Ora aqui está uma banda "do meu tempo" (meu Deus, estou a ficar velho). Ontem papei o novo disco dos Prefab Sprout durante um passeio a pé e um tipo quase flutua em vez de andar, pois permanece intacto, como nos 80s, o dom de Paddy McAloon para criar a canção pop celestialmente perfeita. Não há novidades nem sobressaltos em Let's Change The World WIth Music, uma colecção de canções que está para ser lançada desde 92 e que, por isso, conquistou uma espécie de aura mítica. E justifica-se: é certo que hoje em dia os Prefab Sprout não conseguirão reunir um número suficiente de fãs para mudar o mundo com música, mas este disco, com jóias do calibre de Earth The Story So Far, Last of the Great Romantics, Falling in Love, e por aí fora, é coisa para tornar o mundo privado de cada um dos seus ouvintes um bocadito melhor. E sim, é verdade que alguns dos arranjos deste disco soam datados (Let's Change The World With Music podia, perfeitamente, ser o sucessor directo de um clássico como From Langley Park to Memphis, de 1988; McAloon já fez discos dos Prefab Sprout que soam menos 80s do que este, como The Gunman and Other Stories), mas tudo isso contribui para a experiência "disto-já-não-se-faz" desta pequena maravilha. E não deixa de ser incrível que, apesar de, hoje em dia, Paddy McAloon parecer um velho profeta louco, com longos cabelos e barbas grisalhas, ele continue a cantar com a voz do jovem twentysomething dos velhos tempos. E a escrever com o mesmo tipo de fusão entre o despojadamente simples e o literário que sempre caracterizou as suas notáveis canções.

 

 



Descobri na net esta coisa espantosa: o video de abertura do promissor jogo The Beatles: Rock Band. O traço da animação anda ali num meio termo entre o Miguelanxo Prado e o Jamie Hewlett. Não faço ideia se algum deles teve algo a ver com isto; sei que é um pequeno espanto: 

 



Começo por louvar as virtudes de uma coisa chamada Narihnel, a cujos inventores eu agradeço terem criado tão espantosa obra. Graças a eles, considero-me um dos mais talentosos caçadores de ranho da Península Ibérica, pelo menos.

 

 

Tal como disse esta manhã na rádio, gosto de imaginar que esta coisa é o proton pack dos Caça-Fantasmas e que a ranhoca esbranquiçada do meu filho é um fantasma. Depois de algum receio inicial em aplicar demasiada força na sucção, não fosse arrancar à criança não apenas o ranho mas também um pedaço do córtex, hoje posso assegurar que domino a técnica do sorvimento de ranho como Mr. Miyagi domina o karate. A sério, estou pronto a passar os meus conhecimentos a discípulos e tudo. É a esse ponto que já chegou o meu apuro no domínio deste aspirador de ventas.

 

Outros assuntos: Os Contemporâneos estão prestes a finar-se na TV (pelo menos até ao início de 2010, onde há boas hipóteses que ressuscitemos), mas não terminaremos sem algumas coisas épicas envolvendo a personagem do Chato, por exemplo. Ou um número musical que gravaremos entre hoje e quarta-feira. Neste momento já não estamos a escrever nada para a série, dado que está tudo escrito, e posso assegurar-vos que, embora as férias me saibam bem que se farta, fico sempre com uma espécie de ressaca, nestas alturas. Foram muitas semanas a inventar e a escrever sketches e este tem sido um dos mais gratificantes programas de televisão em que já trabalhei. Vou ter saudades. E entretanto, fico contente pelas críticas muito positivas que o DVD da 2ª série está a ter (saíram esta semana textos assaz elogiosos sobre a nossa caixa amarela no jornal i e na TimeOut).

 

Sobre o filme A Bela e o Paparazzo, tomem lá mais uma reportagem - esta do programa Fotogramas, da RTP-2, que assistiu a uma tarde de filmagens na Bica:

 

 

E já que falamos em cinema, devo dizer que o trailer de Alice in Wonderland, de Tim Burton, tem um ar muitíssimo apetecível, embora ande um bocadinho maçado com uma coisa, agravada pelo facto de me ter cruzado outro dia com o sempre brilhante Beetlejuice num dos TVCines: sinto falta do Burton dos efeitos de stopmotion. Alice transpira CGI por todos os poros e, apesar de ter um óptimo aspecto, uma das coisas que sempre me cativou no realizador e que fez dele um dos meus favoritos, foi o quão inventivo ele era na utilização de efeitos lo-fi que, no entanto, eram de arregalar o olho. Beetlejuice não seria a mesma coisa se aquela cobra gigante fosse em CGI...

