Na passada 6ª feira, no evento de lançamento do livro Caderneta de Cromos Contra-Ataca, quem lá esteve levou de rajada com um punhado de revelações que, já agora, quero partilhar com a restante comunidade, porque me parecem de extremo interesse (não interesse no sentido "coisas que podem mudar o mundo"; mas interessezinho, vá):
- A grandiosa festa do livro Caderneta de Cromos Contra-Ataca em Lisboa vai ser não numa qualquer discoteca da moda, mas num local realmente relevante do universo da Caderneta; um lugar de lendas onde se passa boa parte da acção descrita nos cromos que, todas as manhãs, faço na Comercial: a minha escola secundária, a Escola Secundária de Benfica - hoje Escola Secundária José Gomes Ferreira. A coisa está marcada para 22 de Outubro, mas a seu tempo darei mais pormenores. Sim, vamos para o anfiteatro da escola, onde se faziam as grandes festas de Natal, fim de ano, etc. E vai haver hora de slows e tudo, evidentemente.
- A não menos grandiosa festa do livro no Porto vai ser num lugar lendário por outras razões: as simpáticas pessoas do Porto Sandeman, inspiradas pelo cromo sobre o misterioso homem de chapéu Sandeman que me aterrorizava na infância, cederam amavelmente as suas míticas caves para fazermos a nossa festa croma nortenha. É provável que aconteça o momento em que, por fim, defronto o Homem Sandeman! Mais informações em breve.
- Por fim, se no ano passado nos aliámos à lendária Majora para criar um objecto moderno com ares de objecto antigo - O Jogo da Glória da Caderneta de Cromos - em 2012 vamos aliar-nos à Maia & Borges para criar as figuras de PVC da Caderneta de Cromos, cujo design será da Patrícia Furtado, para que sejam fiéis às ilustrações dela. É o tipo de merchandising que fazemos não pelo lucro - hoje em dia, a não ser que se tenha a licença do Harry Potter, não se fazem bonecos para enriquecer - mas pelo gozo que representa mais este encontro com uma fábrica clássica da nossa infância (eram eles que produziam todos os bonecos das séries TV e BD, como os Estrumpfes, o Dartacão, etc.).
O texto do espectáculo Caderneta de Cromos ao Vivo, que levamos ao Coliseu de Lisboa no dia 15 de Novembro e ao do Porto no dia 27, é das coisas mais épicas e desmesuradamente ambiciosas que já fiz - o que é ampliado pelo facto de estarmos a trabalhar batendo todos os recordes de rapidez (mas era as datas que havia disponíveis!). A todos os fãs da rubrica que compraram bilhetes, agradeço a confiança no nosso trabalho - suponho que, na altura em que soltaram o dinheirinho, a interrogação "mas como é que é que aqueles tipos vão transformar uma rubrica de 10 minutos num espectáculo de Coliseu?" vos tenha assaltado a mente, e assaltou bem.
A ideia é que, sem perder nada do que vos faz gostar da rubrica na Rádio Comercial, o espectáculo possa apresentar alguns greatest hits da rubrica como ninguém os viu (ou imaginou que os viria a ver) antes. A produção é da Media Capital Entertainment, que tem larga experiência no showbiz para tornar realidade muitas das minhas ideias mais dementes e, pelo meu lado, trouxe as colaborações de duas pessoas imprescindíveis: o Jorge Vaz Gomes, realizador dos sketches do meu programa no Canal Q, ShoWMarkl, que vai realizar tudo quanto é conteúdo vídeo do espectáculo (e vai haver muita coisa gira para ver no ecrã que contracena connosco) e a Patrícia Furtado, que vocês conhecem como a autora das ilustrações do livro da Caderneta de Cromos, a responsável pelo design e pelos detalhados desenhos dos 100 cromos do livro, será a responsável pela cenografia, animações e todo o look do espectáculo - a verdade é que queremos que quem alinhe connosco naquelas duas noites se sinta totalmente mergulhada não só no ambiente da rubrica da Comercial, mas também no do livro. O resto pretende dar poucos minutos de descanso ao espectador (no bom sentido, calma), e tentar atirar-lhe o maior número de surpresas - e quando digo "atirar", em alguns casos é literal. Mas ninguém se vai aleijar, não se preocupem. Estamos a trabalhar para que isto seja uma diversão do cacete para vocês e para nós. E isso inclui que, a dada altura, haja um momento em que, tudo correndo bem, irei pôr em risco a minha integridade física em palco. Gulp.
