(Avisa-se desde já que este post tem uma ou outra palavra puxadota. Petizada, ide brincar, que isto é para adultos.)

 

.........

 

 

Querido filho da puta que vandalizou o Snoopy que eu e a Ana pintámos para a Snoopy Parade da UNICEF,

 

 

Suponho que, por esta altura, estejas na pacatez do teu lar, com a satisfação vazia, barata mas - acredito - temporariamente compensadora de quem vazou os seus testículos de ódio para cima da nossa obra, sob a forma de uma lata de tinta branca. Como autores do Snoopy azul denominado O Céu dos Cães, é evidente que temos pena - dedicámos horas da nossa vida para decorar aquele boneco, embora ninguém nos tire o gozo que tamanha operação nos deu (e que, a não ser que tenhas uma máquina do tempo, querido filho da puta, não é natural que consigas estragar da mesma forma que agora estragaste o resultado final).

 

O que realmente me lixa é que, com um simples gesto de destruição, não nos afectaste a nós, querido filho da puta, mas algo infinitamente maior. A razão porque nós e os outros participantes nesta iniciativa pintámos os Snoopys, é porque, após a Snoopy Parade, eles destinam-se a ser leiloados, revertendo o dinheiro do leilão, integralmente, para a obra da UNICEF em África. É provável que, agora, ninguém esteja particularmente interessado em pagar o que quer que seja - apesar da boa causa - para ficar com um Snoopy arruinado. Logo, a lata de tinta branca que compraste para, com todo o ódio, dar cabo do nosso Snoopy, é, provavelmente, a mais cara lata de tinta branca dos últimos tempos.

 

Tenho pena que o nosso Snoopy tenha conhecido este fim triste, mas, querido filho da puta, ainda podes fazer uma coisa para te limpares (já que o Snoopy penso que será impossível de limpar). O mínimo que podes fazer é uma transferência bancária para a UNICEF no valor da lata de tinta que usaste para destruir o nosso trabalho. Não precisas de dizer a ninguém que o fizeste (também me parece que um tipo que compra uma lata de tinta para arruinar um Snoopy de madrugada é capaz de não ter ninguém a quem dizer o que quer que seja). Mas, em nome de um miserável e ínfimo pingo de decência que ainda haja no meio do teu entulho interior, faz isso.

 

Quanto ao teu ódio por nós, não nos podíamos estar mais nas tintas - ha! - para ele.

 

Um forte abraço, meu grande cabrão.

 

Nuno Markl





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