 

E não é só isso. Tudo bem que adorei Grande Peixe, Charlie e a Fábrica de Chocolate e Sweeney Todd. Até adorei o assaz maltratado Planeta dos Macacos. Mas sejamos sinceros: à parte d' A Noiva Cadáver, o que Tim Burton tem feito ultimamente é adaptar obras alheias e eu quero aqui dizer - senão rebento - que tenho saudades de um herói original 100% burtoniano. Quero um novo Beetlejuice. Um novo Eduardo. Suspiro de saudades da irreverência e da subversão de uma coisa como Marte Ataca. Tenho dito. Posto isto, parece-me que Lewis Carroll vai ficar muitíssimo bem servido por esta adaptação do seu clássico...

 

 

Para terminar, deixo uma nota sobre música e aquilo que penso do novo single dos Black Eyed Peas, I Gotta Feeling: creio tratar-se do maior pedaço de esterco musical que me foi dado ouvir desde I'm Blue, dos Eiffel 65. Porquê a comparação? Porque ambos usam o vocoder como método de tortura. Nunca fui fã por aí além da banda de Will I Am, mas sempre achei que, pelo menos, dignidade eles iam tendo. Até agora.

 

E pronto, vou à vidinha.



Gente sem filhos, acreditem no que vos dizem: assim que uma criaturinha destas entra na vossa vida, tudo - e friso bem: tudo - é feito em função dela. O trabalho que aceitamos. Como o vamos fazer. As horas a que decidimos divertir-nos. O sentido da vida, ele próprio. Tudo. T-U-D-O. Fico algo espantado quando recebo emails - a cujos remetentes agradeço - que no mesmo parágrafo me oferecem os parabéns pelo nascimento do rebento e de seguida me convidam para um trabalho de não sei quantos dias fora de Lisboa. Agradeço a lembrança e gostava, a sério que gostava. Mas aposto que os meus caríssimos anfitriões ainda não passaram pela reviravolta alucinante na vida de uma pessoa que é a chegada de um filho. Sim, ainda se consegue ter vida pessoal (pelo menos até ao momento); consegue-se trabalhar e ter ideias e escrevê-las; não, não se tem, nem de perto nem de longe, a mesma liberdade de movimentos. A não ser que se seja um daqueles pais que acha que já fez a sua parte e deposita agora toda a responsabilidade nos ombros da mãe. E é nesta altura que entra o Vítor de Sousa recitando "meu filho, não tenho tempo": OK, esse poema poderá não ser o suprasumo da subtileza, mas a verdade é que de pais ausentes está o mundo cheio e desde já fica aqui o aviso de que, por estas alturas, aceito todo o trabalho interessante que me for proposto, mas que não me afaste muito ali do berço, da panela da esterilização e, é claro, das sublimes duas pessoas que fazem com que a minha vida tenha sentido: a minha namorada-modelo (não só porque é uma mulher deslumbrante a todos os níveis, mas porque é um modelo de recuperação pós-gravidez sem precisar de cirurgias à barriga, apenas com um precioso cuidado com a alimentação) e os dois quilos setecentos e tal de ser humano que há uns dias adormeceram a mexer-me no nariz (sim, finalmente descobri a utilidade desta penca - ALELUIA).

 

Portanto, o segredo está em formatar o nosso mundo em redor deste acontecimento bombástico, definitivo, extenuante e fascinante. A partir de terça-feira que vem recomeço com crónicas radiofónicas na Antena 3, nas Manhãs da 3, com uma série de Há Vida em Markl sobre as loucuras da paternidade e os estragos que ela já provocou (nomeadamente ao nível de um esterilizador de biberões todo XPTO que já não o é; R.I.P.). Não estarei no estúdio, estarei a emitir do local onde tudo acontece. Ao mesmo tempo, continuo a escrever material para Os Contemporâneos e crio pequenos desafios a mim mesmo que me ajudam a encarar sem queixinhas nem lamentos a dura realidade que é ter de suspender o universo de três em três horas, seja de noite ou de dia, para, com a Ana, ir fazendo do Pedro um ser humano melhor. Por enquanto, essa demanda épica ainda se vai resolvendo com relativo minimalismo (nesta fase, fazer um ser humano melhor implica, basicamente, limpar caca e dar-lhe alimento; ainda não há lugar para grandes ensinamentos para a vida - ele, com esta idade, caga neles. Literalmente.)

