Hoje em dia inventam-se videojogos das coisas mais improváveis. Mas confesso que haver videojogos feitos a partir das espantosas séries de prestígio da HBO, por essa não estava à espera. Como Soprano-dependente que sou, fiquei a salivar quando soube que estava a ser preparado o jogo (para PS2) da série de David Chase...

 
 As críticas não eram lá muito favoráveis. Os chamados "hardcore gamers" queixavam-se, um pouco por todo o lado, da fraca jogabilidade de The Sopranos: Road to Respect. Mesmo assim, o meu vício apaixonado por todas as coisas Sopranos levou-me a jurar que havia de deitar as gânfias a esta obra, também porque não faltavam fanáticos da série a dizer que numa coisa o jogo não falhava: na recriação perfeita do universo d' Os Sopranos. Felizmente, os meus compinchas da Ecofilmes (obrigado, Rui Videira!) não tardaram a enviar-me uma versão de demonstração. Experimentei-a hoje. O que há a dizer? Há a dizer que sim, confirma-se, a jogabilidade de The Sopranos: Road to Respect é nula. E é bom começar já por aqui, para afastar estes fantasmas do caminho. Raras vezes se viu um jogo tão perro e hirto - no sentido em que, ao contrário do que acontece, por exemplo, num Grand Theft Auto, as missões são tão rígidas, curtas e lineares que o jogador tem a sensação que passa mais tempo a ver "cut scenes" do que propriamente a controlar o boneco. Dito isto, faço minhas as palavras de um comprador do jogo no site da Amazon americana: The Sopranos: Road to Respect, voluntaria ou involuntariamente, é o primeiro videojogo para pessoas que não gramam videojogos. Que preferem uma hora semanal de boa ficção televisiva sobre a família de New Jersey a uma tarde inteira aos tiros, de comando na mão. Como não só é linear como é relativamente fácil, The Sopranos: Road to Respect é a experiência perfeita para quem não tem grande jeito para a videojogatana (como é o meu caso) mas anseia por passear pelos interiores do Bada Bing e de todo o universo da série. Eles podem não ter investido em mais nada, mas no que toca a gráficos, talento vocal (estão cá todos os actores da série!) e escrita de diálogos, The Sopranos: Road to Respect acerta em cheio e deixou-me com um sorriso parvo no rosto, o de uma criança grande que agora pode brincar dentro de um mundo que se habituara a ver de longe. Sim, há toneladas de "cut scenes", mas têm piada e o mesmo nível de qualidade de escrita da série (consta que o David Chase recrutou argumentistas da TV para escreverem a história do jogo). Fanáticos da memorabilia Soprana, gastem massa nisto. Jogadores inveterados, passem ao largo. Jogadores inveterados que acumulem com o fanatismo Soprano, tentem experimentar antes de investir. O que eu sei é que enquanto não chegam os seis últimos episódios da série, The Sopranos: Road to Respect é um mata-vício divertido, claramente feito com amor à série. E total desprezo pela arte do videojogo. Se para a próxima eles conseguirem aperfeiçoar essa parte e dar ao jogador a liberdade para se mover na New Jersey de Tony Soprano como existe nos GTAs, ui.


JP @ 01:24

Qua, 27/12/06

 

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Por acaso essa história é bem verdade. Eu até sou um gamer a meio caminho entre o hardcore e o softcore, mas lembro-me de alguns jogos, por exemplo alguns relativos ao universo Star Wars, que eram uma bela bodega, mas que eu pagava para estar ali dentro do universo "georgelucasiano". Pode ser que tal como nesse caso fizeram jogos como os Knight of the Old Republic, que são grandes malhas de jogo e de enredo e de universo e de tudo e mais alguma coisa...

Um dia o Tony tenha direito a mais jogabilidade.




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