Os bilhetes estão a voar, mas ainda há alguns - confiram aqui.
A Caderneta de Cromos ao Vivo e o livro da Caderneta de Cromos (que está a ser um sucesso pelo qual vos agradeço) são as primeiras expansões da rubrica para fora do seu formato de origem, mas até ao fim do ano vai haver mais - e ontem, no evento onde eu e a Patrícia Furtado estivemos, no Casino da Figueira da Foz, anunciámos em primeira mão as duas próximas encarnações da Caderneta, que muito gozo deram a criar...
A MINHA AGENDA DA CADERNETA DE CROMOS
Numa homenagem sentida à lendária A Minha Agenda - e porque nunca tive nenhuma - irá em breve surgir nos escaparates a genuína agenda da Caderneta de Cromos, com as ilustrações da Patrícia, toneladas de efemérides que vão do relevante ao parvo e, pasme-se, aquilo funciona mesmo como agenda! É uma ousadia, numa era em que temos tendência para enfiar todos os nossos compromissos no telemóvel, criar uma agenda old school, inspirada nas agendas das nossas infâncias, mas achámos que seria divertido juntar ao universo da Caderneta de Cromos a nossa própria A Minha Agenda. Agora já sabem que, para o Natal, de presente, la la la la...
E há ainda uma coisa muitíssimo apetitosa que nos uniu, com grande orgulho, a uma das empresas mais importantes da nossa infância - a Majora! Nada mais nada menos do que...
O JOGO DA GLÓRIA DA CADERNETA DE CROMOS
Foi um gozo criar isto com a Majora e irá, em breve, estar nas lojas da especialidade, numa caixinha toda pipi e pronto para unir a família em torno de um tabuleiro que cruza o clássico Jogo da Glória da nossa infância, com o universo da Caderneta de Cromos. Sem querer revelar muito para não estragar as surpresas: sim, a Majora deu-nos carta branca para alterarmos as regras e tornarmos a experiência mais alucinante, e os peões de jogo, em vez de serem as banais marcas coloridas dos anos ontem, são as figuras da equipa da manhã - bonecos muito divertidos da minha pessoa, do Pedro Ribeiro, da Vanda Miranda e do Vasco Palmeirim, desenhados pela Patrícia, aos quais ela juntou (porque, se bem se lembram, todo o jogo da Majora é para seis jogadores) mais duas personagens, a Samantha Fox e a Kim Wilde! O tabuleiro está um mimo e a ideia do jogo é conseguirmos atravessar as 90 casas, escapando de diversas humilhações, e sermos os primeiros a chegar à casa central - a Idade Adulta. Pelo meio, juntámos provas impensáveis. Em breve saberão mais. Parece-me que é a primeira vez na História da Humanidade que um programa de rádio tem o seu próprio jogo de tabuleiro oficial! (E vai ser uma galhofa jogá-lo, podemos assegurá-lo.)
Não se preocupem os profetas do apocalipse. Haver merchandising não significa vender a alma ao Diabo. Significa que cada objecto está a ser trabalhado com o mesmo cuidado que qualquer edição diária da rubrica e que não vai haver cuecas, peúgas ou roupa de cama da Caderneta. Só as coisas que nos permitam ser tão criativos como a rubrica ou o livro. Os fãs merecem ser tratados com dignidade e criatividade!
Newsflash! Acabaram de me chegar os números das pré-vendas do livro da Caderneta de Cromos e são qualquer coisa de extraordinário, tendo em conta, ainda por cima, que tudo isto se passou num fim-de-semana, em Agosto, e que houve logo uma quantidade espantosa de encomendas no site da FNAC na madrugada de sexta para sábado (a pré-venda online arrancou às 20h de sexta!). Tudo somado, entre as encomendas feitas pela Internet e as compras do kit feitas nas lojas, num mísero fim-de-semana de Verão foi ultrapassada largamente a metade da 1ª edição de kits - as boas notícias é que a Objectiva se prepara para editar mais kits, imprimindo mais cromos e preparando mais tubos de Cola Cisne (mas continua a ser uma edição limitada - os kits de pré-venda com os cromos não vão durar sempre! Acontece que, apesar de se esperar que isto corresse bem, ninguém estava à espera que corresse tão bem). Por tudo isto, agradeço a toda a gente por esta onda incrível de entusiasmo perante a Caderneta de Cromos. A rubrica, o livro - tudo foi feito com dedicação, e não em sistema de fabrico de salsichas. Todo o livro foi pensado para não ser uma mera reprodução preguiçosa dos textos da rádio, mas sim um objecto feito à imagem dos desejos dos fãs e que não os defraude. Por isso, e antes de mais: OBRIGADO, em meu nome, em nome da Patrícia Furtado que criou todo o look do livro e dos cromos, e em nome da Objectiva, da Rádio Comercial e todos os que trabalharam no duro e a horas impróprias, nos últimos meses, para que o livro da Caderneta de Cromos se tornasse uma realidade.