 

Um dos pequenos desafios recentes tem a ver com música. A música sempre foi das coisas mais importantes na minha vida. Não no sentido de a fazer ou de a cantar, mas no sentido de a consumir - eu preciso de ter banda sonora para quase tudo (excepto para fazer amor, porque me desconcentra). E achei que era essencial descobrir música adequada para me manter desperto quando, a meio da noite, tenho de cambalear até à cozinha para manusear água a ferver. Uma destas madrugadas, à conta da falta de uma banda sonora estimulante adequada, retirei um biberão de um tacho usando - muito inteligentemente - uma pinça própria para se pegar em biberões esterilizados ferventes; infelizmente, ao despejar o excesso de água a ferver no interior do biberão, fi-lo por cima não só da pinça, mas da minha mão. Não é bom.

 

De experiência em experiência, descobri o disco. É novo, é divertido, é inteligente, é cafeína musical pura, é este:

 

 

Confesso que não estava muito familiarizado com os noruegueses Datarock, até me ter cruzado com eles a meio da noite, num rápido zapping pelos canais do cabo enquanto esperava que a água para o suplemento alimentar do meu filho fervesse. E fiquei repleto de alegria. Aqui está malta que se sabe divertir, que sabe tirar partido dos excessos dos 80s e transformá-los em algo tão puramente fun como esta canção: Give it Up.

 

 

Agora há a parte geek da coisa. Estava eu a ouvir Give it Up e a pensar: "Caramba, isto há para aqui qualquer coisa de Talking Heads. Mas ao mesmo tempo não. Mas sim." Sendo os Talking Heads uma das razões porque gosto de música, a pulga ficou-me definitivamente atrás da orelha. E não é que, ao ouvir o álbum Red, dou de caras com uma canção espantosa chamada True Stories (pois!) cuja letra consiste num desfiar dos títulos das canções mais emblemáticas de David Byrne e companhia? Acabou por tornar-se no tema musical do jogo The Sims 3:

 

 

Portanto, como vêem pelo meu entusiasmo, pode-se ser pai e pode continuar-se a ser geek. É uma chama que se consegue manter viva, dentro da mais viva das chamas deste grande incêndio que é a vida.

 

Porra, esta agora foi forte!

 

P.S.: Já houve quem, no Twitter, começasse a queixar-se de que eu só falo na paternidade, com o desdém de quem se queixa de um tipo que só fala, sei lá, de um carro novo. A verdade é que, neste momento, quase duas semanas após o nascimento do meu filho, ainda não há mais nada sobre o que falar. Porque o resto parece mesmo só o que acontece nos intervalos.



Bom, a primeira noite lá se passou. Digamos que foi animada, mas que não foi dramática; bizarro foi perceber, quando o sol nasceu, o caos em que o quarto estava e os volumes de lixo que uma criatura tão pequena produz. Mas não houve choro prolongado. Todo o que houve foi rapidamente resolvido assim que percebemos do que é que ele se estava a queixar. Mas sim, tenho a sensação de que não percebi bem a transição do dia de ontem para o dia de hoje; sei que a dada altura sentia que era fim de tarde, mas de repente já eram dez da noite, depois eram três da manhã e pouco depois o sol estava a nascer. Como é que tudo isto se processou e exactamente em que alturas dormi e estive acordado, não consigo bem precisar. Foi uma transição bastante abstracta, a de quarta para quinta-feira, e durante uns segundos fez-me sentir o que deve sentir um louco que não sabe a quantas anda nem se é de dia ou é de noite.

 

Dito isto, e apesar dessa estranha reinvenção do conceito de tempo que a chegada do Pedro trouxe, devo dizer que é uma experiência algures entre o grandioso e o extraordinário passá-lo à Ana para a refeição nocturna e depois eu próprio dar-lhe o biberão com o suplemento que ele ainda tem de tomar uns dias. Devo dizer que aquela história do instinto paternal funciona. Tanto eu como a Ana, parece que fazemos isto a vida toda. É bizarro dizer isto, mas, feitas as contas, a partilha da madrugada parental consegue ser uma coisa bastante divertida e romântica e, apesar de, tudo somado, termos dormido para aí umas três horas, hoje não nos sentimos assim tão destruídos e decadentes, pelo contrário. É claro que é por ser a primeira noite, e pelo efeito da novidade, e que daqui a duas semanas já ando aos gritos e a bater com a cabeça nas paredes. Mas ver o petiz satisfeito e descontraído há-de ser sempre uma experiência transcendental. Venha a próxima noitada...

