Há que agradecer à minha querida amiga Catarina Furtado por ter tido a coragem de desmanchar o look e fazer o favor de agradecer este prémio por mim. Adoraria ter ido receber, mas a conjugação complicada entre a Ana ter sido chamada de última hora para fazer as emissões da Antena 3, esta semana, em Gaia, e as férias da nossa babysitter (está na Bulgária, o que fica um bocadinho fora de mão), deixou-me de mãos e pés atados. À hora a que ganhei o prémio Autores 2012 para Melhor Programa de Rádio, estava deitado com o meu filho, a tentar desesperadamente adormecê-lo. Não vi o momento em directo.

 

Este prémio é importante pelo que significa para a Rádio. Geralmente uma parente mal amada e inferiorizada nos media, em comparação com a toda-poderosa Televisão, haver uma cerimónia que se lembre dela é valente. Agradeço por isso aos jurados, dirigidos por uma figura lendária da Rádio em Portugal, o João David Nunes, não apenas pelo prémio, mas pelo mero conceito de celebrar a Rádio e de provar que ela mantém o seu poder e não é só um gira-discos.

 

Não vale a pena esconder que, recentemente, manifestei o meu repúdio por algumas decisões e procedimentos da SPA. Devo dizer que, apesar do prémio e do respeito e admiração profissional que muitas das figuras que dirigem a Sociedade Portuguesa de Autores me inspiram, mantenho todas essas minhas opiniões: o apoio incondicional a uma Proposta de Lei tão errada como a PL118, a inclusão de assinaturas, no abaixo-assinado de apoio de autores da SPA à PL118, de pessoas que não o assinaram, tudo isso são situações com as quais não posso estar de acordo e nunca estarei. Planeava, estando presente na gala e dando a cara, fazer referência a este fosso decisivo que me separa da SPA - sem histerias, sem números à Marlon-Brando-manda-índio-receber-Óscar, mas porque faz parte da relação saudável entre pessoas, ou entre pessoas e associações, que se seja sincero e se diga o que se pensa: eu estarei para sempre agradecido à SPA pelo reconhecimento de um trabalho e de uma carreira que foi este prémio, da mesma forma que estarei para sempre algo triste com o que sucedeu recentemente com o PL118-gate.

 

Infelizmente não pude ir hoje ao CCB representar a minha obra radiofónica; fiquei em casa a tomar conta da minha obra maior do que todas as outras, e não me pareceu justo usar a Catarina como mensageira de nada. Mas aqui mantenho publicamente a minha opinião: obrigado, SPA. Mas agora, por favor, em nome do respeito e admiração que me merecem a carreira dos vossos dirigentes, revejam lá a maneira de fazer as coisas. Todos queremos uma Sociedade Portuguesa de Autores em que possamos acreditar.

 

 

 





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