Uma resposta a uma questão frequentemente colocada por quem fez / quer fazer a pré-encomenda no site da FNAC: É oficial - quem fizer agora a pré-venda online, no site da FNAC, aqui - http://www.fnac.pt/Caderneta-de-Cromos-O
Quem comprou o kit de pré-venda nas lojas e, por um azar, tem algum cromo em falta no seu kit de pré-venda do livro da Caderneta (não é comum, mas já aconteceu), pode dirigir-se à FNAC onde comprou o kit com a prova de compra - eles já têm instruções da editora Objectiva para vos darem o que vos falta para que fiquem com 50 cromos diferentes. Eis a lista dos cromos que a vossa embalagem de pré-venda tem de ter. Se já têm o kit, comprado nas lojas FNAC, ora façam lá o favor de verificar se isto está lá tudo:
Abelha Maia
Bic
Ciclo Preparatório TV
Jogo do Elástico
Filmes-Escândalo
O Monstro da Lagoa Negra
Achocolatados
Bom-Bokas
Coisas de Menina
Espaço 1999
Jogo do Alho
Match Day
Agora Escolha
Botas Ortopédicas
Cola Cisne
Estojo de Química
Jogos Electrónicos
Miami Vice
Autocolantes nas Janelas
Botty Bota
Cubo Mágico
Estrumpfes
Um Grande, Grande Amor
Canetas de Feltro
Playmobil
Carrinhos de Rolamentos
Dartacão
Fantasias de Natal
Karate Kid
Ministars e Onda Choc
Bichos da Seda
Chuckie Egg
O Dedo e O Pé
Granizados Fá
Kim Wilde
Quarto Escuro
Quitoso
Tarzan Boy
Action Man Vs Madelman
Berlindes e Pirulitos
Calculadora
Fizz Limão
O Rapaz do Campo
Topo Gigio
Europa Countdown
Bola Nívea
Cassetes
Flashdance
O Sabichão
Traga-Bolas
Se, por um azar do caneco, vos faltar algum, é só irem à loja FNAC onde compraram o kit e pedir. Houve um enorme esforço e dedicação por parte da Objectiva e da FNAC para que os kits estivessem no ponto, mas acidentes acontecem, sobretudo quando se trabalha uma ideia tão nova - e, convenhamos, louca - como esta. Não há crise, nem angústia - tudo se resolve!
Quem ainda está às aranhas sem perceber como funciona a pré-venda do livro da Caderneta de Cromos, espreite o post que está mesmo abaixo deste - está lá um tutorial video onde eu explico tudo!
Ando doido com The Strain, o livro que marca a estreia do realizador Guillermo Del Toro como romancista (a meias com o autor Chuck Hogan). Quando digo "ando doido", a coisa é mais literal do que parece. Já li muita história de terror na minha vida - e The Shining, de Stephen King, tirava-me o sono - mas The Strain, com o seu crescendo apocalíptico que começa no dia em que um avião aterra serenamente no aeroporto JFK, em Nova Iorque sem que ninguém saia lá de dentro, anda a tirar-me do sério e, à noite, a dar-me um ou outro pesadelo inspirado pelas suas páginas e a deixar-me algumas horas a matutar nos acontecimentos inquietantes ali descritos com inegável mestria. Que não se pense que está aqui uma obra-prima para a História da Literatura - nem essa é a intenção de Del Toro, orgulhoso fã da ficção mais pulp. O que está aqui é entretenimento de horror excepcionalmente bem escrito, imaginativo, delirante, naquele que é o primeiro tomo de uma trilogia cujas segunda e terceira partes serão lançadas algures entre o fim deste ano e o princípio do próximo. Del Toro e Hogan são descarados na gestão do suspense, na maneira como deixam o leitor pendurado aqui e ali, como lhe vão servindo informação sobre a praga vampiresca que vai assolando Nova Iorque e, eventualmente, o mundo. É um projecto muito cinematográfico, o que é nítido não só na mensagem na capa ("From the creator of the Oscar-winning Pan's Labyrinth") e na campanha de marketing, que inclui trailers (!), mas na própria construção da narrativa (não há bem capítulos, mas algo que mais se assemelha mais a cenas). E é muito, muito bom. Penso que ainda não tem tradução portuguesa, mas na FNAC está a edição britânica da HarperCollins que, quem não tiver problemas com a língua inglesa, não deve perder.