 

Entretanto, uma canção de uma das minhas bandas favoritas, os Divine Comedy. Charmed Life foi escrita por Neil Hannon imediatamente a seguir ao nascimento da filha. Se eu percebesse alguma coisa de música, era uma coisa assim que eu gostava de compor para o Pedro. Ainda bem que o Hannon deu a canção ao mundo. Assim, é também de mim para o Pedro. É uma belíssima e tocante canção que prova que a malta mais habituada à ironia e ao sarcasmo - o caso do Hannon - também tem direito à licença de paternidade para ser um bocadito lamechas. Mas é lamechice boa, como se pode confirmar:

 

 

When I hold you in my arms,
And look back on my charmed-
life
My charmed life
I hope, I hope if nothing more
That one day you'll call your-
Life
A charmed life

Well I never really worried that much
About making lots of money and such
And I always seemed to land on my feet.
Though there's been some difficult times
The good times where never far behind
I snatched all of my victories from the jaws of defeat

When I hold you in my arms,
And look back on my charmed-
life
My charmed life
I hope, I hope if nothing more
That one day you'll call your-
Life
A charmed life

Well the course of true love never ran smooth
They broke my heart, and I broke theirs too
And breaking up was so very hard to do
But I knew I'd find the one
And sure enough she came along
And not long after that along came you

Well sometimes this life is like being afloat
On a raging sea in a little row boat
Just trying not to be washed overboard
But if you take your chances and you ride your luck
And you never, never, never, never, never give up
Well those waves will see you safely to a friendly shore

When I hold you in my arms,
I know that this is a charmed-
life
A charmed life



Os Lonely Island são uma banda de comédia de Berkeley, California, que Lorne Michaels, o produtor de Conan O'Brien e de Saturday Night Live, trouxe para o estrelato precisamente no eterno programa de sábado à noite. Os rapazes acabam de gravar um CD chamado Incredibad e, mesmo que lhes falte a criatividade e a subtileza de uns Flight of the Conchords ou a mitologia cómica de uns Tenacious D, transformaram num fenómeno gigante um single curto, incisivo e contando com a colaboração de Seth Rogen, um dos mais famosos membros do bando de Judd Apatow. A canção tornou-se num culto da net, com torrentes de fãs a apresentarem as suas próprias versões do videoclip... Ainda assim, não há nenhuma como a versão original. Senhoras e senhores, convosco os Lonely Island, o elo perdido entre os Beastie Boys e a Revista Mad!

 

 



Os Panda Pompoir não só têm um espectacular nome para uma banda rock, como têm uma canção que fica agarrada ao ouvido que nem mexilhões num rochedo à beira-mar. Chama-se Mónica e o videoclip conta com a participação de duas das mentes por trás de Bruno Aleixo: João Moreira e o realizador João Pombeiro (a quem se deve também a realização de vários webisódios destes). A ligação ao peludo sábio não se fica por aqui: o Ricardo Pinto, voz e guitarra da banda, é o autor da banda sonora de O Programa do Aleixo. Tomem lá o video, em todo o seu esplendor 80ista, a saber a Passeio dos Alegres, Vivamúsica, Top Disco e a todo um espírito algures entre o Rio de Janeiro e Coimbra.

 

 



Como todos os grandes roqueiros progressivos dos 70s, também os Jethro Tull tiveram tendência a apopalhar-se nos 80s. Não de forma tão grave como os Genesis, mas com as suas peculiaridades. Eu aprecio deveras algum rock progressivo (tendo a pender para os Yes e para os Genesis até à saída do Peter Gabriel), mas os Jethro Tull têm algo que, lamento imenso, me afasta e, inclusivamente, me embaraça um pouco: o pífaro. O sacana do pífaro. Ou da flauta. Não sei exactamente qual a diferença entre um e outro, precisamente porque tenho tendência a fugir de composições que dependam em demasia dos referidos instrumentos.

