Antes de mais, devo aqui dizer que respeito Luis Aleluia. Não me revendo no estilo de humor que faz, sempre o achei e continuo a achar um excelente actor, e talvez por isso tenho pena do "advogado de defesa" que havia de lhe sair na rifa, na recente polémica envolvendo As Divinas Comédias, a série que co-escrevi e narrei para a RTP, contando a História da comédia na TV nacional:

 

 

Carlos, Carlos, Carlos. Carlos. Carlos. Isto era tão escusado, Carlos. Como haverá o mundo de acreditar que tantos anos de carreira jornalística significam inteligência, sabedoria e isenção, quando, por ignorância, surdez ou maldade (vamos acreditar que foi surdez; sempre é menos mau) inventa algo que não aconteceu n'As Divinas Comédias? Sim - aceito que fizemos uma referência rápida às Lições do Tonecas, como fizemos referências rápidas a inúmeros outros programas, incluindo vários das Produções Fictícias (e até achámos por bem apagar por inteiro qualquer referência ao Homem Que Mordeu o Cão, na TVI, que até tinha um share bem jeitoso ou a sitcom Não És Homem Não És Nada, por exemplo), porque a História da Comédia é vasta e o tempo era curto - e, convenhamos, alguém como o Nicolau, o Camilo ou o Herman merecerão muito mais tempo de antena que um projecto como o Tonecas, com todo o respeito pelo Luis Aleluia e o Morais e Castro. Mas o que se dizia no texto do programa é que na origem da sitcom As Lições do Tonecas estava um clássico da rádio dos anos 30, escrito por José de Oliveira Cosme e interpretado por Vasco Santana. Dizia-se "a série recuperava o espírito do original, trazendo para a actualidade o aluno irrequieto e o professor desesperado, interpretados por Luis Aleluia e Morais e Castro". Isto é mentira? Carlos, Carlos, Carlos. Reveja as suas próprias lições, antes de falar das do Tonecas... Se se considera chocante dedicar-se tão pouco tempo às Lições do Tonecas, mais chocante será ignorar o facto que essa série se baseia no imortal clássico de Cosme e Santana.

 

Para, como um dos guionistas do programa, pedir desculpa ao Luis Aleluia, mais desculpa teria de pedir a artistas que foram consideravelmente mais influentes do que ele, lamento, e que, infelizmente, tivemos de contornar numa série tão curta e sintética como As Divinas Comédias. Deveríamos ter falado de José Viana, Óscar Acúrcio, Vítor Mendes, Max, Florbela Queiroz, Maria Vieira, entre outros. Não o fizemos porque, dado o escasso tempo de programa, decidimos que deveríamos dar ênfase a quem teve programas concretos (boa parte desses artistas era, acima de tudo, de revista e as suas participações na TV estavam ligadas a quadros de revista e não a programas específicos de que fossem protagonistas). No caso da Florbela Queiroz, quisemos mostrar excertos dos seus programas históricos dos anos 60 e 70, ao lado de Norberto de Sousa - infelizmente, nada resta dessas emissões nos arquivos da RTP.

 

E, no entanto, não nos esquecemos d' As Lições do Tonecas. E, no entanto, para Luis Aleluia, foi pouco, e As Divinas Comédias "é um portefolio das Produções Fictícias". Como elemento das Produções Fictícias, fico honrado que haja quem ache que existimos assim há tanto tempo, e que estamos por trás de projectos como o Riso e Ritmo, do Francisco Nicholson e do Armando Cortez, o Eu Show Nico, de Nicolau Breyner, o Sabadabadu de César de Oliveira, A Mulher do Sr. Ministro, da Ana Bola, todas as séries do Camilo, etc, etc, etc. Quanto a referirmos os nossos próprios projectos... Parece-me que é normal, não será? Era um bocadinho difícil ignorar as coisas que fizemos desde 95 a esta parte. Calhou sermos nós a ter a ideia de criar uma História da comédia televisiva nacional. Quem protesta, porque não se chegou à frente? Nós gostamos demasiado de humor para contornar um projecto destes. Nunca dissemos que seria uma enciclopédia do humor; para mim, As Divinas Comédias sempre foi uma celebração do humor nacional e uma oportunidade para o espectador rever e redescobrir material há muito arredado da televisão. Foi pena não ter sido mais longo, porque teríamos de bom grado falado de mais (infelizmente não das coisas da TVI, já que não houve interesse por parte do canal de Queluz em disponibilizar material para o nosso documentário, ao contrário da SIC, que nos abriu as portas ao seu arquivo).

 

Quando leio os resmungos do Carlos Castro e do Eduardo Cintra Torres (há umas semanas, no Público), repletos de fel, de teorias da conspiração e de teses sinistras, só me consigo irritar dois segundos. O tempo suficiente até me lembrar do dia em que o Raul Solnado viu, connosco, o primeiro episódio, riu-se, emocionou-se, e exclamou "as pessoas vão gostar muito disto". Conviria ao Carlos e ao Eduardo pensar que o actor estava debilitado ao ponto de ser um joguete nas cruéis mãos das Produções Fictícias, mas lamento desiludir-vos: Solnado estava lúcido, divertido e mais saudável - num sentido mais vasto do termo - do que dois certos cronistas juntos.





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