É com incontida honra que anuncio o lançamento do livro português mais divertido dos últimos anos: o jornalista José Carlos Marques, dedicado coleccionador dos anúncios mais inacreditáveis escondidos nas páginas dos jornais portugueses, transformou em livro o seu delicioso blog. E atenção, que esta não é uma mera transposição dos textos de um blog para um livro, como é habitual fazer-se (pois se até Saramago fez!); não - digamos que o blog é a "prequela" do livro. No blog estão os anúncios; no livro estão os anúncios e as histórias por trás deles, já que o José Carlos, jornalista de profissão, decidiu, de facto, telefonar para os números publicados nos ditos anúncios e conhecer quem são as pessoas que procuram e oferecem os produtos e serviços mais insólitos que se podem imaginar.
O livro é uma edição da Prime Books e, para além de estar nas lojas, podem também comprá-lo aqui.
Nada como umas férias em Espanha para descobrir uma quantidade imensa de coisas que, vergonhosamente - tendo em conta que vivemos ao lado - andamos a perder... Urge que uma editora portuguesa lance em Portugal os livros de Miguel Brieva. Podemos chamar-lhe cartoonista, mas parece-me que, neste caso, isso é capaz de ser um bocadinho para o redutor. Este sevilhano de 35 anos, com obra editada em diversos jornais e revistas e - pelo menos - dois livros que descobri ontem numa livraria aqui do sítio, é não só um ilustrador notável, como põe o seu traço falsamente clássico e limpo (lembrando a obra do grande Daniel Clowes) ao serviço de um humor aguçado, de observação dos tiques humanos, da sociedade, da política, que lembra o Matt Groening de Life in Hell. Comprei Enciclopedia Universal Clismón - Bienvenido al Mundo, uma "enciclopédia" armadilhada, onde Brieva expõe a sua visão sobre quase tudo (e, como se espera, organizada alfabeticamente) e também Dinero, um volume que reúne todas as edições de uma revista totalmente escrita e ilustrada pelo artista, mandando certeiras traulitadas na sociedade de consumo e em tudo o que a rodeia. É hilariante, poético e merece ser descoberto com urgência. É das coisas mais brilhantes e divertidas que li nos últimos tempos.
Encomendem os dois livros de Brieva aqui e aqui.
O Filipe já viu o Watchmen no visionamento de imprensa e escreveu este magnífico texto que, apesar de uma ou outra reserva que ele tem sobre algumas opções do Zack Snyder, tranquiliza os fãs do livro. Está quase.
Ora aqui está uma promissora peça de colecção para fãs da mais extraordinária graphic novel de sempre, ou para apressados que não a conheçam e que não tenham tempo de a ler até à estreia do filme. Em Watchmen - The Complete Motion Comic, a Warner Premiere, o braço direct-to-video da Warner Bros, reúne os doze episódios (de vinte e tal minutos cada) anteriormente publicados no iTunes - infelizmente, só na loja americana - onde toda a obra de Alan Moore e Dave Gibbons (excepto, creio eu, as páginas reproduzindo os excertos do livro fictício Under the Hood) é transformada, página a página, num comic com movimento, música, efeitos sonoros e o diálogo lido por voice actors de primeira. Já vi algumas experiências similares (penso que o site oficial de Hellboy já esboçara este tipo de motion comic), mas parece que em Watchmen a coisa sai ainda mais sofisticada.
Vai sair agora num DVD, dentro da gigantesca operação de marketing para o lançamento do filme (que inclui também o lançamento, em DVD e Blu-ray de Tales of the Black Freighter, adaptação a desenho animado do comic book-dentro-do-comic book que pontua a acção de Watchmen). Pelo que vi, e apesar do lado calculista do lançamento, Watchmen - The Complete Motion Comic é uma esplendorosa reinvenção das páginas da graphic novel, como se pode ver neste video feito por um fã e posto no You Tube, onde se aproveita para mostrar como o filme de Zack Snyder está tão próximo do look concebido por Dave Gibbons para a BD.
