão do suspense, na maneira como deixam o leitor pendurado aqui e ali, como lhe vão servindo informação sobre a praga vampiresca que vai assolando Nova Iorque e, eventualmente, o mundo. É um projecto muito cinematográfico, o que é nítido não só na mensagem na capa ("From the creator of the Oscar-winning Pan's Labyrinth") e na campanha de marketing, que inclui trailers (!), mas na própria construção da narrativa (não há bem capítulos, mas algo que mais se assemelha mais a cenas). E é muito, muito bom. Penso que ainda não tem tradução portuguesa, mas na FNAC está a edição britânica da HarperCollins que, quem não tiver problemas com a língua inglesa, não deve perder.