 

Há instrumentos que deviam ser proibidos em certas ocasiões. O saxofone deve ser usado com moderação, penso eu; mas o pífaro mais ainda. Sobretudo se o pífaro for utilizado por um indivíduo vestido como um professor de História do ensino secundário. Assim está Ian Anderson num vídeo ao vivo de Fly by Night, de 83, que, desde que me foi mostrado pelo meu bom amigo e colega contemporâneo Eduardo Madeira, depressa se tornou num objecto de culto e constante análise entre nós. Também o Eduardo fica fascinado e simultaneamente repelido por tudo quanto está de deliciosamente errado nestas imagens, desde a maneira como Ian Anderson está vestido para um concerto rock até ao modo sinistro como exclama "let's fly by night" com o olhar desvairado, passando, claro, pelo pífaro. Ou pela flauta.No entanto, é impossível não ficar contagiado pelo empenho dele nesta performance. Piripipi!...

 

 



 

Estava previsto começar a 19 de Abril, mas por causa de um directo que a RTP precisa de fazer e que interromperia o fluxo dos episódios logo na segunda semana, achou-se por bem adiar a estreia para 3 de Maio. A série mantém-se aos domingos, a seguir ao Conta-me Como Foi. Ontem tivemos a primeira reunião criativa, envolvendo actores, autores e produção, e há que dizer que foram deitadas para cima da mesa algumas ideias que podem resultar de forma muito, muito bonita. Não vamos reinventar a roda, vamos - reparem bem nisto, que bonito - evoluir na continuidade. E vamos tentar criar uma ou outra figura nova e colocar as que existem em situações nunca antes sonhadas. Eis um segmento da mesa do brainstorm, com alegres convivas:

 

 

Relembro que é também em Maio que, qual aparição de Fátima, surge nos escaparates de todó Portugal o suculento DVD da 2ª série. E para os completistas da memorabilia Contemporânea, relembro que o início de uma promissora carreira discográfica do Chato, interpretado pelo Nuno Lopes, pode ser ouvido em Pombos Gordos, a última faixa do álbum Ruídos Reais, dos Macacos do Chinês. Ora escutem...

 



 

Um dos grandes investimentos que um pai pode fazer nos meses que antecedem o nascimento do seu filho é comprar música. Música decente para a pequena criatura - que, aliás, deve começar a ouvi-la ainda no ventre materno. Há anos que ouço falar da colecção Rockabye Baby, mas nunca como agora - por razões óbvias - me interessei tanto por esta série de discos que pretende formar o gosto musical do petiz logo desde o berço, convertendo clássicos de gente que vai dos Nine Inch Nails aos Coldplay, passando pelos Ramones, os Queens of the Stone Age, os Radiohead, Bjork ou os Beatles, em suaves lullabys (e acreditem que até terem ouvido Head Like a Hole, dos NIN, tocado docemente em glockenspiel, ainda não ouviram nada). A minha irmã ofereceu-nos as Lullaby Renditions of Nirvana no Natal passado e agora ando na loja iTunes a chafurdar no catálogo completo do Rockabye Baby, seleccionando criteriosamente a playlist do berço do herdeiro e decidindo qual a música que não me importo de uploadar desde já para o pequeno disco rígido do meu iPedro e qual a que vou deixar depois ao critério dele. Nesta última categoria - e perdoem-me os puristas do reggae - penso que deixarei de parte as Lullaby Renditions of Bob Marley. A minha teoria é que uma pessoa já vai ter de gramar Bob Marley muitas vezes na vida, frequentemente sob a forma de bêbados em festas, de guitarra em punho, cambaleando através de No Woman No Cry; posso poupá-lo a isso de momento. AC/DC também não me importo que ele ouça mais tarde porque alguém - que não eu - lhe mostrou, apesar de Highway to Hell soar muito queriducho em xilofone. As versões Rockabye dos Metallica vou dar-lhe a ouvir, não porque eu seja fã, mas porque, bizarramente, Enter Sandman é muito tranqulizante (ajudou-me a adormecer ainda ontem). De resto, acho que é de lhe mostrar a colecção toda. As canções dos Tool são muito meiguinhas.

 

Rockabye Baby é uma grande ideia, não há dúvida. Smells Like Teen Spirit soa, de facto, melhor que Frère Jacques.

 

 





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(o clube de fãs no Facebook)

PRIMO - Sábado às 12 e Domingo às 23h00
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