Ontem mandaram para a rádio os dois volumes da banda sonora do filme: um tem as canções, o outro a partitura instrumental de Tyler Bates.
As canções parecem, à partida, um saco de gatos onde cabe tudo, de Nat King Cole a Philip Glass passando por Jimi Hendrix e KC & The Sunshine Band. Mas para quem conhece a BD, aquilo faz um estranho sentido (e algumas das canções aqui incluídas são clássicos citados nas páginas da graphic novel), sendo a ovelha negra uma desnecessária versão de Desolation Row, de Bob Dylan, pelos insuportáveis (opinião pessoal, evidentemente) My Chemical Romance. Felizmente, diz-me o Rui Pedro Tendinha, que já viu o filme (e adorou-o incondicionalmente) que os My Chemical Romance só urram no genérico final da fita, o que é um alívio.
Impecável do primeiro ao último dos seus quarenta e tal minutos é a banda sonora instrumental do talentoso Tyler Bates, que já fizera maravilhas de fusão entre orquestra e sintetizadores ao lado de Zack Snyder, nas bandas sonoras de Dawn of the Dead e 300. O disco do score instrumental de Watchmen é arrebatador, indo do registo épico e maior-que-a-vida a pequenas peças românticas intimistas de fazer chorar as pedras da calçada e dando a entender que Bates apanhou na perfeição todos os ambientes do livro de Moore e Gibbons.
O Filipe Homem Fonseca vai já ver o filme amanhã (eu infelizmente não posso, porque é cedo, ou seja, à hora a que eu estou na rádio!) e conhecendo-o como conheço, se ele vier de lá histérico de felicidade, o mundo pode respirar de alívio e aguardar, em pulgas, pela estreia da fita. No blog dele podem ver, entretanto, o encontro limitado entre fãs do livro e Zack Snyder e Dave Gibbons no Playstation Home, onde o Filipe esteve e onde pôde fazer perguntas ao realizador do filme e ao co-autor da BD.
Sim, somos geeks! Mas se há coisa arrebatadora e justificativa da geekness de um gajo, é este espantoso, apaixonante, complexo, arrebatador romance em BD chamado Watchmen. Para os cépticos que acham que a BD é coisa de garotos, convém lembrar que a revista Time considera esta graphic novel como um dos 100 melhores livros em língua inglesa desde 1923 até aos nossos dias...
Esta tarde, o meu caro amigo Filipe Homem Fonseca, fã devoto da graphic novel mais espantosa da História, Watchmen, será um dos 10 peritos internacionais a entrevistar Zack Snyder, realizador da adaptação cinematográfica do livro, e Dave Gibbons, o responsável por desenhar a história que o quase-eremita Alan Moore criou. A entrevista acontece no universo virtual da Playstation, o Home, cada interveniente usando o seu avatar, e o evento poderá ser acompanhado em directo através do sistema UStream aqui, no blog do próprio Filipe.
Watchmen é um livro que me acompanha há anos e ao qual volto, de vez em quando. É aquele tipo de livro que, sem uma pessoa saber bem porquê, compra mais do que uma vez na vida, não vá uma das edições perder-se. Bom, eu até sei porque comprei o meu segundo exemplar - porque tinha um autógrafo todo pipi do Dave Gibbons, na Forbidden Planet de Londres. O livro consegue ser fácil e, ao mesmo tempo, impossível de adaptar. Fácil, por um lado - porque a respiração da história, graças à linguagem de Moore e à incrível "realização" de Gibbons, é de cinema puro. Ou seja, se quis ser fiel ao livro, Zack Snyder nem precisava de um artista de storyboards; Watchmen, para além de ser um monumento literário e de BD, é, já de si, um storyboard para um filme. Por outro lado, o universo de Watchmen é tão vasto e a história tão detalhada que dificilmente se encaixa num filme sem que se perca muita coisa. Mas a verdade é que Snyder fez um trabalho e pêras na adaptação de 300 e percebeu-se que ama a BD e que não é um mero tarefeiro, o que pode querer dizer que, apesar de Alan Moore já odiar o filme à partida (porque, na verdade, odeia Hollywood - e com razão, basta que se veja o atentado chamado A Liga de Cavalheiros Extraordinários, com Sean Connery), Watchmen tem tudo para ser um belíssimo espectáculo.
Recordando o sítio onde esta entrevista inovadora pode ser vista mais logo, a partir das 16h: é aqui, no estaminé do Filipe Homem Fonseca!